27 de ago de 2016

67% dos paulistanos são contra o aumento de impostos de cigarro

Estudo mostra que a sociedade sabe que a venda de produtos ilegais
impulsiona o crime organizado


Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Quaest Consultoria mostra que 67% da população de São Paulo é contra o aumento de impostos do cigarro. A pesquisa, encomendada pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), foi realizada com mais de 800 pessoas a partir de 18 anos de idade e residentes na cidade de São Paulo. O levantamento também mostra que 66% dos entrevistados acham que elevar a carga tributária impulsiona o contrabando de produtos ilegais.

Além disso, cerca de 35% sociedade está ciente que o contrabando é feito por organizações criminosas, no entanto, 26% ainda tem uma visão distorcida e acreditam que a atividade é realizada por “sacoleiros”. Essa análise tinha como objetivo mensurar a opinião da sociedade sobre a relação entre o aumento de impostos, do contrabando de cigarros e o incentivo ao crime organizado.

A cada novo aumento na taxação sobre o cigarro, o produto contrabandeado fica mais competitivo e rentável para as facções criminosas. São Paulo é atualmente o estado mais prejudicado pelo crime de contrabando: a cada 10 cigarros comercializados aqui, 4 passaram pelas fronteiras – principalmente a paraguaia - de forma ilegal, como o Eight que detém 25% de market share no Estado.

As alíquotas de ICMS no Estado de São Paulo sobre o cigarro subiram de 25% para 32% em fevereiro e, desde então, vem estimulando ainda mais o contrabando do produto. Todas essas ações resultaram no aumento significativo de evasão fiscal, que atingiu R$ 751 milhões no ano passado, crescimento de 169% em relação a 2010, segundo dados do Ibope. No acumulado dos últimos cinco anos, a evasão fiscal somente com o setor de cigarros foi de R$ 2,15 bilhões. 

“A sociedade está percebendo que o crime do contrabando afeta diretamente suas vidas. Com a evasão fiscal, investimentos em segurança e saúde pública, por exemplo, deixam de ser realizados. E o resultado da pesquisa mostrou que a sociedade diz não ao aumento de impostos, ao contrabando e ao crime organizado”, pondera presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona. 

Além de causar perdas aos cofres públicos por não recolher impostos, o contrabando ameaça a sustentabilidade de diversos setores da economia formal, tira empregos do trabalhador paulista e aumenta criminalidade. 


 

Sandra Camillo
Editora Chefe
https://www.facebook.com/sandra.camillo

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