Patologista alerta para os principais desafios no combate à enfermidade e como fazer o diagnóstico precoce para obter eficácia no tratamento
No próximo sábado, 24/03, é o Dia Mundial de Combate à Tuberculose (TB). A doença que acompanha a humanidade há milhares de anos ainda é considerada um problema de saúde pública no País. Só no Brasil, a TB atinge 71.000 pessoas por ano, conforme dados do Ministério da Saúde divulgados em 2011.
Segundo o médico patologista e membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Rimarcs Gomes Ferreira, 80% dos casos de tuberculose no mundo estão localizados nos países em desenvolvimento e são atribuídos a fatores como a falta de infraestrutura das grandes cidades e de saneamento básico. “O transmissor da tuberculose, o Bacilo de Koch, tem uma facilidade maior de se disseminar em ambientes escuros, pois é sensível a luz. Por isso ele costuma se multiplicar nas periferias das grandes cidades, onde há grande concentração de favelas”, explica o especialista.
Ele complementa que o contágio, que é feito pela respiração, depende das variações do transmissor e do organismo de seu portador. “O Bacilo é ‘preguiçoso’, então, nem sempre ele manifesta a doença no corpo onde ele está alojado. Isso varia de acordo com o organismo e o instante imunológico do indivíduo”. Ele informa ainda que a BCG, a única vacina existente contra a TB, é somente para prevenir os casos mais graves da doença e só pode ser ministrada em crianças até cinco anos de idade.
De acordo com Ferreira, uma das causas do alto número de contágio de TB no mundo se deve a grande incidência de pacientes infectados pelo HIV, já que os portadores desse vírus têm o seu sistema imunológico quase nulo, o que facilita a ação devastadora do bacilo e que geralmente leva esse paciente a óbito.
Outro ponto é o aparecimento de um tipo de Bacilo de Koch multirresistente, que não reage aos medicamentos utilizados habitualmente para o tratamento da doença. A contaminação por esse tipo de bacilo corresponde a 10% dos casos de TB e não tem cura. Os sintomas são os mesmos do bacilo comum: tosse (com secreção ou sem), febre, alta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares. Se o paciente tiver secreção, o diagnóstico pode ser feito por um exame denominado baciloscopia. Nos casos em que não é possível descobrir o micróbio ou constatar a existência dele, é necessário que o especialista faça uma biópsia.
O médico patologista recebe e analisa essa biópsia e emite um laudo com o diagnóstico correto do paciente. “Somente com o laudo patológico é que o doente consegue a liberação para o tratamento”, ressalta Ferreira.
Mesmo com a alta incidência de TB hoje, Ferreira avalia que o tratamento evoluiu e pode chegar a cura até em 90% dos casos, o que considera ser um índice alto. A eficácia do tratamento depende, porém, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. “Como é uma doença insidiosa e lenta, se não for descoberta em estágio inicial, o bacilo vai destruindo progressivamente o pulmão”.
Portal Podcultura
Pauta
Carla Manga
Colaborador de pautas
Camila Dias
Editor Chefe
Sandra Camillo
Portal Podcultura
Pauta
Carla Manga
Colaborador de pautas
Camila Dias
Editor Chefe
Sandra Camillo
Nenhum comentário:
Postar um comentário