8 de fev. de 2012

São Paulo Companhia de Dança integra festivais na Europa em fevereiro


Companhia apresenta obras de seu repertório no Holland Dance Festival, em Haia, Holanda,
e no Internacionale Tanz Wochen, em Neuss, Alemanha

Criada e mantida há quatro anos pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia de Dança embarca este mês para sua segunda turnê na Europa. Serão quatro apresentações em dois dos maiores festivais de dança do mundo.
Nos dias 23, 24 e 25, às 21h, no Theater aan het Spui, dentro do Holland Dance Festival, em Haia, Holanda, a Companhia apresenta: Os Duplos, Maurício de Oliveira; Inquieto, de Henrique Rodovalho e Gnawa, de Nacho Duato.  No dia 28, quando a SPCD sobe ao palco do Staadthalle Neuss, às 20h, na programação do Internacionale Tanz Wochen, em Neuss, o repertório é um pouco diferente. As obras apresentadas serão: Os Duplos, de Maurício de Oliveira, Gnawa, de Nacho Duato e Supernova, de Marco Goecke.
Para Iracity Cardoso, diretora da São Paulo Companhia de Dança, a apresentação da SPCD em ambos festivais é uma chance para que o povo europeu possa ver uma jovem companhia de dança brasileira na Europa. “Já estive nestes dois festivais com o Ballet Gulbenkian, quando o dirigia, e agora voltar com uma companhia brasileira é um grande prazer”, fala. “Neste festivais temos a chance de encontrar outras importantes companhias de dança do mundo e mostrar também à elas o nosso repertório”, completa Iracity.
“Preparamos para estes festivais um programa que mostra a versatilidade dos nossos intérpretes e combina obras criadas especialmente para a Companhia por coreógrafos brasileiros  com peças do repertório internacional”, fala Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança. “É nossa segunda apresentação na Europa. No ano passado (2011) estivemos em Baden-Baden, na Alemanha. Foram três dias de apresentações com a casa lotada. Estes festivais são uma grande oportunidade de trocarmos com outras companhias, além de podermos sentir a vibração da plateia podemos ampliar nossas possibilidades artísticas”.  

SOBRE AS OBRAS

Os Duplos (2010)
Holland Dance Festival, Haia, Holanda
Internacionale Tanz Wochen, Neuss, Alemanha


Coreografia: Maurício de Oliveira
Figurinos: Jum Nakao
Trilha Original: André Abujamra
Espaço cênico e desenho de luz: Wagner Freire
Duração: 20 minutos com 8 bailarinos
A criação de Maurício de Oliveira para a São Paulo Companhia de Dança tem como foco a imagem do bailarino que se multiplica ao longo da cena. No ambiente marcado pela luz de Wagner Freire, oito intérpretes procuram desenhar o espaço por meio de seus movimentos e pela própria relação dos corpos. É o duplo de cada um, do outro e do conjunto, que estabelece relações ambíguas. Entram, misturam-se, contaminam-se na busca de um encontro com o outro e consigo. Habitam um tempo particular. Em Os Duplos os artistas são cocriadores das estratégias apresentadas, cuja assinatura coreográfica é reconhecida pelo movimento e dialoga com o figurino de Jum Nakao, com a iluminação e o espaço cênico criados por Wagner Freire e com a trilha especialmente composta por André Abujamra.


Gnawa (2005)
Holland Dance Festival, Haia, Holanda
 Internacionale Tanz Wochen, Neuss, Alemanha

Coreógrafo: Nacho Duato
Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian
Figurinos: Luis Devota e Modesto Lomba
Iluminação: Nicolás Fischtel
Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre
Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Spain)
Duração: 21 minutos e participação de 14 bailarinos
Gnawa, presente no repertório da São Paulo Companhia de Dança desde março de 2009, é de autoria do consagrado criador Nacho Duato e é inspirada no universo étnico e religioso de uma confraria mística muçulmana do norte da África. De origem sub-saariana, os gnawas incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adotou, como base da coreografia, canções dessa comunidade. Gnawa dá continuidade à pesquisa do coreógrafo iniciada emMediterranea, que assinala um interesse do espanhol pelos ritmos ancestrais da região. Gnawa como muitas das criações de Duato, busca um equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, como entre o local, o particular (no caso, a cultura mediterrânea) e o universal, as questões simbólicas que renovadamente propõe a arte.

Inquieto (2011)
Holland Dance Festival, Haia, Holanda


Coreografia e iluminação: Henrique Rodovalho
Trilha sonora original: André Abujamra
Figurinos: Cássio Brasil
Cenografia: Shell Jr.
Execução do cenário: Fábio Brando
Duração: 23 minutos com 11 bailarinos
Em Inquieto Henrique Rodovalho apresenta três faces do desassossego. Três personagens marcam a cena e pouco a pouco revelam diferentes inquietudes diante do mundo: uma velada, aparentemente imóvel, que transparece em pequenos gestos quase incontroláveis; outra determinada, como uma linha que risca de forma direta todo o espaço da cena; e outra traduzida propriamente em movimento: o corpo em suas diferentes articulações, conexões e sinuosidades expandidas no espaço. No desenvolvimento da peça, o terceiro personagem se desdobra em dez: os movimentos se multiplicam, passam pelos distintos intérpretes, como se fossem um e ao mesmo tempo muitas facetas da inquietude humana, criando novas estruturas e repetições com variantes. O desenho do corpo no espaço se completa com o traço do cenário de Shell Jr. em permanente construção na cena. A luz também cria o espaço, recortando o palco e enfatizando determinados momentos da obra. Os riscos do figurino de Cássio Brasil acentuam as sombras e dobras do corpo e a música de André Abujamra cria o ambiente e revela as dinâmicas da obra. Imobilidade e movimento, sombra e luz, linhas retas e sinuosas. As polaridades vistas na cena nos instigam a interrogações em torno do espaço e suas possibilidades e invenções revelam um pouco da apreensão cotidiana.

Supernova (2009)
Internacionale Tanz Wochen, Neuss, Alemanha


Coreografia e figurinos: Marco Goecke
Músicas: Pierre Louis Garcia-Leccia, álbum "Ohimé" faixa "Aka", Antony & The Johnsons, álbum "Another Word" faixa "Shake That Devil"
Remontagem: Giovanni di Palma
Iluminação original: Udo Haberland
Dramaturgia: Nadja Kadel
Duração: 21 minutos com 7 bailarinos
Qual o seu último passo antes de ser engolido pela escuridão? É essa a questão que norteou Marco Goecke na montagem de Supernova, que estreou em 2009, com o Scapino Ballet, em Rotterdam. Nesta peça, montada para sete intérpretes – três mulheres e quatro homens – o interesse do coreógrafo está no instante em que as luzes aparecem e desaparecem na cena e o que se instaura neste intervalo.  Para Goecke, que utiliza recursos de fogo em cena, é preciso tornar o impossível, possível. A iluminação é assinada por Udo Haberland.
SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA | São Paulo Companhia de Dança foi criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo e é dirigida por Iracity Cardoso e Inês Bogéa. Seu repertório contempla remontagens de obras clássicas e modernas, além de peças inéditas, criadas especificamente para o seu corpo de bailarinos. A Companhia atua em três distintas e complementares vertentes: Produção e Circulação de Espetáculos, Projetos Educativos e de Formação de Plateia e de Registro e Memória da Dança. A Companhia é um lugar de encontro dos mais diversos artistas - como fotógrafos, professores convidados, remontadores, escritores, artistas plásticos, cartunistas, músicos, figurinistas, e outros – para que se possa pensar em um projeto brasileiro de dança.
CIRCULAÇÃO - A produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal do seu trabalho. Desde sua criação aSão Paulo produziu quinze obras, sendo nove remontagens (Les Noces, de Bronislava Nijinska; Serenade, Tchaikovsky Pas de Deux e Theme and Variations, de George Balanchine; Gnawa, de Nacho Duato; Prélude à l´après-midi d’un Faune, de Marie Chouinard; Sechs Tänze, de Jíri Kilián; Legend, de John Cranko e Supernova, de Marco Goecke) e outras seis obras inéditas (Polígono, do italiano Alessio Silvestrin; Ballo, de Ricardo Scheir;Entreato, de Paulo Caldas; Passanoite, de Daniela Cardim; Os Duplos, de Maurício de Oliveira e Inquieto, de Henrique Rodovalho). A Companhia se apresenta ao longo do ano em São Paulo, cidades do interior do Estado, capitais brasileiras e exterior. Já fez mais de 180 apresentações em 40 cidades e foi vista por aproximadamente 165 mil pessoas.
EDUCATIVO - Suas atividades se completam com ações educativas e de formação de plateia. 1. Palestra com o Professor contextualiza a dança nas diferentes disciplinas do ensino regular e instiga o professor do ensino formal e não-formal a realizar algumas experiências sensoriais levando a perceber a ação do corpo nas diferentes atividades em sala de aula. Os professores recebem um material de apoio (DVD com folheto informativo) para ser usado em sala de aula. 2. Espetáculos Abertos para Estudantes, nos quais se apresentam trechos dos espetáculos e parte do processo coreográfico em vídeo, além de os estudantes receberem folhetos informativos com ilustrações de cartunistas. 3. Oficinas para Bailarinos, que são ministradas pelos professores e ensaiadores da São Paulo nas turnês. 
MEMÓRIA - Na área de registro de memória, produzimos a série de documentários Figuras da Dança na qual personalidades da dança brasileira contam a sua história em um depoimento público e Canteiro de Obras, material que revela o processo de trabalho das criações da São Paulo Companhia de Dança. As duas séries são exibidas na TV Cultura e distribuídas para bibliotecas e universidades. Desde seu surgimento a São Paulo Companhia de Dança já produziu 20 documentários. Em 2009 a Companhia lançou o livro Primeira Estação – Ensaios Sobre a São Paulo Companhia de Dança e em 2010 Sala de Ensaio – Textos Sobre a São Paulo Companhia de Dança, ambos em parcerias com a Imprensa Oficial.


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