*Sebastião Misiara
Emerson, um
garoto com deficiência de 15 anos de idade, morador de Barretos, no interior de
São Paulo, e rejeitado por várias escolas na cidade, seria mais um aluno sem
“uma escola adequada” para suas necessidades se não houvesse uma forte
determinação da coordenação regional do MEC de fazer valer seu direito à
educação formal e pública.
Os
esforços dos professores do Emerson resultaram no desenvolvimento surpreendente
de um aluno que se tornou referência na escola e revelador de uma personalidade
sensível e com evidente inclinação para as artes.
O
saudoso professor Luiz Baggio Neto, cuja deficiência rara que encurtou sua
vida, gostava de lembrar a história do Emerson, testemunhada pela professora
Maria Alice Duarte Pereira e narrada, ano passado, durante a 2ª Caravana da
Inclusão em Olímpia.
Esse caso não é exceção no Brasil. Nosso país
tem uma tradição em desperdiçar talentos e acreditar que só tem gênios no
futebol, como se essa distinção nos fizesse dignos do maior respeito.
O
mais interessante nesse caso do Emerson, contado em toda a Caravana da
Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, em 2011, é o fato de toda essa
transformação foi conseguida em uma sala de aula normal, com outros alunos sem
deficiência, seguindo o compromisso pedagógico de se adotar a Educação Especial
na Perspectiva Inclusiva, conforme a lei.
A
Educação Inclusiva já é praticada no mundo todo e consiste em fazer com que a
escola receba o aluno com deficiência como outro qualquer e esteja pronta para
reconhecer suas necessidades, com professores aptos, treinados e preparados
para esse fim.
De
acordo com o Decreto Federal nº 6571, o MEC definitivamente adotou a inclusão
como regra para a educação fundamental, com objetivos claros de eliminação de
barreiras.
Na
prática o que as escolas devem fazer é promover a acessibilidade em suas
instalações, valerem-se de salas com recursos multifuncionais, utilizarem
tecnologia para facilitar o acesso aos conteúdos, sobretudo para aqueles com
deficiência visual e auditiva, e garantir formação continuada aos professores.
Entretanto, esse modelo educacional exige algo que não é tão fácil de
ser encontrado: o compromisso com a construção de um mundo mais justo e
igualitário.
Quando
a criança ingressa na escola, está sendo apresentado ao mundo e iniciando sua
vida social fora da família. A escola comprometida com sua tarefa vai dar ao
aluno com deficiência essa oportunidade de se envolver com seus colegas, para
que cada um respeite a identidade do outro.
Precisamos romper com as amarras
do preconceito social que associam à pessoa com deficiência, a incapacidade de realizar,
estudar e trabalhar.
A 3ª Caravana da Inclusão,
Acessibilidade e Cidadania, promovida pela Uvesp e Secretaria dos Direitos da
Pessoa com Deficiência tem um objetivo, sonho inspirado na garra da professora
da USP, doutora em fisiatria e secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência,
Linamara Rizzo Battistella.
Mudar a história da
deficiência nesse Estado, cuja obra prima é o bem estar das pessoas.
*Sebastião Misiara
Presidente da União dos
vereadores do Estado de São Paulo
Vice-presidente
da União dos Vereadores do Brasil
Diretor da Associação
Paulista de Municípios

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