
Muitas vezes realizamos mecanicamente as atividades cotidianas devido à rotina que estabelecemos no nosso dia-a-dia. Pense em tudo o que se faz desde a hora em que se acorda até a hora de ir dormir e imagine realizar tudo isso sem o uso da visão ou com a apenas um resíduo visual. Num primeiro momento, após a perda visual, quase tudo parece impossível de ser realizado, já que a visão representa um recurso importante que nos orienta em todas as etapas de uma atividade.
Na ausência da visão ou somente parte dela, é necessário avaliar, nas diferentes situações, quais sentidos podem nos oferecer as informações necessárias para que possamos cumprir cada etapa de uma atividade.
"Não é porque a pessoa cega não pode se enxergar que manter o cabelo arrumado, fazer a maquiagem de acordo com os gostos pessoais, manter a barba bem-feita, organizar as roupas, entre outros itens, não seja relevante", comenta Patrícia Otani, terapeuta ocupacional na Fundação Dorina Nowill para Cegos.
O importante é perceber que existem outras formas de se ver e que em algumas situações, solicitar o olhar do outro não é sinal de incapacidade. Quantas mulheres, e porque não os homens, pedem a opinião de amigos e parentes para saber se o visual está bom ou não?
Há pessoas que reconhecem a roupa pelo simples toque na peça, por meio do tipo de tecido ou algum detalhe característico. Outros reconhecem por uma etiqueta braille ou uma pista tátil como um pingo de tinta em relevo. Separar as peças também pode ajudar a localizar com mais facilidade roupas, sapatos e acessórios.
Enfrentar o dia-a-dia sendo uma pessoa cega ou com baixa visão é um grande desafio para jovens e adultos em todas as idades. É preciso ter em mente que cada pessoa tem um potencial a ser desenvolvido diante de situações mais ou menos complexas. Em um novo momento de vida, desvendar os segredos que possibilitam fazer atividades do cotidiano pode parecer impossível ou pouco provável, mas aos poucos se descobre que adaptar-se representa uma escolha, na qual fazer ou não uma atividades depende do sim ou não que podemos à pergunta: "Dá para fazer?". O difícil é compreender que cada um tem um jeito particular de fazer as coisas, é preciso adaptar-se e aprender novas atividades.
Este é o tema do lançamento da Série Dorina Nowill "Atividades do dia-a-dia sem segredos para deficientes visuais", na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. As autoras Cristina Croitor e Patrícia Otani são terapeutas ocupacionais, especialistas em deficiência visual, e fazem parte da equipe de reabilitação da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
A coleção foi lançada para informar e orientar, de forma simples e objetiva, familiares, professores, profissionais da área de saúde e sociedade em geral sobre questões relacionadas à visão subnormal e cegueira. A proposta da série é facilitar a inclusão das pessoas com deficiência visual.
A impressão do livro "Atividades do dia-a-dia sem segredos para deficientes visuais" contou com o patrocínio da Brastemp. Cada exemplar pode ser adquirido pelo valor de R$20,00. Os autores doaram seus direitos autorais e toda renda arrecadada será revertida em prol dos programas e ações desenvolvidos pela Fundação Dorina Nowill para Cegos para facilitar a inclusão de pessoas cegas e com baixa visão. Pessoas com deficiência visual podem adquirir gratuitamente a versão em braille ou falada da obra diretamente na biblioteca da instituição. Informações sobre aquisição destas e outras obras pelo telefone (11) 5087-0990 ou pelo e-mail biblioteca@fundacaodorina.org.br.
Também fazem parte da coleção as obras: "Convivendo com a baixa visão: da criança à pessoa idosa", "Perdi a Visão... e agora?", "A criança cega vai à escola: preparando para alfabetização", "A inclusão começa em casa - família e deficiência visual", "Braille?! O que é isso?", "Escola e deficiência visual - como auxiliar seu filho" e o livro "Deficiência visual e o mundo trabalho" e "Informática e deficiência visual: uma relação possível?".
Serviço:
Série Dorina Nowill
"Atividades do dia-a-dia sem segredos para deficientes visuais"
Autores: Cristina Croitor e Patrícia Otani
Preço: R$20,00
www.fundacaodorina.org.br
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