24 de ago. de 2010

Biblioteca do Bebê - Bienal do Livro

Leitura no berço ajuda a romper ciclo da pobreza

Seminário na Bienal do Livro traz especialistas internacionais para falar das evidências científicas da influência da leitura precoce sobre a inteligência e desempenho escolar. IAB lança a Biblioteca do Bebê na exposição

A exposição prematura aos livros pode ajudar a romper o ciclo da pobreza. Um ambiente doméstico de leitura é antecipador do sucesso escolar, mais do que a renda ou o nível de escolaridade dos pais. Conclusões como essas estão em estudos recentes do Massachussets Institute dos Estados Unidos, que apontam o impacto de ler para crianças de 0 a 3 anos. O tema foi explorado pelo especialista David Dicskson, doutor em Educação pela Universidade de Harvard e especialista em alfabetização, na abertura do seminário Leitura desde o berço: políticas sociais integradas para a Primeira Infância, promovido pelo Instituto Alfa e Beto na 21.a Bienal do Livro, em São Paulo.

O Instituto lança na ocasião o Guia IAB de Leitura para a Primeira Infância: os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola e a Cartilha Primeira Infância Primeiras Leituras, que explica as melhores técnicas de ler para bebês de forma a estimular o desenvolvimento de cada fase.

A fase de 0 a 3 anos é considerada crucial para a linguagem, diz Dickinson. O desenvolvimento dos neurônios é extremamente rápido nos anos iniciais da vida. Esse desenvolvimento está relacionado à quantidade de estímulos que a criança recebe. E os estímulos da linguagem tem papel vital nesse processo.

A experiência do vocabulário inicial também varia de acordo com a renda.

Crianças de ambientes de menor renda são expostas - no período de 12 a 36 meses - a 12 milhões de palavras, enquanto as de alta, a 38 milhões. Dos 30 aos 36 meses, o vocabulário cresce 50%. Aos dois anos, as que foram expostas a mais palavras têm velocidade maior de processamento mental da linguagem - que é o cerne do pensamento. São capazes de usar 2,5 mil palavras, enquanto as de menor renda usam apenas 300 palavras. As de maior vocabulário aprendem mais rápido palavras novas, estabelecendo uma diferença de patamar de difícil compensação pelas escolas. Tais crianças tendem a ser mais aceitas socialmente e mais estimuladas a progredir na escola.

O seminário contou igualmente com a presença da pediatra Perri Klas, que apontou a importância de ler para crianças de maneira a fornecer os melhores estímulos para o desenvolvimento de cada faixa etária. Ela foi responsável por transformar um programa de estímulo à leitura infantil de um único hospital em um programa nacional - o Reach Out and Read - que desenvolve atividades em mais de 4,5 mil centros em 50 estados nos Estados Unidos.

Além de treinar médicos e enfermeiras para que estimulem os pais a ler para seus filhos pequenos, o programa fornece material adequado, distribuindo anualmente mais de 6 milhões de livros para mais de 3,8 milhões de crianças. Klass trabalha atualmente treinando profissionais de saúde em todo o território norte-americano e, recentemente, em Portugal e Filipinas, na estratégia de incorporar livros e orientações aos pais sobre como ler para seus filhos em cada faixa etária. A lógica é que essa ação contribui para o desenvolvimento mental e emocional das crianças.

Perri mostrou as evidências dos resultados desses programas, que incluem também a distribuição de livros. As famílias participantes mencionavam - com quatro vezes mais freqüência do que as outras - a leitura como uma das três atividades que mais gostavam de fazer com seus filhos. Os estudos mostram que essas atividades de leitura realizadas no lar cresceram 40% ao longo de dois anos, nas família do programa. O impacto disso foi brutal no desenvolvimento do vocabulário das crianças. O vocabulário passivo avançou seis mais - do que as do grupo de controle -, e o ativo, 3 meses. O passivo diz respeito às palavras que a criança é capaz de entender; o ativo, de usar.

O IAB promove esse debate no Brasil para estimular programas focados nessa faixa etária. O seminário de São Paulo encerra o ciclo, que incluiu palestras no Rio de Janeiro (dia 16), Salvador (18), Alagoas (19) e Recife (20). O fundador do Instituto, João Batista Oliveira é psicólogo com PHD em Educação. Trabalhou como professor no Brasil e no exterior. Como funcionário do Banco Mundial, em Washington, e da Organização Internacional do trabalho (OIT), em Genebra, trabalhou como consultor, desenvolvendo projetos na área de educação em mais de 60 países.

O Instituto Alfa e Beto – IAB apresenta a Biblioteca do Bebê na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Biblioteca do Bebê é uma iniciativa do IAB em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e que também conta com o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Ela irá ilustrar como pais e cuidadores podem ler para crianças desde o berço, os diferentes tipos de livros. Os visitantes receberão a cartilha Primeira Infância Primeiras Leituras explicando por que ler, como ler, quando ler, onde ler e o que ler para as crianças.

Além disso, o IAB está lançando um guia de leitura para crianças com o ambicioso título de: Os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola e a Coleção Pequenos Leitores, composta por 12 livros destinados a crianças de 6 a 36 meses.

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