Mostra comemora Dia da Imprensa
Em comemoração ao Dia da Imprensa, celebrado em 1º de junho, a Biblioteca Nacional promove, até 5/8, a mostra Os Alternativos dos Alternativos – da poesia marginal ao anarcopunk. A exposição traz os fanzines e impressos da chamada Geração Mimeógrafo, que recorreu à tecnologia da época para exprimir sua poesia e seus protestos, em um movimento que marcou o cenário poético-cultural da década de 1970. Os alternativos dos alternativos – da poesia marginal ao anarcopunk está no 2º andar da Biblioteca Nacional (Av. Rio Branco, s/nº - Centro – Rio de Janeiro), de segunda a sexta, das 9 às 20h e sábado, das 10 às 15h. Entrada franca. Informações: 21 3095-3879.
Uma exposição, inaugurada nesta quarta, na Biblioteca Nacional (RJ), resgata a contribuição cultural de um segmento da imprensa alternativa editada durante a ditadura militar. Com a mostra de fanzines Os Alternativos dos Alternativos – da Poesia Marginal ao Anarcopunk, a biblioteca comemora o Dia da Imprensa, celebrado em 1º de junho. A data tem origem na criação do Correio Braziliense, o primeiro jornal não oficial do país, fundado por Hipólito da Costa em 1º de junho de 1808, em Londres, na Inglaterra, para fugir da censura real à imprensa no Brasil.
A exposição reúne impressos da chamada Geração Mimeógrafo, que se valia de uma tecnologia hoje em desuso para publicar, de forma extremamente artesanal, poesias e outros gêneros literários, manifestos e textos de protesto. Movimento cultural que marcou a década de 70 do século passado, com desdobramentos nos anos 80, a Geração Mimeógrafo revelou poetas como Geraldo Carneiro, Waly Salomão, José Carlos Capinam, Torquato Neto, Roberto Piva, Chacal e Leila Miccolis, entre outros.
“É um tipo de documentação rara hoje em dia, pelo caráter rudimentar de sua produção. Por causa disso, foi relegada até mesmo por uma instituição como a Biblioteca Nacional”, afirma Bruno Brasil, técnico em documentação da biblioteca e responsável pela seleção do material para a mostra. Segundo ele, a exposição deriva do projeto, iniciado em 2006, de mapear toda a imprensa alternativa editada ao longo dos “anos de chumbo”.
Bruno Brasil destaca o mérito de um dos poetas dessa geração, Aricy Curvello, que também tem obras expostas na mostra. “Ele reuniu durante anos mimeógrafos poéticos e acabou doando o acervo à Biblioteca Nacional”, diz. Outra contribuição importante para organizar a exposição foi um catálogo sobre imprensa alternativa lançado em 1986 pela Rioarte (órgão da prefeitura do Rio), de autoria de Leila Miccolis, também poetisa da Geração Mimeógrafo.
Nos anos 80, uma parte dos poetas de mimeógrafo passou a flertar com uma nova cultura, também marginalizada, o movimento anarcopunk. Conhecidas como fanzines, as publicações reproduzidas em máquinas de xerox continham, além de poesias, quadrinhos e manifestos políticos.
Para o organizador da mostra, o baixo custo de produção constitui um paralelo entre a literatura produzida em mimeógrafos e fanzines e a que é criada pela geração atual, em blogs, sites e redes sociais. “Naquela época, o custo de rodar um mimeógrafo e distribuir, gratuitamente ou por um preço baixo, era muito mais barato do que o de imprimir numa gráfica . Hoje em dia, o custo de criar um site, um blog ou veicular a literatura nas redes sociais é praticamente zero”, compara Bruno Brasil.
Por Paulo Virgilio, da Agência Brasil
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