
Quinze educadores desenvolvem ações integradas em comunidades ribeirinhas na Amazônia rural, criando condições para a alfabetização de crianças, jovens e adultos. Esse é o projeto Educação do campo e Direitos Humanos, que atende as regiões de São José do S, São Bento, Comunidade da Trindade e do Ourinho. “As atividades são voltadas para dois eixos”, explica o professor e pesquisador Sergio Roberto Correa, um dos idealizadores do projeto: “o primeiro consiste na alfabetização de pessoas entre 16 a 90 anos; o segundo é direcionado para a formação continuada de educadores na comunidade local. ”
O projeto Educação do campo e Direitos Humanos foi criado em 2001, pelo Grupo de Estudo e Trabalho em Educação Popular na Amazônia Rural (Geterpar), pertencente ao Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP), da Universidade do Estado do Pará (Uepa). ribeirinhos2“Quando visitei pela primeira vez a comunidade rural São José do S, há 11 anos, me deparei com uma situação dramática, de muita pobreza e exclusão”, conta Correa. Entre os problemas detectados por ele estavam a inexistência de educação infantil, o elevado índice de analfabetismo de jovens e adultos, a falta de escolas para conclusão do Ensino Fundamental e inexistência do Ensino Médio. Atualmente, com a formação de educadores e o acompanhamento do Geterpar, há cerca de cem pessoas beneficiadas.
Roseane Gomes e Oscar Barros, da Uepa, que integram o projeto, contam que, no primeiro momento, investiram na formação dos educadores locais. “Com o estabelecimento dessa iniciativa nas comunidades, conseguimos contribuir com o processo de formação crítica de alfabetizadores e o desenvolvimento da leitura e da escrita”, afirmam. Os pesquisadores também percebem que há maior facilidade no diálogo entre a comunidade e suas organizações locais, com debates amplos sobre o desenvolvimento e educação da população, bem como sobre questões relativas aos problemas enfrentados nas áreas ribeirinhas.
ribeirinhos3Ao longo do trabalho desenvolvido, o grupo observa que as populações do campo e seus modos de vida ganham destaque cada vez maior na agenda das universidades públicas – o que possibilita a produção de pesquisas e trabalhos práticos de excelente qualidade. Este, entretanto, não é um problema resolvido: a manutenção do trabalho de alfabetização de populações ribeirinhas e a conscientização de seus direitos humanos precisam acontecer de maneira permanente. “A universidade ainda ocupa um lugar reduzido nesse debate; ela precisa se qualificar melhor para a intervenção nessa realidade rural amazônica e brasileira, o que implica conhecê-la melhor”, reforçam os pesquisadores.
logoPNEDHEm dezembro de 2010, o projeto conquistou o primeiro lugar na categoria A Formação, a Pesquisa e a Extensão Universitária em Educação em Direitos Humanos do Prêmio Nacional de Educação e Direitos Humanos, organizado pelo Ministério da Educação, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e a Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI), em parceria com a Fundação SM. A relação completa dos ganhadores do PNEDH está disponível em: www.educacaoemdireitoshumanos.com.br.
Faça o download do projeto aqui e assista ao vídeo, disponível no Canal Edições SM do YouTube: http://www.youtube.com/edicoessm
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