25 de mai. de 2007

ESPETÁCULO MOJO ESTRÉIA NO TEATRO AUGUSTA

Inédita no Brasil, a comédia de humor negro MOJO, do dramaturgo inglês Jez Butterworth, estréia dia 25 de maio, sexta-feira, às 21h30, no Teatro Augusta, Sala Experimental. Texto, escrito em 1995, aborda o universo marginal, masculino e violento de um bar inglês na década de 50. Com direção de Zé Henrique de Paula, peça, que tem direção musical de Fernanda Maia, é encenada pelo Núcleo Experimental do Teatro Augusta, que montou o espetáculo R & J.
Em Londres, 1958, Silver Johnny é a sensação do rock no Clube Atlântico, propriedade de Ezra, lugar que começa a ganhar popularidade com os shows do artista. O sucesso do bar atrai o interesse de Sam Ross, que alicia Silver e manda matar Ezra. Sweets e Potts, que trabalham no clube, ficam assustados com a possibilidade de perderem suas vidas. Baby, filho de Ezra, quer esclarecer a morte do pai, por meio de provas de força, trocas de poderes, anfetamina e ameaças, numa atmosfera de constante tensão.
A dramaturgia de Jez Butterworth já de início explicita a importância dos diálogos na sustentação da montagem. Num universo marginal, masculino e violento, as palavras muitas vezes saem da boca dos personagens como balas de revólver: ágeis e cortantes. Além disso, Butterworth cria dois níveis de leitura, ao fazer com que Sweets, Potts e companhia estejam quase permanentemente sob o efeito de anfetaminas – a distinção entre a lucidez e o efeito da droga torna-se volátil e difusa.

“O principal elemento da encenação é o trabalho do ator, desenvolvido por meio de treinamento com a com a preparadora de atores Inês Aranha. Damos seguimento à pesquisa iniciada em R&J onde se privilegia a síntese, o jogo e a construção. Trabalhamos com elementos cênicos concretos (pouco cenário e poucos objetos com alta significação) e luz e trilha com intensa função cenográfica”, afirma o diretor Zé Henrique de Paula.

Em MOJO, a encenação pretende transformar o espaço cênico num pub inglês da década de 50, mantendo os espectadores praticamente inseridos na ação da peça, que acontece em ritmo acelerado. A música desempenha um papel importante na concepção da montagem, soma significados dentro da narrativa, ao lidar também com questões fundamentais do texto: poder, hierarquia, virilidade, fuga, isolamento e sexualidade.

O cenário é absolutamente sintético, explorando ao limite as possibilidades plásticas dos poucos elementos de cena. Os figurinos, de Zé Henrique de Paula, seguem uma visão histórica, mas com a preocupação de também poderem ser encarados como trajes contemporâneos. A trilha sonora, de Fernanda Maia, é composta por releituras inspiradas em bandas inglesas do final da década de 50, mas na orquestração e arranjos modernizou a sonoridade

Jez Butterworth – Dramaturgo e roteirista, nasceu em Londres, em 1969, cursou a Universidade de Cambridge. É considerado pela crítica inglesa como o novo Harold Pinter, de quem, inclusive, ele é amigo. Mojo, de 1995, sua estréia como autor de teatro (a não ser por alguns textos mais curtos), recebeu críticas efusivas desde que estreou em Londres e depois migrou para Nova York, em montagem off-Broadway. Em 1997, o próprio Jez dirigiu a versão cinematográfica da peça, com elenco londrino que incluía até mesmo o dramaturgo Harold Pinter (em elogiada atuação).

TEATRO AUGUSTA - SALA EXPERIMENTAL – Rua Augusta, 943 – Cerqueira César, tel: 3151-4141. Capacidade 50 lugares. Bilheteria funciona de quarta a domingo, a partir das 15 horas. Acesso para deficientes. Ar condicionado. Estacionamento a R$5,00 ao lado. Café.


(Amália Pereira – maio/2007)
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Amália Pereira
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