29 de mar. de 2012

Fotógrafa traz o dia-a-dia do universo cigano ao Museu da Casa Brasileira



 
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A exposição apresenta, por meio de fotos e vídeos, registros da fotógrafa, Luciana Sampaio, em acampamentos de ciganos

Abertura: 9 de abril, segunda-feira, das 19h30 às 22h
Visitação: 10 de abril a 3 de junho de 2012

Casas do Brasil é um projeto criado pelo MCB, instituição da Secretaria do Estado da Cultura, em 2006, com o objetivo de fazer um inventário visual das casas brasileiras, celebrando a pluralidade das formas de morar país afora. Ao longo de suas edições, o projeto se dedica a documentar os vários modos de habitar, englobando suas dimensões antropológicas e sociológicas, e observando as diferentes escalas entre território, casa e objeto.
"Casas do Brasil - Barraca Cigana" apresenta o trabalho da fotógrafa e pesquisadora Luciana Sampaio, que registrou o dia-a-dia de acampamentos dos ciganos Calon na periferia e interior de São Paulo, por meio de fotos e vídeos. Como parte da mostra, haverá uma barraca no jardim do museu, montada pelo chefe cigano Darci Soares, sua mulher Diholaila Marinho Soares, sobrinho Fabinho Soares e filha Marimar Soares, do grupo de Jaboticabal. A barraca permitirá aos visitantes vivenciar o espaço doméstico e a experiência cotidiana da moradia cigana. Com abertura no dia 9 de abril, terça-feira, às 19h30, permanece até 3 junho.
Em outubro de 1997, no Largo 13 de Maio, bairro de Santo Amaro em São Paulo, Luciana viu pela primeira vez um grupo de ciganas lendo a sorte na rua. "Sempre ouvi falar que eram bruxas malvadas, mas, a partir daquele momento, as cores dos seus vestidos passaram a ser um dos elementos que mais me atraíam, e que me levaram a conviver por quase 15 anos com famílias de ciganos Calon, espalhados pelo Estado de São Paulo", relata.
Desde então, a fotógrafa documenta o modo de vida desconhecido destes brasileiros, sempre se questionando sobre como conseguiram manter, por tantos séculos, língua, vestimentas, organização familiar, habitação, meios de sobrevivência e tantos outros valores praticamente intactos. Em 2007, passou da documentação fotográfica para a produção de vídeos em que, além das atividades cotidianas, registrou também entrevistas. O trabalho resultou em um extenso arquivo documental que será, em parte, exibido na mostra.
Os ciganos retratados na exposição são da etnia Calon, falam o dialeto Chibi, e atualmente vivem em cidades do estado de São Paulo em acampamentos espalhados por seis cidades: Jaboticabal, Pitangueiras, Guariba, Ribeirão Preto, Rio Preto e São Paulo.
Para dar continuidade às discussões propostas pela mostra, durante o mês de maio, será lançado um catálogo com material exclusivo sobre a exposição. Na ocasião, a fotógrafa e pesquisadora Luciana Sampaio, estará presente e irá interagir com o público, aprofundando as questões apresentadas no seu trabalho. Os textos são da antropóloga Florência Ferrari,doutora em antropologia Social pela USP, com tese sobre ciganos Calon no Estado de São Paulo defendida em 2010. Publicou Palavra Cigana - seis contos nômades pela Cosac Naify em 2005.

SAIBA MAIS*:
*Texto de Luciana Sampaio
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A maioria dos especialistas de hoje não tem qualquer dúvida quanto à origem indiana dos ciganos, mas ainda buscam esclarecer questões relativas ao grupo étnico, classe social e época das primeiras migrações.
A documentação relativa ao período que se pode chamar de "pré-história dos ciganos" é muito escassa. Há informações mais precisas a partir de suas primeiras migrações para o oeste. Foi sobretudo em uma localidade chamada Pequeno Egito que ciganos foram vistos por viajantes ocidentais: descritos como "negros como etíopes", eram principalmente ferreiros e viviam em cabanas. Ficaram conhecidos como egípcios, gitanos ou gypsies.
A Grécia forneceu aos ciganos palavras novas, mas sobretudo revelou-lhes novos modos de vida, graças aos inúmeros peregrinos provenientes de todos os países da cristandade. Ali ?caram conhecidos como atsinganos que, provavelmente, se refere a uma seita religiosa grega. Deste nome derivam denominações como zigeuner, zigonjnere, sigoyner, tsiganes, zíngaros, zigenare, tsigani, zingari, tsignos, cingan, zingani e ciganos.
Após uma longa estada na Grécia e em países vizinhos, como os principados romenos e a Sérvia, muitos ciganos retomaram sua marcha para o oeste. Entre os séculos XV e XVIII todos os países da Europa já eram habitados por comunidades ciganas.
Na América Latina os ciganos penetraram com as primeiras levas migratórias da Europa no século XVI. No Brasil, a primeira referência aos ciganos aparece num alvará de Dom Sebastião, de 1575, transformando em degredo a pena das galés de um certo João das Torres, cigano que aqui aportara com mulher e filhos.
Do nome genérico "ciganos" derivam três grandes grupos: Calon, Rom e Sinti. Os estudos ciganos no Brasil costumam distinguir os ciganos Calon - cuja aparição no Brasil Colônia data do século XVI e está ligada a constantes ondas migratórias vindas da Península Ibérica - dos ciganos Rom, provenientes do Leste Europeu, que teriam chegado ao país no século XIX. Os Calons estão presentes em todo o país. Entre eles existe a denominação geográ?ca vinculada a suas localizações: os mineiros, os baianos, os gaúchos, os paulistas...Os Rom se dividem em subgrupos que muitas vezes levam o nome de suas atividades: Kalderash (trabalhadores de metais), Lovara (comerciantes de cavalos), Horahané (leitores do Alcorão). Em seguida, temos os nomes de origem histórico-geográ?ca como os Serbijaja, Grekurja, Italiajia, Russurja, dentre outros. De modo geral, podemos diferenciar os Calon dos Rom em termos de organização social, atividades econômicas e língua.
A raiz sânscrita e os vários elementos de base comuns ao hindi, bengali e penjavi, dialetos da região norte do continente indiano, testemunham a origem dos ciganos, ou no mínimo, a grande influência indiana no que diz respeito ao romanês, a língua cigana. Ao se nacionalizarem ou regionalizarem, os ciganos assimilam culturas e variantes linguísticas construindo novos dialetos e identidades.
De um modo geral, um acampamento é composto por um grupo familiar estendido a partir dos casamentos dos filhos e netos de um casal-cabeça. O homem desse casal é normalmente quem assume a liderança econômica e política desse grupo de parentes. Cada família nuclear reside em uma barraca ou casa e constitui uma unidade de consumo: comida, móveis, eletrodomésticos, decoração e carro são elementos replicados em cada residência. A mulher é responsável por cozinhar, limpar e arrumar a morada, e por cuidar dos filhos. Fora do espaço doméstico, há uma separação por gênero das atividades. Os homens, em dois ou mais, fazem "rolos", isto é, negócios de troca e comércio de mercadorias como carros, eletroeletrônicos e animais; as mulheres seguem juntas à cidade para ler a sorte.

SERVIÇO
Casas do Brasil - Barraca Cigana
Abertura: 9 de abril, às 19h30 - entrada gratuita
Visitação: 10 de abril a 3 de junho
Patrocínio: Ornare
Apoio cultural: BOOMSPDESIGN
Apoio: Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2011
Local: Museu da Casa Brasileira
Horário: de terça a domingo das 10h às 18h
Endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 - Jardim Paulistano
Tel. 3032-3727
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes R$ 2,00
Domingos e feriados - gratuito
Acesso a portadores de deficiência física.
Visitas orientadas: 3032-2564 - agendamento@mcb.org.br
Site: www.mcb.org.br
Estacionamento: de terça a sábado até 30 minutos, grátis; até 2 horas, R$ 12,00, demais horas, R$ 2,00. Domingo e feriados, preço único de R$ 15,00. Eventos Noturnos, preço único de R$20 reais.
Bicicletário com 20 vagas,


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