16 de mar. de 2012

VESTIDO DE NOIVA no CCBB Rio


VESTIDO DE NOIVA
 
(estreia para convidados 23/3)
 
Temporada: De 24/3 a 6/5
 
Uma homenagem do CCBB Rio aos 100 anos de Nelson Rodrigues e uma oportunidade para que o público possa ver um texto consagrado em montagem contemporânea.
 
No ano em que se celebra o centenário do grande gênio do teatro brasileiro, o Ministério da Cultura e o Banco do Brasil apresentam montagem inédita de Vestido de Noiva, texto emblemático de Nelson Rodrigues.
 
A trama, dividida entre três planos interligados (alucinação, memória e realidade), narra o trágico amor de duas irmãs pelo mesmo homem e tem no elenco Viviane Pasmanter — no papel de madame Clessi —, Renata de Lélis, Sara Antunes e atores do Circo de Estudos Dramáticos, além das participações de Flavia Pucci e Sandra Alencar.
 
Vestido de Noiva começa com o atropelamento de Alaíde e se passa durante o tempo em que ela está sendo operada. Em suas alucinações, ela conversa com a meretriz Madame Clessi, de quem leu o diário ao mudar-se para a casa que fora um bordel 37 anos antes. Alaíde e a irmã Lúcia disputam o amor de um mesmo homem, Pedro. Dessa dualidade surge o desejo fatal que conduz a trama: uma irmã deseja viver com o marido as aventuras de madame Clessi; a outra aguarda o instante exato do casamento para revelar um caso com o cunhado.
 
Na produção do Circo de Estudos Dramáticos, uma caixa em forma de octógono foi criada para abrigar a peça. A ideia é transformar a rotunda do CCBB no cabaret de Clessi, ambiente principal da trama: o público é convidado a ingressar, ao som de samba, diretamente no plano da alucinação, que ocorre no mesmo nível da plateia, sentada nas curvas que circundam o espaço, em forma de teatro de arena, com capacidade para 120 pessoas. Já o plano da memória será dramatizado no espaço aéreo: uma escada sobe do palco à abóbada do CCBB, de onde saem três platôs suspensos. Na parte de cima da arena, à altura de seis metros, uma platibanda que contorna o palco principal serve de base para o plano da realidade, que se completa com três mesas suspensas no teto, de cabeça para baixo, onde é projetada a cirurgia de Alaíde.
 
O cenário de Andre Cortez, com supervisão de Daniela Thomas, e o figurino de Beth Filipecki fazem com que o público mergulhe nos três universos criados por Nelson Rodrigues. A iluminação assinada por Ricardo Fujii complementa o efeito de suspensão do plano da memória, além de envolver, no térreo, o ambiente lúgubre do prostíbulo. Para tornar possível a produção, que se estende verticalmente, o elenco teve aulas de Le Parkour — atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro de maneira rápida e eficiente, usando principalmente as habilidades do corpo humano.
 
Os planos em que a peça é dividida foram originalmente desenhados pelo irmão de Nelson, Roberto Rodrigues, assassinado em 1929. “O grito do atropelamento de Alaíde é o mesmo grito de morte do irmão, que se cravou em Nelson de forma definitiva. Vestido de noiva é a vitória do teatro contra a morte”, diz o diretor Caco Coelho.
O espetáculo faz parte do projeto do CCBB que inclui uma exposição multimídia que ocupará a parte de baixo da estrutura do palco. Durante o dia o público poderá conhecer, por meio de oito telas touch screen, o universo dos anos de 1905 e 1943 ao vasculhar os baús de Madame Clessi e Alaíde. Dentro de cada um há informações sobre o teatro, o Rio de Janeiro, as cantoras líricas, o ambiente político e as personalidades que marcaram aquelas épocas. O material é fruto da pesquisa do especialista em teatro Sergio Fontta.
 
Vestido de Noiva, que estreia em 21 de março no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com patrocínio do Banco do Brasil, é uma produção do Circo de Estudos Dramáticos. O espetáculo fica em cartaz até 6 de maio.

SERVIÇO
 
Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues.
 
Alaíde sofre acidente misterioso e alucina entre a vida e a morte. Suas lembranças confundem o seu passado com o da prostituta Madame Clessi, de quem ela leu o diário. Tramas, assassinatos, mentiras envolvem Alaíde, o marido Pedro e a irmã Lúcia.
Direção: Caco Coelho
Coordenador do projeto: Charles Asevedo
Elenco: Vivianne Pasmanter, Renata de Lelis, Sara Antunes, Felipe de Paula, Charles Asevedo, Stela Guz, Alessandro Brandão, Luciana Belchior, Beto Russo, Dai Bomfim e Dai Fiorati - Participação especial: Flavia Pucci e Sandra Alencar.  (105min).
CCBB: Rua primeiro de Março, 66 — Centro. Telefone: 3808-2020.
Qua a dom, 21h. R$ 6,00 - 18 anos. Estreia 23/3. Até 6/5.
 
SOBRE VESTIDO DE NOIVA
 
Vestido de Noiva foi encenada pela primeira vez em 1943, pela Companhia de Teatro Amador Os Comediantes e sob a direção de Ziembinski, marcando a renovação do teatro ao provocar o surgimento de uma linguagem autêntica brasileira. A peça causou polêmica na época e ainda hoje é considerada forte em sua linguagem, transplantando para o palco a essência do ser humano, o que contamina os atores e os espectadores. Despojada da leveza da cena e compondo diálogos fortes e desnudados, Vestido de Noiva apresentou ainda outra inovação: o sentido de brasilidade e coletividade teatral. “Até então, as Companhias de Teatro eram centradas na figura do protagonista, não havia uma preocupação com a direção nem cuidados estéticos. Vestido de Noiva é uma obra que serviu como instrumento de percepção e transformação de seu tempo, vem daí a sua eternidade”, explica Caco Coelho.
Em entrevista, o autor contou que começou a imaginar a história no velório de Madame Clessi, e que se lembrou disso quando estava no arquivo do jornal O Globo e viu uma fotografia feita na ocasião. Naquele tempo a rua Conde Lajes era o ponto alto do grã-finismo da prostituição, e Clessi era uma gaúcha linda. Nelson se perguntava como é que ela estava naquela vida. Ele fez grandes investigações nos prostíbulos e nunca encontrou uma prostituta triste, ou que não tivesse a mais plena satisfação profissional. Por isso, para o autor, ser prostituta é uma vocação. “Se não é assim, por que a menina bonita e jeitosa vai para aquela vida e fica satisfeita? Por que ela não se mata? A prostituta só se mata por dor de cotovelo, quando seu cáften arranja outra e a abandona. Só assim. Fora disso não há suicídio de prostituta. Há suicídio de mulher honestíssima, mas não de prostituta”, disse.

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