Com curadoria de Eder Chiodetto, o fotógrafo carioca discute a ação do tempo na mostra
O Interruptor, a partir do dia 4 de abril
Desde muito antes da tecnologia digital, a câmera e o filme Polaroid proporcionam ao fotógrafo – profissional ou amador – a visualização quase instantânea da imagem. Mais do que isso, obtém-se uma cópia fotográfica em poucos segundos.
A exposição O Interruptor, do carioca Bruno Veiga, na Fauna Galeria, em São Paulo, reúne fotografias polaróides originais e cópias escaneadas que retratam o percurso entre Rio de Janeiro e São Paulo, onde a arquitetura de antigas fábricas abandonadas convive com novas indústrias fluminenses, além da paisagem semelhante do Brooklin, em Nova York.
Para tanto, Veiga utilizou filmes do Impossible Project, projeto de ex-funcionários da extinta marca Polaroid norte-americana, cujo produto apresenta instabilidade na química da fixação (ou interrupção) da imagem. “Fiz um trabalho no trecho Rio-SP com filmes Polaroid vencidos e percebi manchas pretas em áreas não reveladas, cores esmaecidas e outros defeitos que se tornaram efeitos interessantes”, conta Veiga. “Fui para Nova York, comprei 90 filmes e comecei a fotografar lá mesmo”.
Depois de reclamar na loja, porque a imagem obtida continuava se transformando, Veiga conta que foi para o Brooklin fotografar. “Percebi que o erro poderia ser um caminho. O filme é rebelde, descontrolado; e essas imagens inesperadas começaram a me intrigar ao criar um antagonismo com o excesso de controle proporcionado pelo mundo digital”.
Para Eder Chiodetto, curador da exposição, “o acaso expôs de forma visceral o dilema entre memória e amnésia, preservação e falência da matéria. E ao perceber que as imagens produzidas pela Polaroid estavam em célere processo de apagamento, o fotógrafo fez as vezes do interruptor e digitalizou as fotografias”, conclui. "A exposição cria uma certa instabilidade na percepção do visitante ao embaralhar polaróides originais com cópias feitas a partir da digitalização delas, gerando um corpo de trabalho que tenta estancar a passagem do tempo ao mesmo tempo em que percebe ser em vã essa obsessão do fotógrafo".
O trajeto fotografado por Veiga é seu conhecido desde a infância, porém as imagens expostas na Fauna Galeria são recentes, como o posto de gasolina abandonado, clicado menos de um mês antes da abertura da mostra. “Este trabalho é muito diferente do que eu já fiz; está chegando quente, quase fervendo na galeria”, diz Veiga. “O tema está na minha cabeça há muito tempo, mas a execução foi rápida. Além disso, a Polaroid é um processo absolutamente analógico e, ao mesmo tempo, tem uma ‘instantaneidade’ que nem mesmo a fotografia digital possui, pois não oferece uma cópia imediata”, completa.
Exposição O Interruptor
Fotografias de Bruno Veiga
Curadoria: Eder Chiodetto
Endereço: Fauna Galeria. Al. Gabriel Monteiro da Silva, 470. Telefone:
Abertura: 4 de abril de 2012, quarta-feira, 19 horas
Visitação: de 5 de abril a 19 de maio de 2012
Horário: Terça a sexta, das 14h às 19h, e sábado, das 11h às 17h.
Entrada: Gratuita
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Sobre Bruno Veiga - Nasceu no Rio de Janeiro em 1963. Começou a fotografar nos anos 80 para os jornais O Globo e Jornal do Brasil. A partir de 1990, iniciou trabalhos como freelancer. Em 2002, foi selecionado no Programa de Bolsas da RIOARTE na categoria Artes Visuais e sua pesquisa Série Subúrbio foi exposta no Centro Cultural Sergio Porto, no Rio de Janeiro, e em Buenos Aires, Argentina. Desde 2004, publicou sete livros, entre eles O Rio que eu piso, cujas fotografias foram expostas em Lisboa e Singapura, em 2008. Participou de diversas coletivas entre as quais Modern Photographic Expression of Brazil, em Yokohama, no Japão, em 2008, e La Collection Joaquim Paiva, em Nice, na França, em 2005. Seus trabalhos estão em diversas coleções particulares e públicas, como Itaú-Cultural e MAM-RJ. Site: www.brunoveiga.net
Sobre a Fauna Galeria – Dedicada à arte contemporânea e primeira galeria especializada em fotografia de São Paulo, a Fauna representa artistas brasileiros das mais diversas tendências, abarcando a pluralidade da fotografia brasileira. Fundada em 2010 por Carolina Magano Prado e Patricia Cataldi, já apresentou exposições individuais de André Paoliello, Ruy Teixeira, Tuca Vieira, Carlos Dadoorian, Felipe Russo, Eduardo Muylaert, Jair Lanes, Mariano Klautau, Rodolfo e Adriano Vanni, e Alexandre Sequeira, e a coletiva de Claudia Jaguaribe, Ana Beatriz Elorza, Bruno Vilela, Flávia Sammarone, Ilana Lichtenstein, Luana Navarro e Sheila Oliveira.
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