Um homem banda, uma cabeça de balão e um mágico especialista em levitação estão em cena, juntos, no mais novo show do Trio Quintina, grupo de Curitiba formado há mais de 10 anos por Fabiano Silveira e os irmãos Gabriel Schwartz e Gustavo Schwartz. Bizarro talvez seja a expressão que melhor defina este CYRK, ou circo em polonês, que surgiu da idéia de um conceito cenográfico e acaba de sair em DVD pelo selo Sete Sóis. Apesar da sensação de estranhamento, CYRK é garantia de diversão e, principalmente, de boa música. E, o melhor, acaba de chegar em São Paulo para uma temporada de shows, que começou pelo Itaú Cultural, e agora chega ao palco daCia do Feijão, dias 13 e 14 de abril às 21h.
Gabriel Schwartz (flauta, flautim, sax sopranino, bateria, voz), Gustavo Schwartz (guitarra, cavaco, bateria, pandeiro, voz) e Fabiano Silveira, o Tiziu (violão de sete cordas, voz), dividem o palco com dois convidados especiais: o músico João Gomes (baixo acústico) e o performer circense Yamba Daher. Outro nome de peso envolvido neste projeto é o do diretor teatral Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro, que assina a direção cênica do show.
As obras dos cineastas David Lynch e Stanley Kubrick povoam as referências do universo de CYRK, cuja proposta é revelar a música de forma não convencional. O repertório inclui, em sua maior parte, canções próprias e inéditas compostas para este trabalho e, também, obras consagradas da MPB como “Piruetas” de Chico Buarque, “Gargalhada” de Pixinguinha e “Bicicleta” de Toquinho e Mutinho, sucesso na voz de Simone. “A escolha e a criação do repertório foram influenciadas pelo tema. E as músicas “emprestadas” ganharam uma estética contemporânea”, revela o músico Gustavo Schwartz.
CYRK é um show eclético, de misturas, não linear, que aborda a música de forma lúdica. “O conceito do show não sublinha o repertório e o repertório não sublinha o tema, a multiplicidade de elementos e a variedade de referências culturais é o fator em comum, o elo de ligação dessa aventura cênica musical”, explica o diretor Marcio Abreu. “As imagens do show foram criadas a partir das sonoridades. Apesar da existência dos números de performances, não trabalhamos com criação de personagens, meu foco foi estabelecer a presença dos músicos em cena. A idéia foi interferir o menos possível para não criar obstáculos e sim permitir que a comunicação da música permanecesse límpida”, acrescenta o diretor.
Outra característica marcante do show é a utilização de instrumentos como o baixo acústico e o sax sopranino que dão um toque exótico aos arranjos. O que também confere uma dinâmica especial ao trabalho é o revezamento dos músicos nos instrumentos, devido à versatilidade e o talento do Trio Quintina.
“Este show é um sonho antigo que nos remete à nossa origem mambembe, quando tocávamos nas ruas em turnês internacionais feitas pela América Latina e Europa. O resultado deste trabalho seguiu um caminho fantástico, surreal, mas os discos que nos deram a inspiração para o show foram: O Grande Circo Místico (Chico Buarque e Edu Lobo), A Arca de Noé (Toquinho e Vinícius de Moraes), Casa de Brinquedos (Toquinho e Mutinho), Circense de Egberto Gismonti e Os Saltimbancos de Chico Buarque”, conta o músico Gabriel Schwartz. “A música está em primeiro plano e todo este tratamento visual dado ao trabalho tem a intenção de somar, de enriquecer nossa trajetória. CYRK aponta uma nova estrada para o grupo. A idéia central é divertir o público.
Outros profissionais envolvidos: Fernando Marés é responsável pelo cenário, Cristine Conde pelo figurino, a iluminação é de Nadja Naira e a produção da Núcleo Produções sob a coordenação de Greice Barros.
13 e 14 de abril, às 21h – CYRK em São Paulo
Cia do Feijão (Rua Teodoro Baima, 68 – República. Informações: 32599086)
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Links CYRK:
SOBRE O TRIO QUINTINA
Na estrada desde 1997, o Trio Quintina conserva sua formação original, Gabriel Schwartz, Gustavo Schwartz e Fabiano Silveira, o Tiziu, e já gravou cinco CDs independentes, conquistando definitivamente o reconhecimento do público e a cena cultural curitibana.
O primeiro CD, “A Caixinha Mágica”, contendo somente composições próprias foi lançado em 1999. Dois anos depois o trio lançou um álbum duplo gravado ao vivo com releituras de grandes compositores, “ao vivo Puro”, pois não teve nenhum tipo de maquiagem ou ajuste posterior no processo de gravação, que rendeu ao grupo o prêmio “Saul Trumpet – Melhores da Música Paranaense”, na categoria melhor CD de MPB. O terceiro CD “Balaio da Menina” trouxe 15 novas composições próprias e também deu renome ao grupo ao receberem novamente o prêmio “Saul Trumpet – Melhores da Música Paranaense”, como o melhor grupo de MPB do ano de 2002. “Pára dias de chuva”, o quarto CD da carreira, foi lançado em outubro de 2004. E, em 2005, o grupo foi selecionado para participar do Circuito Cultural Banco do Brasil em Curitiba.
Em abril de 2008 o trio comemora seus 10 anos de existência com o lançamento de um DVD comemorativo no Teatro da Caixa Cultural em Curitiba. O quinto CD, “Quintina Orquestra Trio”, distribuído pelo selo Sete Sóis de SP, foi lançado em 2009 em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.
Levando sempre a música brasileira na bagagem, seja com composições próprias ou interpretando grandes compositores brasileiros o Trio Quintina percorreu em turnês itinerantes países da América Latina como o Uruguai, Argentina e Chile, bem como países da Europa como Espanha, França, Holanda, Suíça e Itália.
SOBRE O DIRETOR, Marcio Abreu
Ator, diretor e dramaturgo, natural do Rio de Janeiro tem a sua formação em passagens pela EITALC (Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe) e pela ISTA, (Escola Internacional de Antropologia Teatral), fundou o Grupo Resistência de Teatro no início dos anos 90. É fundador e integrante do Núcleo da Companhia Brasileira de Teatro, sediada em Curitiba, onde desenvolve suas pesquisas e seus processos criativos em intercâmbio com artistas de várias partes do país e também de outros países, especialmente a França.
Seu último trabalho como diretor estreou em março de 2010 na Mostra Oficial do Festival de Curitiba. O espetáculo Vida, que segue em turnê até o momento, é resultado de uma pesquisa sobre a vida e obra de Paulo Leminski.

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