Iniciativas incluem ópera, histórias em quadrinhos, literatura, música, artes cênicas, cinema e artes plásticas; um dos destaques é a oficina “Figuras do Vale – Paulistinhas, Divinos e Presépios”, que irá ensinar a esculpir imagens de santos, como se fazia em São Paulo nos séculos 18 e 19, e de outros personagens que revelam a cultura e a religiosidade do Vale do Paraíba
A Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu começa o ano com uma importante conquista na área cultural. Pelo terceiro ano consecutivo, houve o aumento da verba da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) da cidade, localizada a 80 km de São Paulo, que passou de R$ 539,9 mil, em 2010, para R$ 756,8 mil em 2011. Somente neste ano, 10 diferentes iniciativas podem sair do papel para proporcionar arte, lazer e cultura para a população por meio de projetos ligados a ópera, histórias em quadrinhos, artes plásticas, teatro, música, cinema e literatura.
“Os projetos aprovados vão do erudito ao popular, mas sempre com enfoque em assuntos da cidade. Proporcionam mais oportunidades de lazer e cultura para a população. Como o prefeito Hamilton Mota tem interesse na cultura, à medida que aumenta a verba da LIC se fortalece a política cultural do município”, avalia a presidente da Fundação Cultural de Jacarehy, Sonia Regina Ferraz.
Já o diretor de Cultura, Alberto Capucci, destaca que a LIC “é um instrumento importante não só para buscar incentivo fiscal, mas também porque 'garimpa' o que há em Jacareí para transformar em arte e cultura”.
Um dos projetos aprovados se chama Figuras do Vale – Paulistinhas, Divinos e Presépios, do artista plástico Geraldo Magela. Ele consiste na realização de oficinas ligadas ao universo rural, com duração prevista de um ano, usando a técnica de modelagem e queima da argila. Segundo Magela, o projeto propõe a confecção de figuras como os tradicionais “pavões” (Figureiras de Taubaté) e as “Paulistinhas” - imagens sacras dos séculos 18 e 19 que representam santos - e de outros personagens que revelam a cultura e a religiosidade da região, como os que compõem os presépios. “Serão ensinados a técnica e o contexto histórico, mas a ideia é que cada aluno produza as figuras conforme sua imaginação”, explica Magela.
A coleção de Paulistinhas de Jacareí representa o segundo maior acervo do estado. Essas imagens, cujo nome faz referência ao fato de elas serem de São Paulo, eram usadas pelos colonos pobres em suas orações, enquanto que os barões do café preferiam comprar luxuosas imagens de santos vindas da Europa. Feitas por artesãos com madeira ou barro policromado, as Paulistinhas variam de 10 a 20 centímetros. Já que a maioria dos artesãos não tinha referência de como eram os rostos dos santos, muitos deles se inspiravam em seus próprios familiares.
A lei - Instituída em 1995, a LIC (Lei de Incentivo à Cultura) permite que empresas privadas destinem 50% do imposto devido (ISS ou IPTU) para incentivar projetos culturais. Os projetos aprovados pela LIC têm até o final do ano para serem executados. As apresentações são sempre gratuitas, com o objetivo de criar hábito de cultura. “Se tem renúncia fiscal, tem de ter finalidade pública”, destaca Capucci.
Produtores culturais - É a primeira vez que a artista plástica Edna Cassal busca o benefício. Ela revela que a LIC “é um instrumento importante de obtenção de recursos e que permite ao artista a chance de mostrar seu trabalho e de atingir suas metas junto ao público”. Edna Cassal é autora de Meu Quintal, projeto de arte visual aprovado pela LIC e que propõe oficinas de desenho, pintura e poesia inspiradas no meio ambiente.
O professor de história e produtor cultural Ivã Marcos já teve projetos beneficiados pela LIC e também pela Lei Rouanet (Ministério da Cultura). Na opinião dele, a LIC contribuiu para a valorização e a descentralização da cultura local. “Esse é o terceiro ano que consigo a aprovação na LIC. Graças a essa lei, nós, pequenos produtores culturais, conseguimos transformar a realidade de muitas pessoas por meio da cultura, seja teatro, cinema, música ou outro bem cultural”, afirma Marcos. Ele é autor do projeto Caminhão da Cultura, que envolve teatro, cinema e shows musicais.
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