13 de jun de 2015

“Júlio Mesquita e Seu Tempo”, de Jorge Caldeira, está chegando às livrarias




O autor trabalhou 15 anos para escrever este épico inigualável, apresentado em quatro volumes e vendido também pelo site www.mameluco.com.br. São 1.740 páginas que proporcionam uma leitura inesquecível.

Júlio Mesquita e Seu Tempo acompanha a trajetória do homem que comandou a construção do jornal moderno, tal como conhecemos hoje. Mas não fez apenas isso. Por muitos anos, Júlio Mesquita entremeou a vida de jornalista com a de parlamentar eleito e líder partidário e participou das grandes decisões da vida republicana brasileira.
Nascido em 1862 em Campinas, filho de mãe analfabeta e de um imigrante português recém-chegado ao Brasil, aprendeu a ler por acaso e revelou um grande talento para os estudos. Aos 13 anos começou a se preparar para cursar a Faculdade de Direito, que determinaria a sua mudança para São Paulo dois anos depois. Interessado por teatro, política e pela luta abolicionista, juntou-se aos caifazes, que promoviam fugas em massa de escravos e guerra direta contra os capitães do mato que os perseguiam.
Com 26 anos começou a trabalhar como empregado em A Província de São Paulo, jornal com  904 assinantes. Numa carreira surpreendente, comprou a publicação dos antigos patrões e transformou O Estado de S. Paulo no maior jornal do país. Em 1927, ano de sua morte, o jornal tinha 48 638 assinantes. Ao longo de quatro décadas, a base de assinantes teve crescimento médio de 10,5 por cento ao ano.
A nova obra de Jorge Caldeira conta em detalhes a história dessa transformação fantástica. Do começo no pequeno jornal de prelo; da passagem para o jornal de rotativas e reportagens – cujo marco inicial foi nada menos que a cobertura de Canudos feita por Euclides da Cunha; do salto para o jornal moderno, inaugurado com a Campanha Civilista de Rui Barbosa, cujo coordenador foi justamente Júlio Mesquita.
Tudo que Júlio Mesquita fez foi de modo único. Ele tinha plena consciência de que o trabalho da política exigia segredo e operações de bastidores – pelo que se via obrigado a esconder notícias do próprio jornal. Também tinha convicção de que um jornal existe para além do governo, e sua carreira de político pagou preços altos por causa das posições do jornal.
O livro narra em detalhes o complicado bailado entre jornalismo e política, entre segredos de bastidores e revelações públicas que marcaram a vida de Júlio Mesquita e a dos políticos de seu tempo de mudanças: revoluções, traições, eleições, disputas, censura, comícios e até a prisão compuseram o cenário desse tempo político eletrizante.
No meio de tanta ação Júlio Mesquita foi encontrando o caminho que o levaria da posição de empregado de uma pequena empresa para a de dono de um grande negócio. No fim de sua vida dirigia um empreendimento cujo faturamento anual era maior que as receitas de dez dos vinte estados brasileiros da época. Seu jornal era uma indústria de grande complexidade, que misturava tecnologia de ponta, trabalho altamente especializado e uma das estruturas industriais mais sofisticadas do país.

Júlio Mesquita e Seu Tempo trata também dessa mudança econômica que o jornal ajudou a construir com seu crescimento exuberante. Revela um período de profundas transformações na economia, no qual a produção capitalista e o trabalho assalariado se impuseram – e o Brasil passou da condição de estagnação do Império para a de uma das economias que mais crescia no Ocidente – a partir de 1906, em ritmo maior até que o dos Estados Unidos.
Parte importante desse crescimento se devia ao Plano de Valorização do Café, apresentado em detalhes por um colaborador do jornal, Augusto Ramos, em 1903, e cuja épica implantação aparece de forma inédita no livro, graças a uma pesquisa muito cuidadosa.
Para aqueles que gostam de economia, por sinal, o livro traz um volume especial que reúne dados sobre o comportamento da produção e das finanças brasileiras no período. Com eles se pode entender melhor por que o tempo de Júlio Mesquita foi o de maior mudança e crescimento na história secular da economia brasileira.
Sobre o autor: Jorge Caldeira nasceu em São Paulo em 1955. É doutor em ciência política, mestre em sociologia e bacharel em ciências sociais (FFLCH–USP). Sócio-fundador da Mameluco Edições e Produções Culturais, é escritor e possui ampla experiência profissional na área jornalística e editorial. Foi publisher da revista Bravo!, consultor do projeto Brasil 500 Anos, da Rede Globo de Televisão, editor-executivo da revista Exame, editor da Ilustrada e da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo, editor de economia da revista Isto É e editor da Revista do Cebrap. É autor de Noel Rosa: de costas para o mar (Brasiliense),Mauá: empresário do Império (Companhia das Letras), Viagem pela história do Brasil (Companhia das Letras), A nação mercantilista (Editora 34), Ronaldo: glória e drama do futebol globalizado (Editora 34), O Banqueiro do Sertão (Mameluco), A construção do samba (Mameluco) eHistória do Brasil com empreendedores (Mameluco), além de organizador dos volumes Diogo Antônio Feijó José Bonifácio de Andrada e Silva, que integram a Coleção Formadores do Brasil (Lance!/Editora 34), e do livro Brasil: a história contada por quem viu (Mameluco). Ocupa a cadeira nº 18 da Academia Paulista de Letras.

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