29 de mar. de 2012

Peça premiada “Os Amigos Dos Amigos” entra em cartaz em 07 de Abril no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros

Vencedor do 15º Cultura Inglesa Festival, o espetáculo tem dramaturgia e direção de Cássio Pires e interpretação de Julia Ianina e Victória Camargo. A montagem resulta da investigação sobre a cena narrativa e o universo sombrio de Henry James.

Com elementos fantásticos, de suspense, melodrama e drama psicológico, a peça “Os Amigos dos Amigos” entra em cartaz em 07 de abril no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros. Ganhador do prêmio de melhor espetáculo de teatro do 15º Cultura Inglesa Festival, narra a história de uma mulher que deseja apresentar dois amigos marcados pela mesma experiência: ambos viram, na juventude, os fantasmas de seus pais pouco antes que estes morressem. Estranhamente, o encontro parece nunca dar certo.

Cássio Pires assina a dramaturgia e a direção deste trabalho inaugural do Coletivo Teatral Filme Bê, que se baseia no conto “The Friends of the Friends” (1896), uma das mais intrigantes ghost stories do escritor norte-americano Henry James (1843-1916).

No palco, as atrizes Julia Ianina e Victória Camargo se revezam no papel de narradora da história, dando forma a um dos principais procedimentos da ficção de James: a construção do ponto de vista do narrador e seus desdobramentos para a trama. Além da narração, ambas interpretam os demais personagens do espetáculo, que tem preparação de elenco e assistência de direção de Michelle Gonçalves, direção de arte de Renato Bolelli Rebouças e Beto Guilger e iluminação de Simone Donatelli.

SERVIÇO

“Os Amigos dos Amigos” ficará em cartaz de 07 de abril a 06 de maio no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros, na rua Deputado Lacerda Franco 333, Pinheiros, 3814-0100. Sessões: sábados e domingos às 20h30. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Duração: 60 minutos. Idade: 14 anos. O teatro possui 173 lugares, ar-condicionado, lanchonete, acesso a portadores de necessidades especiais e estacionamento (R$ 10,00). Para conhecer esta e outra programação da escola, basta seguir a Cultura Inglesa pelas redes sociais: Twitter e Facebook.

HENRY JAMES E O “TERRITÓRIO DAS SOMBRAS”

Um dos maiores expoentes da literatura em língua inglesa, Henry James figura entre os renovadores da prosa literária na passagem do século XIX para o século XX, ao lado de autores como James Joyce, Marcel Proust e Virginia Woolf. Nascido em Nova York, mudou-se para a Inglaterra, onde viveu boa parte de sua vida. É autor de obras como “A Outra Volta do Parafuso”, ”Os Embaixadores” e “A Fera na Selva”. Seu trabalho ganhou diversas adaptações para o cinema como “Os Outros” (com Nicole Kidman), “Os Inocentes” (com Deborah Kerr) e “O Quarto Verde” (François Trufautt).

Em “Os Amigos dos Amigos”, James conta a curiosa história de uma mulher, cujo desejo é apresentar dois amigos que viveram experiências sobrenaturais quando jovens. Estranhamente, há sempre um motivo para o encontro não ocorrer – um compromisso dele, um mal-estar dela, um dia de mau tempo. As tentativas se prolongam por muito tempo, até que a narradora se dá conta de que está fazendo parte de um jogo: por alguma razão, seus dois amigos, que inicialmente mostravam-se interessados em se conhecer, passam a optar por se esquivarem um do outro, ainda que tentem convencê-la de que o desejo pelo encontro ainda exista.

A montagem é resultado de uma investigação sobre a cena narrativa e sobre o que o grupo denomina de “território das sombras”. Interessado por obras de suspense e terror desde a infância, o dramaturgo e diretor do espetáculo Cássio Pires pensou em levar essa história para o palco quando leu o conto em 2003.

Cinco anos depois, ele foi procurado pelas atrizes Julia Ianina e Victória Camargo para montar uma obra do autor. “Elas queriam encenar algo que tivesse essa atmosfera de mistério e, então, me lembrei deste conto”, recorda. O universo sombrio do texto os motivou a realizarem uma pesquisa para a criação do espetáculo, que redundaria na criação do Coletivo Teatral Filme Bê.

Para o diretor, um fato curioso na obra de Henry James é que nenhum dos personagens tem nome. “James não nomeia seus personagens. Também não nos dá quase nenhuma característica física e é bastante econômico no que diz respeito à descrição do passado e do cotidiano destes personagens. Nós queríamos preservar essa perspectiva, de que cada personagem tem uma imagem vaga e imprecisa. Por isso, as atrizes revezam-se na representação dos personagens, de forma que o espectador não consegue vincular a imagem do ator à imagem de um determinado personagem”, diz.

Na análise da atriz Julia Ianina, o espetáculo possui um olhar feminino. “Somos duas atrizes em cena que se revezam no papel de uma narradora e dos demais personagens, entre eles um homem. A proposta do espetáculo é fazer com que o dado masculino desta fábula seja apresentado pelo olhar da mulher, como no conto de James”, conta ela. Já a atriz Victória Camargo diz que o fato de ambas interpretarem a mesma personagem traz a ambiguidade necessária para a representação teatral do conto de James. “Não queremos fixar uma imagem única para cada personagem”, adianta ela.

COLETIVO TEATRAL FILME BÊ
Fundado em 2009, o Coletivo Teatral Filme Bê surge do desejo de reflexão sobre as contradições às quais os homens estão subjugados no momento histórico atual. Esta reflexão, neste coletivo, particulariza-se pelo diálogo que estabelece com gêneros como o conto de horror, as novelas policiais, a literatura fantástica dos séculos XIX e XX, o cinema noir e os filmes de suspense, que constituem um cânone imprescindível para a reflexão sobre os impasses e recalques do homem contemporâneo. Conheça um pouco mais dos integrantes do grupo:

Cássio Pires – Mestre em Artes Cênicas e Bacharel em Letras pela USP, é dramaturgo, diretor e professor universitário. Entre suas peças estão “A Carne Exausta”, que cumpriu temporada no Teatro João Caetano; “Perímetro”, encenada nos festivais de Milão, Florença e Roma; “Mal Necessário”, encenada na II Mostra de Dramaturgia Contemporânea do SESI; “Peça de Elevador”, encenada pela Cia de Elevador de Teatro Panorâmico; “Mais Um”, encenado pela Cia dos Dramaturgos; “A Chuva Pasmada”, adaptação de Mia Couto encenada pelo Matula Teatro (Campinas). Recebeu diversos prêmios, com destaque para o Prêmio Plínio Marcos de Dramaturgia e o do Concurso Nacional de Literatura de Belo Horizonte.

Julia Ianina – Atriz formada pelo Teatro-Escola Célia Helena e pelo CPT, de Antunes Filho. Além do Filme Bê, integra também a Cia. Delas, pela qual atuou nos espetáculos “Histórias por Telefone“, “Aqui Quase Longe”, entre outras. Atuou ainda em “Cinema”, peça teatral da Sutil Companhia, sob direção de Felipe Hirsch, e “A Casa Antiga” (Ruy Cortez). Em cinema, atuou em “Carandiru” (Hector Babenco) e em “Corda Bamba” (Ugo Giorgetti).

Michelle Gonçalves – Atriz e produtora, Michelle Gonçalves é formada em Artes Cênicas pela UFMG. Como atriz, foi integrante do grupo mineiro Armatrux e trabalhou, recentemente, nos espetáculos “In Memoriam” e “Pronto para Mudar”, este último selecionado pelo Proac 2010 com temporada no CCSP em 2011. Ex-produtora do Festival Internacional de Teatro - BH e do Festival Mundial do Circo, é atualmente produtora do projeto Ademar Guerra.

Victória Camargo – Atriz formada pelo Teatro-Escola Célia Helena, atuou em “Mercado do Gozo”, da Cia do Latão; “Ifigênia”, sob direção de Elias Andreatto e “Toda Nudez será Castigada”, sob direção de Renato Borghi. No cinema, atuou em “Boleiros 2” (Ugo Giorgetti) e “Otávio e as Letras” (Marcelo Masagão).


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