10 de set de 2018

Artesãs do semiárido expõem o rico trabalho com carnaúba que conquistaram a partir do acesso à água

Mostra "A Casa A AMA Carnaúba" é uma parceria entre a água AMA, que doa 100% do lucro para projetos de acesso à água, e A CASA museu do objeto brasileiro.
São Paulo, 10 de setembro de 2018 – As irmãs Ana Claudia e Claudiane vieram do Vale do Jaguaribe, no Ceará, até a cidade de São Paulo para realizar um feito que até pouco tempo seria pouco provável: participar da inauguração de uma exposição. Elas foram abrir a Exposição “A CASA AMA Carnaúba”, que reúne o trabalho delas e de outras 90 artesãs com o trançamento e tingimento da palha de carnaúba, árvore nativa do semiárido.
Aberta gratuitamente ao público, no bairro de Pinheiros, a exposição traz objetos bastante diversos: são bolsas, mesas, luminárias, pufes, cestos, tapetes e outros objetos trançados manualmente.
A história da exposição começou no ano passado, com a chegada de um projeto que mudou a vida dos moradores de Sítio Volta e Sítio Caiçara, comunidades rurais no município de Jaguaruana, no Ceará. Antes, as famílias buscavam água em poços escavados que ficavam em locais distantes e não tinham tratamento. “Tinha que armazenar ou buscar todo dia. Muita gente morava mais longe do poço, então era melhor buscar de uma vez e guardar”, conta Ana. “A gente tinha que filtrar a água para beber. Muita gente adoecia, mas não tinha o que fazer”.
A AMA, água mineral da Cervejaria Ambev, que foi lançada no ano passado, investe todo seu lucro para a construção de projetos que levam água para que vivem no semiárido e ajudar no desenvolvimento da região. Sítio Volta e Sítio Caiçara foram as primeiras comunidades e receberem um poço profundo e um sistema para distribuir água até a casa dos moradores. “Água é importante. Tudo o que a gente faz precisa de água. Para nossa comunidade, receber o projeto de AMA foi uma vitória, uma conquista de muito tempo”, comemora Ana, que mora em Sítio Volta. “Agora melhorou tudo. É só ligar a torneira. A gente pode ter um chuveiro e não tem mais doença por causa da água. Mudou a vida de todo mundo”.
No início de 2018, AMA e A CASA começaram um trabalho de capacitação e inovação do artesanato com as artesãs de Sítio Volta, Sítio Caiçara e Santa Luzia, além das cidades vizinhas Itaiçaba e Palhano. Elas aprenderam como fazer novos tipos de trançado, a tingir as peças e criar objetos que nunca haviam imaginado. “Aprendemos a fazer a trança com carnaúba desde criança. Passava pela nossa vó, mãe, mas só fazíamos trança simples para fazer esteira e chapéus. Com o projeto aprendemos a fazer as bolsas, cadeiras, cesto e tudo mais. O curso foi maravilhoso. A gente não sabia que tinha capacidade de fazer muita coisa diferente”, Ana conta orgulhosa ao lado da irmã, durante a abertura da exposição onde estavam representando o grupo de artesãs. “Somos uma equipe. Todo mundo tem uma função e cada uma faz uma parte de cada peça. É um trabalho de todas, juntas”.
Mais do que renda, o artesanato aumentou a independência e a autoestima dessas mulheres: “Estou feliz, orgulhosa por conseguir fazer tudo o que aprendi e por participar do projeto. Na minha casa, as coisas mudaram muito, para melhor. Não preciso mais pedir para o meu marido ‘Me dá dinheiro para comprar isso, para comprar aquilo?’. Hoje eu faço o que eu quero e compro o que eu quero com o meu dinheiro. E ainda ajudo na casa”, revela Claudiane.
“Mais do que levar água para quem precisa, estamos ajudando essas comunidades a se desenvolverem de uma forma sustentável, incentivando o trabalho rico do semiárido e descobrindo artistas talentosas que estavam escondidas atrás da seca”, comemora Andrea Matsui, gerente de sustentabilidade da Cervejaria Ambev.
A exposição estará aberta ao público até o dia 4 de novembro e tem a curadoria do designer de artesanato Renato Imbroisi, que trabalha há 30 anos com comunidades, cooperativas e associações. A coordenação é de Eliane Guglieme e a supervisão de Renata Mellão, diretora geral d’A CASA. “O que mais me surpreendeu nesse projeto foi o envolvimento da comunidade e o potencial de transformação local que pudemos proporcionar a eles”, revela Renata. As designers Liana Bloisi, Cristiana Pereira Barreto, Lui Lo Pumo e Tina Moura, e o mestre-artesão João de Fibra, completam a equipe.
Com o trabalho nas cinco comunidades, o projeto proporcionou a troca de saberes e experiências entre os pequenos povoados. Cada uma delas ficou responsável por coleções específicas. Enquanto algumas produziram peças com a fibra natural para a fabricação de bolsas, mesas e bancos, outras especializaram-se na criação de cestos, de diferentes tamanhos e modelos. Já as artesãs de Itaiçaba e Palhano criaram produtos feitos com palha de carnaúba tingida: são luminárias, pufes, cestos, tapetes e esteiras de cores vivas. Todas as peças estão à venda na exposição.

A Carnaúba
A carnaúba é símbolo de resistência e longevidade. A árvore é nativa do bioma caatinga e consegue se adaptar ao clima semiárido da região por suas raízes profundas. Dela se aproveita tudo: folhas, tronco e raiz. Sua madeira é utilizada na construção de casas e algumas peças de marcenaria; suas raízes, segundo a cultura popular, tem propriedades medicinais.
Das folhas, além da palha que é utilizada para o artesanato, extrai-se a cera de carnaúba, matéria-prima utilizada na composição de produtos para polimento, lubrificantes, vernizes, tinturas e cosméticos. Esse tesouro nordestino é, ademais, sustentável: todos os possíveis processos de utilização de seus recursos não são agressivos ao meio ambiente e as árvores preservam o solo contra a erosão.

Sobre o museu
Há mais de 20 anos, A CASA museu do objeto brasileiro realiza projetos junto a comunidades e associações de artesãos de várias regiões do País. A instituição, que não possui fins lucrativos, tem como missão o reconhecimento, a valorização e o desenvolvimento da produção artesanal e do design brasileiro.
Com o objetivo de preservar a memória cultural desses ofícios e preservar técnicas únicas, o museu busca transmitir e multiplicar as tradições de cada região e, consequentemente, gerar rendas às comunidades.

Sobre AMA
AMA é parte do sonho da Cervejaria Ambev de unir as pessoas por um mundo melhor. No fim de 2015, o time de sustentabilidade da Ambev deu início à busca por um novo projeto para expandir seus programas de preservação e uso consciente de água. Depois de reunir diversas áreas da empresa e fazer uma parceria com o Yunus Corporate Action Tank, promovido pela Yunus Negócios Sociais, que estimula as empresas a pensarem em negócios que já nascem para resolver um problema social, surgiu a ideia de criar uma água engarrafada que tivesse 100% dos lucros investidos no acesso à água potável.
Com o lançamento da AMA em março de 2017, a cervejaria contribui para que o sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU seja concretizado: garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. De forma totalmente transparente, todas as etapas do projeto AMA são apresentados por meio de uma plataforma digital (www.aguaama.com.br) com todas as informações do produto, prestação de contas periódicas sobre o lucro obtido com as vendas, investimentos e andamento de cada projeto.

Serviço
A CASA AMA Carnaúba
Visitação: de 6 de setembro a 4 de novembro de 2018
Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1216 – Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h30

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