22 de out. de 2011

MÉDICA ANGELITA GAMA RECEBE PRÊMIO PROFESSOR EMÉRITO 2011


Angelita Habr-Gama, uma das maiores cirurgiãs de intestino do mundo, recebeu hoje, no Espaço Sociocultural – Teatro CIEE, o Prêmio Professor Emérito – Troféu Guerreiro da Educação, concedido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e pelo jornal O Estado de São Paulo, às personalidades que dedicaram a vida à arte de ensinar.



Com uma longa história ligada à academia, foi professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), onde se formou nos anos 60, e é responsável pela criação da cadeira de Coloproctologia nas universidades brasileiras, tendo formado várias gerações de médicos. Uma das coisas que a cirurgiã acha mais importante em sua área é a formação acadêmica sólida. “Aconselho os estudantes a ingressarem em boas universidades, mesmo que tenham que fazer um ou dois anos de cursinho, que depois da graduação façam residência e que nunca parem de estudar”.

Essa é a terceira vez que a premiação vai para um médico. O cardiologista Adib Jatene o recebeu em 2009 e Luiz Décourt, em 2000. A láurea foi criada em 1997 – ano em que a antropóloga Ruth Cardoso recebeu o troféu.

Para Luiz Gonzaga Bertelli, presidente executivo do CIEE, Angelita personifica a dedicação e a luta em uma profissão tão importante na sociedade. “Ela foi pioneira na cirurgia, numa época em que a mulher não tinha acesso às técnicas”, afirma. Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente do Conselho de Administração do CIEE, afirma que a escolha do prêmio é rigorosa e referendada pelo conselho da instituição e pela direção do Estadão. “A premiação vem, a cada ano, ganhando mais e mais importância e reconhecimento nacional”.

PERFIL

Angelita Habr-Gama

Natural da Ilha do Marajó, no Pará, a filha de libaneses Angelita Habr-Gama chegou a São Paulo aos 7 anos. Completou os estudos na rede pública até chegar a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Durante o curso, decidiu se dedicar à especialidade cirúrgica, até então, ambiente non grato às mulheres. Apesar das resistências contra as mulheres, típica dos anos 1950, passou em primeiro lugar na residência médica no fim do treinamento prático, realizou um estágio no Saint Mark’s Hospital, em Londres, na Inglaterra, na especialidade de coloproctologia.

Angelita foi a primeira mulher a realizar cirurgias no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e pioneira no país. Detentora de inúmeras premiações científicas pelo mundo, entre os títulos mais importantes estão os de membro honorário da American Surgical Association; do American College Surgeons e da European Surgical Association. No Brasil, recebeu recentemente o prêmio Conrado Wessel, direcionado à cultura, arte e ciência.

Com numerosas publicações científicas e inúmeras contribuições no campo da pesquisa do intestino e do reto, a médica fundou ao lado do marido, o também cirurgião Joaquim Gama – casados há 47 anos – a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), da qual é a atual presidente.

O QUE PENSA ANGELITA GAMA SOBRE...

... o casamento.

“Casei tardiamente, mas dei muita sorte. Um marido que me apoiou em tudo. Existe uma compreensão pelas agendas cheias com as atividades científicas e sociais de ambas as partes.”

... o papel da mulher.

“Mudou muito hoje, até mesmo na Medicina. Atualmente, 60% dos alunos das faculdades de Medicina são mulheres. Nos Estados Unidos, o número é ainda maior. As mulheres se preocupam mais com a saúde, por isso hoje se adaptam mais facilmente à Medicina. É um exercício natural. O homem está mais focado nos negócios, no business.”

... a proliferação de faculdades de Medicina.

“No início, achamos que seria importante a expansão de faculdades para contemplar novas áreas. Mas a proliferação foi mal planejada, com a maioria das faculdades sem ligação com um hospital para treinamento. Hoje é mais difícil conseguir uma vaga na residência médica do que passar no vestibular de certas faculdades.”

...a saúde pública.

“O brasileiro tem o Sistema Único de Saúde (SUS) que é um modelo interessante, pois todo mundo tem direito à saúde. No entanto, temos problemas na distribuição do acesso. Há ainda seguros-saúde fantásticos e outros péssimos, que pagam mal os médicos. É preciso estabelecer regras mais rígidas.”

...a política.

“Não conseguiria entrar na política. Como faria com a Medicina? Não consigo largar.”

...os estudantes de Medicina.

“Como conselho, diria que devem fazer o possível para entrar numa boa universidade, mesmo que para isso passe um ou dois anos em um cursinho. Quando acabar os seis anos, deve-se fazer residência obrigatoriamente, mesmo sabendo que não vai ganhar dinheiro nesse período, mas estará investindo no seu conhecimento. E depois, se puder, faça um estágio no exterior. Nunca parem de estudar. Quem faz trabalhos científicos se aprimora muito.”

Sobre o CIEE

Fundado há 47 anos, o Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE é uma organização não governamental (ONG), filantrópica e sem fins lucrativos, que tem como finalidade principal a inclusão profissional de jovens estudantes no mercado de trabalho, por meio de programas estágio e de aprendizagem, contando com a parceria de 250 mil empresas e órgãos públicos de todo o País. Mantido pelo empresariado, sua atuação se pauta pela legislação específica: a Lei 11.788/2008 para o estágio e a Lei 10.097/2000 para a aprendizagem.

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