19 de mar. de 2010

Exposição Linha do Tucum: Artesanato da Amazônia no Jardim Botânico do Rio

Evento de abertura conta com lançamento de livro e DVD, resultados do Projeto Linha do Tucum: Artesanato da Amazônia, patrocinado pela Petrobras




A exposição "Linha do Tucum - Artesanato da Amazônia", será realizada no dia 26 de março, sexta-feira, às 19:00 hs no Centro de Visitantes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e permanecerá até o dia 10 de abril, reunindo trabalhos artesanais realizados pela comunidade Vila Ecológica Céu do Juruá - formada por ex-seringueiros e ribeirinhos, localizada no Seringal Adélia, coração da floresta amazônica, fronteira entre o Acre e o Amazonas no Médio Juruá, região considerada de mega diversidade biológica.

O evento de abertura contará com o lançamento do livro, DVD e site, resultados do projeto Linha do Tucum: Artesanato da Amazônia, realizado pelo Instituto de Estudos da Cultura Amazônica - IECAM e Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com patrocínio da Petrobras/MinC e apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento - AECID e da IMAGINE. O projeto foi selecionado em 2008 no Edital do Programa Petrobras Cultural, na área de Patrimônio Imaterial.

O projeto buscou favorecer o desenvolvimento socioeconômico de comunidades do Vale do Juruá, através da valorização do conhecimento tradicional de fiação da fibra da palmeira Tucum (Astrocaryum chambira), e da capacitação de artesãos locais na confecção de produtos artesanais, utilizando como matéria-prima sementes, fibras e outros recursos florestais não madeireiros.

No universo simbólico de diversas comunidades amazônicas, a linha do Tucum é considerada a "Linha da Lealdade", pois tem grande resistência e nunca se rompe. A arte de fiação da fibra dessa palmeira constitui-se em uma técnica ancestral herdada dos povos indígenas, entre eles os kulina e os katukina, do Vale do Juruá. Até meados da década de 1950, a linha do Tucum era o único recurso que se dispunha na floresta para a fabricação da linha artesanal, utilizada na confecção de redes de dormir, linhas de pesca, malhadeiras (tarrafas), cordas, roupas e utensílios. A linha do Tucum e todos os produtos confeccionados a partir dela são naturalmente biodegradáveis, não representando riscos para o ciclo da vida nas florestas.

Com a chegada do nylon essa cultura foi sendo esquecida, assim como outros saberes e fazeres tradicionais ligados à sobrevivência das populações da floresta. Se por um lado a produção industrial trouxe praticidade, por outro ela tem sido responsável pelo fim de técnicas seculares, tradições e formas de organização do trabalho, entre as quais o conhecimento tradicional associado ao uso da linha do Tucum constitui um exemplo emblemático.

A valorização desse conhecimento e de outros saberes e fazeres a ele associados, como o manejo florestal e o beneficiamento de sementes, fibras e outros produtos florestais não madeireiros é, sem dúvida, uma das melhores maneiras de se manter a floresta em pé, aliando o uso à conservação, contribuindo para a construção de um modelo sustentável de ocupação dos ambientes amazônicos.

A exposição Linha do Tucum - Artesanato da Amazônia certamente surpreenderá como importante empreendimento de sistematização e valorização de técnicas consideradas já em desaparecimento e que passarão a ter um valor extraordinário nos próximos anos. O público tem a oportunidade de conhecer melhor os costumes dos povos da floresta, as espécies utilizadas no artesanato da região e seus múltiplos usos.


O IECAM- Instituto de Estudos Culturais e Ambientais, com sede no bairro de Vargem Grande em Teresópolis, realiza desde de 1992 cursos, oficinas e projetos voltados para a preservação da flora brasileira e para o cultivo agroecológico das plantas medicinais. As pesquisas realizadas são voltadas para o diálogo entre o conhecimento popular e científico, buscando ressaltar a importância das comunidades tradicionais na preservação dos ecossistemas brasileiros. Em Teresópolis, um dos trabalhos desenvolvidos foi junto à Escola agro-Tecnica Municipal, José Francisco Lippi, em Venda Nova, onde foi implantado um horto de plantas medicinais, que vem servindo de base para a capacitação dos alunos no cultivo e utilização das principais espécies medicinais

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