Mulheres correspondem a mais de 50% dos casos de câncer previstos para esse ano. No Dia Internacional da Mulher, vale lembrar que a doença pode ser prevenida e tem cura
Segundo o levantamento mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 200.000 mulheres deverão enfrentar algum tipo de câncer esse ano. Com exceção do câncer de pele não melanoma, o de maior incidência entre o sexo feminino será o câncer de mama (27,9%), seguido de colo de útero (9%) e cólon e reto (8,4%). Apesar do estigma de doença mortal entre o senso comum, o câncer é passível de prevenção e pode sim ser curado.
Foi o que descobriu a representante de vendas Joseane Dias, de 39 anos. “Quando fiquei sabendo que tinha um câncer de mama em dezembro de 2010, meu primeiro pensamento foi: vou morrer e deixar minhas filhas”, conta. Pouco mais de um ano depois, ela mudou de emprego, passa mais tempo com a família, prefere alimentos saudáveis e faz exercícios físicos regularmente. “Hoje, quando olho pra trás e vejo como minha vida mudou, enxergo a experiência mais como algo positivo, que negativo”, comenta ela.
Para vencer a doença, Joseane conta que passou por cima de uma série de ideias preconcebidas em que ela mesma acreditava, mesmo sem consciência disso. “A primeira coisa que as pessoas precisam saber é que o câncer não é uma sentença de morte e que o processo de tratamento não é tão devastador como geralmente é falado”, recomenda. Após passar por um ano de tratamento, incluindo cirurgia, quimioterapia e radioterapia, ela desenvolveu uma impressão diferente a respeito da experiência. “Fui me tratar achando que era muito pior do que realmente é. É um tratamento difícil, desgasta física e psicologicamente, mas existe o mito de que ele acaba com a pessoa, o que não é verdade”, diz.
Ajuda médica
Dr. Amândio Soares, da Oncomed BH, explica que, no organismo feminino, o câncer que Joseane enfrentou é um dos que mais trazem implicações psicológicas. “O câncer de mama feminino mexe com um órgão essencial na composição do conceito de feminilidade, podendo trazer sérios problemas emocionais, como depressão e ansiedade, além de afetar a autoestima”, comenta. Para afastar o risco de desenvolver esses problemas, Joseane lançou mão do acompanhamento psicológico. “A Oncomed BH me ajudou muito. Até hoje mantenho as consultas com a mesma psicóloga. A confiança na equipe médica é essencial na luta contra a doença”, acredita ela.
Passada a experiência, ela afirma que câncer mudou completamente sua forma de enxergar a vida. “Dava muito valor a coisas que pareciam grandes. Hoje, valorizo coisas mais simples, básicas, como um almoço em família, ou o cuidado com a saúde. Tenho mais consciência do que é estar viva, do que é estar saudável. Minha qualidade de vida vem em primeiro lugar”, conta.
Colo de útero
O artigo científico “Mulheres submetidas a tratamento de câncer de colo uterino – percepção de como enfrentam a realidade”, publicado na Revista Brasileira de Cancerologia em 2002, demonstra reações femininas diferentes das que Joseane desenvolveu após a cura do câncer. Segundo o texto, “as mulheres percebem a doença como propiciadoras de mudança no seu cotidiano, gerando o medo da recorrência”. As mudanças apresentadas na pesquisa são predominantemente negativas, com destaque para as limitações trazidas pelas sequelas do tratamento.
O estudo conclui que é necessário investir em ações educativas, e intervenções mais eficazes de assistência. Segundo Amândio, é possível que as mulheres que sofreram desse tipo de câncer retomem suas atividades normais, praticamente sem alterações. “Para que seja afastado o medo de recorrência, além de outros mitos ou limitações trazidas pelo tratamento, o acompanhamento de uma equipe preparada de médicos é essencial, inclusive após a cura”, conta.
Prevenção
Com alguns cuidados básicos, você pode evitar diversos tipos de câncer. Entre eles, os mais frequentemente citados por especialistas são largar o cigarro, manter exercícios físicos constantemente, alimentação saudável, proteção solar e fazer exames médicos com frequência. Além dessas medidas, conheça os cuidados específicos para cada um dos tipos de câncer que mais acometem mulheres:
Mama:
· Após os 40 anos > Exame clínico da mama e mamografia anualmente;
· A partir dos 35 > Caso haja histórico da doença na família, exame clínico da mama e mamografia anualmente;
· Antes dos 35 > Exame clínico anual da mama.
Colo de útero:
· Uso de preservativos;
· Evitar uso prolongado de pílulas anticoncepcionais;
· Fazer preventivo (Papanicolaou) anualmente.
Cólon e reto
Uma pesquisa divulgada recentemente pelo periódico científico American Journal of Clinical Nutrition revela que o consumo de pelo menos três porções de peixe por semana reduz o risco de mulheres desenvolverem tipos específicos de pólipos de cólon – que podem evoluir para câncer colorretal (CCR).
· Dieta rica em vegetais e laticínios e pobre em gorduras;
· Evitar consumo exagerado de carne vermelha;
· Acima de 50 anos: exame de sangue oculto nas fezes.
Portal Podcultura
Pauta
Carla Manga
Marketing e Publicidade
Carol Queiroz
Editor Chefe
Sandra Camillo
http://www.podcultura.com.br/
@podcultura
Nenhum comentário:
Postar um comentário