23 de fev. de 2010

Escuro explora as possibilidades invisíveis da comunicação humana

     

linguagem e retrata caminhos alternativos das relações interpessoais



Um menino míope com uma estranha capacidade de ouvir os segredos das pessoas, uma locutora cega que declama poemas no alto falante e o dono de um clube que perde as palavras ao tentar falar. Em comum entre eles existe a limitação de linguagem, que é explorada de diversas formas no espetáculo inédito "Escuro". O novo trabalho do jovem diretor e dramaturgo Leonardo Moreira dá continuidade ao projeto de investigação artística, iniciada com a elogiada peça "Cachorro Morto", que estuda outras formas de percepção da realidade, diferentes perspectivas sobre o cotidiano e estratégias alternativas de comunicação entre as pessoas. O trabalho consolida a "Companhia Hiato" e sua união com a "Companhia Simples de Teatro".

Em um clube no interior paulista, estão prestes a acontecer um concurso de canto e um campeonato de natação para cegos, surdos e mudos. Pessoas com as mais diversas limitações de comunicação se encontram em um cenário onde tudo é água. São os diálogos e os não-diálogos entre eles que levam o espectador a refletir sobre as possibilidades invisíveis da comunicação humana.

"Escuro" conta uma história sobre pessoas comuns, suas inadequações, os hiatos entre suas relações e os olhares que as cercam. A trama se baseia na correspondência íntima da escritora inglesa Helen Keller, que era cega, surda e muda, com sua professora Annie Sullivan, que sofria com a perda gradativa da visão, além de se apoiar em histórias verídicas relatadas pelo neurologista Oliver Sacks.

     Com texto premiado pela Secretaria de Cultura de São Paulo com o "Prêmio Estímulo a Novos Autores", o jovem diretor inova ao levar linguagem do cinema para o teatro. As narrativas ligadas em redes ditam o ritmo. As cenas voltam no tempo e são repetidas várias vezes, com uma nova abordagem em cada uma delas. Cegueira e outras fragilidades da visão, desorganização da fala e afasia ou perda da capacidade auditiva unem de forma sutil - e sem procurar criar um espetáculo inclusivo ou didático - quatro universos imaginários, reflexos de outras formas de pensamento, memória e cognição.



União de "Companhia Hiato" e "Companhia  Simples"

O espetáculo marca a fusão da Companhia Hiato, que conta com os atores Luciana Paes, Thiago Amaral, Aline Filócomo e Maria Amélia Farah, e da Companhia Simples de Teatro, integrada por Flávia Melman, Daniela Duarte e Otávio Dantas. A peça conta ainda com outros jovens atores que também têm se destacado na cena teatral paulista: Paula Picarelli, André Blumenschein e Fernanda Stefanski.





Ficha Técnica Escuro



Direção: Leonardo Moreira

Dramaturgia: Leonardo Moreira

Elenco: Luciana Paes, Paula Picarelli, Aline Filócomo, André Blumenschein, Flávia Melman, Maria Amélia Farah, Thiago Amaral, Fernanda Stefanski, Daniela Duarte, Otávio Dantas.

Cenário: Marisa Bentivegna / Leonardo Moreira

Iluminação: Marisa Bentivegna

Figurinos: Theodoro Cochrane

Trilha Sonora: Gustavo Borrmann

Fotos: Gui Mohallem / Otávio Dantas

Treinamento Libras:        Sônia Oliveira

Treinamento Corporal: Rodrigo Palma

Coreografia: Giselle Calazans

Assessoria de Comunicação: Lucia Faria Inteligência em Comunicação

Arte Gráfica: Gustavo Borrmann

Produção: Frye Produções Artísticas, Cia. Hiato e Cia. Simples

Direção de Produção: Leonardo Moreira

Produtor Executivo: João Victor Dalves



Escuro



Temporada de 03 a 21 de março

Horário: quarta a sábado às 21h, domingo às 20h

Local: TUSP -  Teatro da USP - Rua Maria Antônia, 294 - São Paulo, SP

Consolação . t: 3255.7182

Gênero: Drama

Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)

Classificação 14 anos

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