1 de jul. de 2009

Antonio Veronese-Entrevista à VEJA.com

Exposição de Antonio Veronese no Museu Histórico de Paris


Antonio Veronese: sucesso da arte brasileira em Paris (Divulgação)

Veronese em seu ateliê em Barbizon, na França


<http://veja.abril.com.br/index.shtml>

Artes Antonio Veronese: sucesso da arte brasileira em Paris 9 de junho de
2009 [image: Antonio Veronese: sucesso da arte brasileira em Paris
(Divulgação)] *Veronese em seu ateliê em Barbizon, na França* LINKS
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*Por Maria Carolina Maia*

Antonio Veronese está em cartaz em Paris. De novo. A mostra *Antonio
Veronese à Saint-Cloud*, aberta ao público no último dia 3, é a quarta do
artista brasileiro na Cidade Luz em apenas oito meses. Radicado na França
desde 2004, ele se sente - ao menos artisticamente - em casa. A troca de
endereço, portanto, foi útil, embora tenha sido motivada por ameaças de
morte, recebidas depois que Veronese denunciou casos de violência contra
menores no Brasil.

O engajamento em favor de crianças e adolescentes carentes é uma das
características de suas obras - além de uma espécie de obsessão por rostos.
Antes de deixar o Rio - que o paulista de Brotas adotara por anos -, deu
aulas de arte para menores infratores no Instituto João Luiz Alves, na Ilha
do Governador. Em 1998, chegou a cobrar da então primeira-dama, Ruth
Cardoso, medidas para tirar das ruas crianças abandonadas. Sua obra *Just
Kids<http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/antonio-veronese-exposicao-arte-franca-pintura-475117.shtml#quadro2>
** *(*Apenas Crianças*) é usada pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a
Infância) para simbolizar os dez anos do Estatuto da Infância e da
Adolescência (ECA), enquanto *Save the
Children<http://veja.abril.com.br/noticia/variedade/antonio-veronese-exposicao-arte-franca-pintura-475117.shtml#quadro1>
** *(*Salvem as Crianças*) é símbolo dos 50 anos da ONU. Apesar de distante
do Brasil, Veronese, de 55 anos, se diz ligado a essa temática e ao país.
Mas se sente esquecido pela crítica brasileira, que, segundo ele, lhe dedica
"a mais absoluta e total indiferença". Leia a seguir a entrevista do artista
a VEJA.com.


*Você declarou à televisão estatal chinesa, a CC-TV, que é mais fácil abrir
espaço para a arte brasileira em Paris do que no Brasil. Por que isso
ocorre?*
Porque o caldo cultural da França é mais suculento. Na área da pintura, que
é um produto de consumo da classe média e da burguesia, a demanda é
incomparavelmente maior do que a brasileira. E é natural que seja. Aqui, há
política de estado e investimento público e privado em cultura. Fomentar e
distribuir cultura deveria ser prioridade do Ministério da Cultura do
Brasil. Uma vez, eu disse ao Gil [Gilberto Gil, ex-titular da Cultura]
quando "estava" ministro: o PT quer distribuir renda, mas distribuir cultura
é igualmente preciso.

*A sua mostra Visages du Silence, realizada em 2003 em Paris, foi prorrogada
três vezes e, em vez dos 15 dias previstos, durou dois meses. Isso contou
pontos para a sua entrada no mundo da arte francês? *
Foi sem dúvida com essa exposição que eu arrumei um espaço na França,
ajudado por um artigo que saiu no [jornal] *Le Figaro*. Senti de imediato
que havia um interesse maior aqui, um carinho com os artistas. Foi um
alívio, porque antes eu havia enfrentando uma pedreira. Havia feito uma
exposição em Nova York em 2001, 28 dias após o ataque às Torres Gêmeas. A
cidade estava paralisada pelo medo. Os americanos entravam na minha
exposição, viam os meus rostos, e saíam correndo... Então, eu resolvi doar a
exposição inteira para a [organização não-governamental] World Childhood
Foundation, presidida pela rainha Silvia, da Suécia. Os trabalhos eram os
mesmos rostos de duas exposições que eu havia feito no Museu Nacional de
Belas Artes, no Rio: *600 Meninos *e *Brasileiros*.



*Você considera esta a principal mostra da sua carreira?*
As minhas principais exposições são essa de 2003, que teve lugar no Centro
Cultural Brasil-França, e a de outubro de 2008, talvez a mais significativa,
na sede da Unesco. Foi a partir daí que a coisa explodiu. Eu passei a
receber convites sucessivos. Em dezembro de 2008, fui chamado para expor na
Galeria Celal, onde recebi a visita da ex-primeira dama Danielle Mitterrand

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