18 de fev. de 2012

Familiares de dependentes químicos também precisam de acompanhamento terapêutico


Quando um dependente químico é identificado na família, nem sempre ele é o único que precisa de tratamento. A família passa apresentar um sintoma muito comum: a co-dependência.
A co-dependência é uma doença que afeta as pessoas mais próximas do dependente químico (filhos, pais, cônjuges) que passam a sofrer, até fisicamente, pela convivência com o dependente, e geralmente tem uma grande dificuldade em pedir ou aceitar ajuda, seja para ele ou para o dependente químico.
Essa doença foi diagnosticada nos anos 70 nos Estados Unidos e pode se apresentar de várias formas, como por exemplo:
  • Salvador ou consertador - tem a auto-estima que depende da capacidade de ajudar ou “salvar” outras pessoas, especialmente as “vítimas”, aquelas que não querem se responsabilizar pelos próprios problemas.
  •  Superempreendedores – são escolhidos como “heróis” da família, aqueles que irão encobrir as dificuldades, humilhações e derrotas do passado através de grandes feitos
  • Narcisistas – são extremamente inseguros e apresentam baixa auto-estima, que encobrem com uma fachada de autoconfiança elevada e com a grande capacidade que têm de manipular e iludir os agradadores, “inadequados” e superempreendedores.
De acordo com Adriana Talarico, psicóloga especializada em dependência química da Clinica Maia Prime, por estarem emocionalmente ligados, os co-dependentes passam a viver a vida em função de proteger seu familiar, não deixando, por exemplo, que ele passe por situações constrangedoras junto aos amigos e parentes. “Muitas vezes, o co-dependente não percebe que essa atitude ao invés de ajudar, só piora o quadro do dependente químico, adiando tratamentos ou internações. A conscientização desse familiar é um primeiro passo para o bom resultado do tratamento”, explica Adriana.
Entre os principais sintomas do co-dependente estão: congelamento emocional - mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o co-dependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires; se o co-dependente paga as dívidas da pessoa problemática diz “nunca sei bem por que faço isso”, porque não consegue se controlar; constante sentimento de vergonha - como se a conduta inadequada do dependente fosse, de fato, sua; sensação de incapacidade - nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório.
O “co-dependente tenta ajudar o seu parente dependente químico minimizando os danos e perdas que o uso de substâncias trouxe para a vida desta pessoa (o DQ). A visão do co-dependente está direcionada apenas em reduzir os danos e não em solucionar o problema em questão”, afirma Adriana.
As clínicas de reabilitação precisam estar preparadas para atingir esse público durante o tratamento. A Clínica Maia possui um acompanhamento multidisciplinar que atende os familiares semanalmente, com reuniões clinicas e terapêuticas cujo objetivo é explicar a co-dependência, auxiliá-los no processo de tratamento do dependente químico e na preparação dos parentes para recebê-lo em casa após o período de internação.
“A presença da família é fundamental na recuperação do paciente. Ela precisa não apenas apoiar, mas criar um clima saudável para a boa convivência, o que vai evitar possíveis recaídas”, explica a psicóloga.

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