Um dos grandes sucessos da Broadway nos últimos anos, musical Xanadu ganha primeira montagem no Brasil, com Danielle Winits , Thiago Fragoso e Sidney Magal no elenco
Com direção de Miguel Falabella e versão de Artur Xexéo, superprodução aposta na tecnologia e terá mais de 15 cenários, uma centena de figurinos, pássaros robotizados, telões de fibra óptica e até um voo de Danielle Winitis e Thiago Fragoso sobre a plateia.Estreia será dia 13 de janeiro, no Oi Casa Grande
A trajetória de Xanadu já o transformou num clássico. Começou com o filme, um dos símbolos mais representativos da iconoclastia de excessos da década de 80. Recebido com expectativa e capitaneado por uma estrela à época, Olivia Newton-John, o longa eternizou canções que povoam o imaginário das pessoas até hoje. Alem disso, tornou-secult com o passar do tempo e serviu como base para o musical homônimo que estrearia na Broadway em 2007. Com libreto de Douglas Carter e música de Jeff Lyne e John Farrar, esta encenação obteve um imenso sucesso, tendo sido indicada inclusive a quatro prêmios Tony e ganho o importante Drama Destak. Desta montagem vem a inspiração para a superprodução (em todos os sentidos) dirigida por Miguel Falabella – e co-dirigida por Cininha de Paula - com versão de Artur Xexéo (em sua segunda incursão teatral), que traz Danielle Winits, Thiago Fragoso e Sidney Magal à frente do elenco.
Mas pelas bandas de cá, as coisas mudam um pouco de figura. Enquanto a matriz americana usa e abusa dos cânones máximos da cafonice oitentista, a releitura brasileira também o faz, só que com ‘‘uma pimenta, um molho todo nosso”, segundo Falabella. E o diretor segue à risca a premissa do (entre outros ofícios) semiólogo Umberto Eco de que ‘’o kitsch é a comunicação que tende à provocação do efeito’’ e conduz um espetáculo que ri de si mesmo:
- Xanadu é um musical esquizofrênico. Esta miscelânia de Grécia Antiga com anos 80 não pode ser logicamente conceituada. Xanadu não se explica, não se teoriza sobre ele. Apenas se vive! Afinal, são sensações e experiências bem fortes as que ele proporciona – define com bom humor.
O tempero à brasileira de Xanadu vem de uma tradição que remonta da antropofagia oswaldiana, se desdobra no cafonismo tropicalista, devorando as referências que vêm de fora e gerando um resultado muito particular, todo mergulhado no escracho e com uma quintessência carnavalesca. Não obstante, a ação foi toda vertida para o Brasil:
- Esse musical é um besteirol, e o público brasileiro gosta do gênero. O Miguel sempre disse: "Vamos fazer o nosso Xanadu, um Xanadu brasileiro". No original, Clio/Kira, feita pela Danielle, desce à Terra acreditando que está em Veneza. Na verdade, ela está emVenice Beach, na Califórnia. O texto já estava pronto, os ensaios já tinham começado, quando o Miguel teve a ideia de que Kira, acreditando que chegara a Paris, em 1880, na verdade estava na Praça Paris, no Rio de Janeiro, em 1980 – explica Xexéo, responsável pela delicada transposição não só geográfica como idiomática: “É bem difícil verter as canções. Pra começar, não se pode fazer uma tradução literal. Se fosse assim, iria sobrar letra ou música. E, por mais que você não faça tradução literal, é importante manter a ideia do autor e o máximo de referências possíveis a versos da letra original. E a métrica? Meu Deus, a métrica! É preciso respeitar a métrica. Eu sonhava com métrica”, conclui.
Em Xanadu, os deuses da mitologia grega descem à terra para ajudar os humanos. Entre eles, Clio - uma semideusa que adota o nome de Kira quando se disfarça como terrena -, que vem ajudar Sonny Malone (Thiago Fragoso), um artista incompreendido que pretende abrir uma casa noturna diferente de tudo que havia sido feito até então. Para isso, ela conta com a ajuda de Danny Mc Guire (Sidney Magal, que também interpreta Zeus). Duas atrizes com trajetórias de respeito em musicais também encabeçam a escalação:Sabrina Korgut (Calíope/Afrodite) e Gottsha (Melpômene/Medusa). Completam o elencoMaurício Xavier, Brenda Nadler, Karin Hils, Fabrício Negri, Lucas Drumond,Giovanna Cursino, Carla Vazques e Danilo Tim.
A direção musical e vocal fica a cargo de Carlos Bauzyz, que comanda um sexteto formado por Daniel Rocha (regência/guitarra/violão), Bernardo Ramos (guitarra/violão), Priscilla Azevedo e Herberth Rocha(teclado), Raul D’Oliveira (baixo) e Rafael Maia (bateria), com o intuito de reproduzir com exatidão a sonoridade bem característica da época: “ Acho fantástica essa capacidade da música de Xanadu pois, sim, é datada, mas também atemporal! Afinal, já resiste ao menos há três décadas na memória das pessoas o que, só por esse fato, já prova sua qualidade e beleza. Fora isso, claro, os magníficos arranjos vocais e a maneira como se usavam as guitarras e os sintetizadores, que procuramos reproduzir neste espetáculo”, contextualiza o maestro. E complementa: “Apesar de se tratar de uma comédia, onde temos uma sátira da maneira de ser e de se vestir no mundo ocidental dessa época, a música me parece transcender a isso. Ela nos leva, sim, à época de onde se originou, mas ainda nos traz um sentimento muito bonito, de ingênua felicidade”.
No plano cênico, Nello Marrese procurou não só materializar esteticamente os caminhos traçados e delineados por Falabella e Xexéo, como também reproduzir toda a grandiosidade que um musical destas proporções exige. “Criei um cenário lúdico, divertido, mas totalmente de acordo com o novo subtexto criado por Artur e Miguel. E, ao mesmo tempo, suntuoso, tecnológico e surpreendente. Nesta montagem, Xanadu pode ser em qualquer lugar do planeta, inclusive no Brasil. Um Brasil escrachado e com elementos do teatro de revista”, conceitua. O cenário base é inspirado numa pista de skate de Los Angeles, com referência estética dos grandes grafiteiros, que tiveram seu último estouro justamente nos anos 80. A partir disso, há uma sucessão de transformações na área cênica ao longo do espetáculo. Segundo Nello, “a ação se passa a maior parte na rua, há uma profusão de ambientes externos. Tudo nesta cenografia é grandioso: trabalhamos com inúmeras trocas de cenário, elevadores hidráulicos, telões de fibra óptica com a tecnologia mais moderna atualmente, robótica (em 12 urubus mecanizados), painéis de quase duas toneladas, muita luz e neon,além de um cavalo pégaso voador e até um impressionante voo de Danielle e Thiago sobre a plateia”. Tudo isso para reproduzir não só os vários ambientes realistas, como também as diversas esferas fantásticas como o Olimpo, o labirinto do minotauro, o portal de passagem das musas para a terra, entre outros.
À experiente Fernanda Chamma coube o desafio de recriar as coreografias originais, a exemplo das antológicas acrobacias com patins. Assim como os demais segmentos,Fernanda seguiu a linha bem humorada proposta pelo diretor: “Reviver os anos 80 foi divertido e inspirador. Vivi essa febre sobre patins e os tempos áureos do jazz dance que marcaram essa época. Este fato, junto à liberdade de criação com que o Miguel me presenteou, tornaram este trabalho especial. Desenvolvi uma estrutura coreográfica americana (que adoro e faz parte do meu estilo de trabalho), com desenho de movimentos e situações, acompanhando a proposta irreverente da obra e a característica de cada personagem”, dá a pista.
Completam a equipe os renomados Paulo César Medeiros (iluminação) e Marcelo Pies(figurinos), responsável por recriar o estilo inconfundível da moda oitentista através de mais de cem figurinos e dezenas de trocas de roupas. Este projeto é patrocinado pelaSulAmérica e pela Eurofarma.
Enfim, Xanadu é kitsch, intencionalmente cafona, excessivo e confronta o dito bom gosto estabelecido com uma vasta gama de cores berrantes e ícones máximos do exagero dos anos 80. É também um exemplo de legítimo e até ingênuo entretenimento pop, um delírio dadaísta. E que pelas habilidosas mãos de Miguel Falabella e Artur Xexéo desloca o subtexto e ri, com deboche e ironia, das próprias idiossincrasias. Kira e Sony são interpretados por Danielle Winits (e outrora por Olivia Newton-John) e Thiago Fragoso, mas neste Xanadu todo nosso poderiam tranquilamente ganhar vida através de nomes como Carmem Miranda, Dercy Gonçaves, Sônia Mamede, Oscarito...
Serviço
Xanadu
Estreia: 13 de janeiro de 2012, sexta-feira.
Teatro Oi Casa Grande
Rua Afrânio de Melo Franco, 290
Horários:
Quinta e sexta: 21h
Sábado: 19h e 21h30min
Domingo: 19h
Ingressos
Quinta e Sexta:
Para o setor do Camarote, o valor do ingresso será de R$ 120,00 (Cento e Vinte Reais);
Para a Platéia Setor VIP, o valor do ingresso será de R$ 120,00 (Cento e Vinte Reais);
Para a Platéia Setor 1, o valor do ingresso será de R$ 100,00 (Cem Reais);
Para o Balcão Setor 2, o valor do ingresso será de R$ 80,00 (Oitenta Reais);
Para o Balcão Setor 3, o valor do ingresso será de R$ 40,00 (Quarenta Reais);
Sábado e Domingo:
Para o setor do Camarote, o valor do ingresso será de R$ 150,00 (Cento e Cinquenta Reais);
Para a Platéia Setor VIP, o valor do ingresso será de R$ 150,00 (Cento e Cinquenta Reais);
Para a Platéia Setor 1, o valor do ingresso será de R$ 120,00 (Cento e Vinte Reais);
Para o Balcão Setor 2, o valor do ingresso será de R$ 100,00 (Cem Reais);
Para o Balcão Setor 3, o valor do ingresso será de R$ 60,00 (Sessenta Reais);
BILHETERIA:
Telefone: (21) 2511.0800
Terças e quartas - 15h às 20h
Quintas e sextas - 15h às 21h
Sábados - 12h às 21:30h
Domingos - 12h às 19h
Classificação etária: 12 anos
Estacionamento Shopping Leblon: com entrada pela rua ao lado (Rua Professor Antonio Maria Teixeira). O estacionamento funciona de 7 às 24h.
Tabela de preços:
R$ 4,00 (até 2h) R$ 2,00 (a cada hora adicional até a 5ª hora); após a 6ª hora: R$ 3,00/hora.
Estacionamento VIP: R$ 8,00 (até 2h) R$ 4,00 a hora adicional.
FICHA TÉCNICA
XANADU – Um musical da Broadway
Texto: Douglas Carter Beane
Músicas: Jeff Lynne e John Farrar
Letras: Jeff Lynne e John Farrar
Versão Brasileira: Artur Xexéo
Direção Geral e Artística: Miguel Falabella
Baseado no filme da Universal Pictures
Roteiro de Richard Danus e Marc Rubel
Originalmente produzido pela Broadway por: Robert Ahrens, Dan Vickery,
Tara Smith/B. Swibel, Sara Murchison/Dale Smith e Cari Smulyan
Elenco
Clio; Kira - Danielle Winits
Sonny Malone - Thiago Fragoso
Danny Maguire; Zeus - Sidney Magal
Calíope; Afrodite; Cover Danielle Winits - Sabrina Korgut
Melpômene; Medusa - Gottsha
Terpsícore; Sereia; The Tubes; Eros; Hermes; Centauro - Maurício Xavier
Euterpe; Sereia; The Andrew Sisters; Tétis - Brenda Nadler
Érato; Sereia; The Andrew Sisters; Hera - Karin Hils
Tália; Sereia; The Tubes; Danny Jovem (Sapateador); Ciclope - Fabrício Negri
Urânia; Sereia; The Tubes; Ninfa - Lucas Drumond
Polínia; Sereia; Ninfa; Andrew Sister – Giovanna Cursino
Pedestre; Sereia; Ninfa; Swing, Dance Captain - Carla Vazquez
Pit Singer; The Tubes; Cover Thiago Fragoso – Danilo Timm
Direção Musical e Vocal: Carlos Bauzys
Coreografias: Fernanda Chamma
Co-Direção: Cininha de Paula
Figurinista: Marcelo Pies
Cenógrafo: Nello Marrese
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Design de Som: Gabriel D’Angelo
Visagismo: Anderson Bueno
Fotos: Robert Schwenck
Portal Podcultura
Pauta
Carla Manga
Estágio em Pautas
Carol Queiroz
Tradutor
Fabiane de Souza
Editor Chefe
Sandra Camillo
http://www.podcultura.com.br/
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