14 de ago. de 2008

Quixote - Direção: René Piazentin







Quixote

adaptação livre do texto de Miguel de Cervantes
Direção: René Piazentin





Quixote, adaptação sem texto do romance de Cervantes, faz curta temporada

Beatles, Moby, Fred Zero Quatro, Prodigy
e outros criam a atmosfera da montagem
Em curta temporada, de 9 a 31 de agosto, a Cia dos Imaginários, com direção de René Piazentin, traz sua adaptação de Dom Quixote de La Mancha ao teatro Denoy de Oliveira. Sem texto, apenas através de ação física e imagens, Quixote propõe uma releitura da obra usando como trilha sonora canções pop como “The Fool On The Hill”, dos Beatles.

Tendo O Cavaleiro da Triste Figura como eixo central, o espetáculo mostra uma série de situações que traçam parale-


los com momentos importantes do romance, como o enlouquecimento de Quixote após a excessiva leitura de novelas de cavalaria, seu rompimento com a realidade, a partida para a aventura, a idealização de sua musa Dulcinéia Del Toboso, o encontro com Sancho Pança, o duelo com gigantes e a célebre cena dos moinhos de vento.

Durante a encenação, um coro de leitores assume personagens variados e incorpora dragões e gigantes. O cenário se assemelha a um grande porão de lembranças, repleto de rodas de bicicletas e livros. A escolha de pijamas como figurinos, o desenho de luz e o uso de lençóis brancos ajudam a compor a ambientação onírica. Os objetos desse porão são transformados e adaptados para se assemelharem às imagens, personagens e locações da obra original. Assim, com bicicletas no lugar do cavalo Rocinante e do burro Ruço, coletes salva-vidas de armaduras e guarda-chuvas de lanças, a peça ganha também um tom lúdico. Tão lúdico e onírico quanto um aviãozinho de papel preso em uma gaiola, como se vê em uma das cenas.

O espetáculo foi construído de maneira colaborativa pelos atores. A escolha das cenas a serem levadas ao palco privilegiou os trechos do Dom Quixote que já povoam o imaginário coletivo, mesmo para um público não totalmente familiarizado com a obra original. Na recriação, o mote foi traduzir o “espírito quixotesco”: de sonho, de utopia, do desejo de vencer as barreiras que a realidade impõe e transformá-la. Nessa idéia se inserem algumas das citações que se sobressaem no decorrer da peça – à Gandhi, Martin Luther King e Charles Chaplin.

“Quixote é uma metáfora e uma fábula. Ou a metáfora de uma fábula”, afirma o diretor René Piazentin. “Quixote se dá a liberdade de olhar o mundo com outros olhos, de enxergar aquilo que nos é posto como definitivo de uma maneira transgressora. Ele nos redime da obrigação de sermos heróis e nos inscreve na categoria dos “anti-heróis”, imperfeitos, patéticos, cheios de falhas e desejos impossíveis. É o herói que se trai, que revela seu lado fraco, que é humilhado, massacrado, mas defende seu direito sagrado de crer que o mundo pode – ou ao menos deveria – ser diferente. E é bonito ver o herói se traindo. Porque é humano”.


Dom Quixote de La Mancha

Considerado como o primeiro romance moderno, El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de La Mancha é, sem dúvida, uma das obras máximas da literatura universal. Ele teve sua primeira parte publicada em 1605, em Madri, por Miguel de Cervantes Saavedra e tornou-se célebre já em sua época, ganhando uma segunda parte em 1615, publicada em 10 edições de 1500 exemplares cada. Segunda obra mais lida e traduzida depois da Bíblia, foi eleita em 2002 como o melhor livro de todos os tempos pelo Instituto Nobel da Noruega.


Cia dos Imaginários

A Cia dos Imaginários formou-se pelo interesse em pesquisar uma linguagem cênica que valorizasse mais a construção de imagens e símbolos que o aspecto verbal. Ela iniciou sua pesquisa com a montagem de “As Troianas”, de Jean-Paul Sartre, em 2005, seguido dos processos com “Quixote” e “Hamlet-Zero”. Nos três trabalhos, há em comum a busca de uma linguagem que valoriza o aspecto físico na interpretação e o imagético na encenação.


Ficha técnica
QUIXOTE, adaptação livre do texto de Miguel de Cervantes
Direção - René Piazentin
Assistente de Direção - Nino Cardoso
Iluminação, cenário e figurino - René Piazentin
Maquiagem - Carolina Costa
Apoio Teórico - Leila M. Ruiz Babadópulos
Programação Visual - Aline Baba e Caio Franzolin
Divulgação - Boca de Cena Comunicação
Produção - Núcleo Imaginário de Produção
Fotografia - Mariana Noguera
Coordenação do Projeto - Aline Baba
Elenco - Aline Baba, Andrea Perrone, Caio Franzolin, Caio Marinho, Camila Nardoni, Danielle Scavone, Kedma Franza, Mariana Viana, Octávio da Matta, Ricardo Bretones, Thaíssa Landucci e Thiago Vieira

Serviço
Quixote
Duração: 60 minutos
Recomendação – 12 anos
Gênero: Fábula dramática
Temporada de 9 a 31 de agosto
Sábados, às 21h; domingos, às 20h
Ingressos: R$ 20, aceita cheque
Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral
Capacidade: 100 lugares
Teatro Denoy de Oliveira
Rua Rui Barbosa, 323 - Bela Vista
Ar-condicionado, área externa para fumantes
Reservas por telefone de segunda a sexta, das 14 às 19h
Tel. (11) 3289-7475
fortecasateatro@yahoo.com.br

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