Se a doença for diagnosticada precocemente, as chances de cura chegam a 83%
São Paulo, 29 de fevereiro de 2012 – A leucemia, tumor que afeta os glóbulos brancos, é a principal causa de morte infantil no País e corresponde a 33% dos casos de câncer que acometem crianças e adolescente. O lado bom desse cenário é que as chances de cura são altas. Segundo o hospital do GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, os índices de cura chegam a 83% quando a doença é tratada adequadamente, com quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula.
Um exemplo é a história da pequena Érika Marques, 6 anos, do Jardim Tietê, zona Leste de São Paulo, diagnosticada com leucemia há um ano. A mãe, Valdenice Marques, conta que, no começo, ficou sem chão, mas ao longo do tratamento se fortaleceu. “Consegui ficar forte para ajudar minha filha”. No início, Érika sentia muitas dores pelo corpo e tossia bastante. O primeiro diagnóstico foi de pneumonia e, por um tempo, a garota chegou a tomar medicamentos para a doença. Como os sintomas não desapareceram, a menina foi submetida a novos exames, que detectaram o tumor, e começou o tratamento no GRAACC.
Durante as primeiras sessões diárias de quimioterapia, Érika não aceitava a queda do cabelo e se sentia sem ânimo. Porém, a mãe enfatiza que o apoio psicológico do GRAACC para os pais e a filha ajudou muito nessa delicada etapa. “Graças às orientações, minha filha voltou a acreditar que essa era apenas uma fase e que tudo voltaria ao normal.” Em tratamento, Érika passou a frequentar as aulas da Escola Móvel do hospital (cujo conteúdo é definido de acordo com o plano de ensino dos colégios, reconhecido pelo MEC). Hoje, de volta à escola normal, a garota vai bem nos estudos e se relaciona de novo com os amiguinhos. “Ela é uma menina forte e especial, dificilmente fica triste e sempre está brincando ou fazendo suas atividades diárias”, diz Valdenice. Érika passa bem e vai ao GRAACC apenas de 20 em 20 dias para receber a quimioterapia.
Gyslaine Faria, 7 anos, de Santa Isabel (interior de SP) recebeu o diagnóstico da doença aos quatro anos de idade. O primeiro sintoma foi uma dor de barriga muito forte, confundida com gases. A mãe, Rita de Cássia, conta que levou a filha a um hospital em sua cidade, onde ficou internada por dois dias. Em seguida foi encaminhada para a rede SUS - Sistema Único de Saúde, que a direcionou ao GRAACC.
Na primeira fase do tratamento, Gyslaine ficou internada 42 dias na UTI no GRAACC, pois sua imunidade era muito baixa – o que provocava forte mal-estar. Após a internação, recebeu quimioterapia diariamente por nove meses. Gyslaine perdeu peso e o cabelo. “Uma fase difícil e dolorosa, mas que conseguimos superar com o apoio da equipe de atendimento do GRAACC – médicos, enfermeiros, equipe multiprofissional e voluntárias”, diz a mãe. Após quase três anos de tratamento e ainda sob acompanhamento médico, Gyslaine passa bem e a doença não se manifestou nos últimos exames de rotina. Hoje já não recebe a quimioterapia e passa por consultas de dois em dois meses. Os próximos exames feitos em março.
“Esses são exemplos de superação para nós. Atualmente, no GRAACC é possível atingir cerca de 70% de taxa de cura, índice alcançado pelos melhores centros médicos norte americanos e europeus. Nos orgulhamos em dizer que a criança em nosso hospital recebe o mesmo tratamento como se estivesse em um País de primeiro mundo”, afirma doutor Sérgio Petrilli, oncologista pediátrico e superintendente médico do hospital do GRAACC. “A instituição está sempre em busca de avanços na área do câncer infantil, realizando estudos específicos e aprofundados de cada doença. Além disso, temos uma preocupação especial com a qualidade de vida das pacientes em tratamento.”
Sobre o GRAACC
Referência no tratamento e pesquisa do câncer infanto-juvenil na América Latina, principalmente em casos de alta complexidade, e uma das mais respeitadas e bem-sucedidas ONGs do País, o GRAACC, criado em 1991, tem a missão de garantir a crianças e adolescentes com câncer, todas as chances de cura com qualidade de vida. A organização é reconhecida pelos expressivos resultados obtidos na cura do câncer infantil, alcançando índices de cerca de 70%, semelhantes aos de instituições de saúde européias e norte-americanas.
O GRAACC tem um hospital próprio (fundado em 1998), o Instituto de Oncologia Pediátrica - IOP, em parceria técnico-científica com a Universidade Federal de São Paulo - Unifesp. Na unidade são realizados mais 18 mil consultas, 1,3 mil cirurgias, 30 transplantes de medula e 1,6 mil sessões de quimioterapia, anualmente. Com um orçamento de R$ 50 milhões anuais, atende em média 300 novos casos/ano. Informações: www.graacc.org.br
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