13 de jun de 2015

Autor faz análise das Jornadas de Junho

Dois anos depois dos protestos que reuniram manifestantes em todo o Brasil, o analista político Flavio Morgenstern tenta entender as motivações e consequências do fenômeno


Por trás da máscara: Do passe livre aos blackblocs,
as manifestações que tomaram as ruas do Brasil
Flavio Morgenstern







Páginas: 574
Preço: R$ 60,00
Editora: Record





Frases como “não é só por 20 centavos” e “vem pra rua” viraram verdadeiros mantras em junho de 2013. As manifestações que levaram milhões de pessoas às ruas em diversos estados do Brasil começaram com o Movimento pelo Passe Livre, mas tornaram-se algo muito maior do que isso. Na época, analistas políticos e sociais se esforçaram para tentar explicar o que era, afinal, aquele movimento sem líderes e sem reivindicações específicas que conseguiu juntar, num mesmo espaço, pessoas com visões ideológicas opostas. Neste livro, Flavio Morgenstern reconstitui aqueles dias para tentar encontrar essas respostas. 

“Ao se rever 2013 a uma distância segura, é fácil perceber que foi o ano mais incompreendido de toda a nossa história. Quase a totalidade das pessoas, antes tão animadas nas ruas com a promessa de um novo país nascendo em um momento histórico, hoje se pergunta: o que deu errado? Por que milhões de pessoas que juravam estar mudando o Brasil passaram a olhar manifestações políticas parando ruas com o mesmo desprezo de sempre? Por que tantos ânimos exaltados com uma causa repentina uniram um país, mas não se repetiram com outras tentativas de manifestações, que voltam a parar cidades semanalmente? Mais: por que as análises atiraram para tão longe do alvo? Hoje sabemos o que não foi aquele evento. Resta saber o que foi”, escreve o autor.

Segundo Morgenstern, as Jornadas de Junho têm relação direta com iniciativas como a Primavera Árabe e o Ocuppy Wall Street, sendo o movimento no oriente o primeiro a ter mobilizado um grande número de pessoas por meio da internet.

Mas para ele é a reunião de jovens em Nova York que mais se assemelha com o que aconteceu no Brasil, e o autor dedica toda a primeira parte do livro a destrinchar os detalhes da ocupação do distrito financeiro da Big Apple em 2011. Uma das principais semelhanças é que tanto aqui como lá, os movimentos são resultado do que ele chama deinfowar, uma guerra de narrativas plantadas para suscitar mobilizações.

Com descrições dos acontecimentos dos protestos, a cobertura da mídia sobre eles e ainda um embasamento acadêmico sobre os movimentos de massa, o autor dedica as partes seguintes do livro a analisar a primeira fase das manifestações – ainda “sobre os 20 centavos”, e em São Paulo – e a segunda, quando já atraía milhões pelo Brasil inteiro.  Ele alerta, muitas vezes, para o perigo do totalitarismo que aquele modelo parecia estar gestando.

“O movimento de massa de pauta difusa, desconexa e genérica (que não é novidade nenhuma no mundo) sempre está pedindo um poder total. Um totalitarismo. O maior mal que a humanidade já teve de enfrentar. O poder total que pode sair de uma manifestação como essa não pode ser um poder brando, de políticos prestando contas ou dividindo promessas com a realidade. (...) Nenhum totalitarismo surgiu senão com movimentos difusos, exigências não pontuais, uma reforma completa e irrevogável de tudo”, opina Morgenstern.

O autor faz ainda uma análise sobre a ação das massas na política, um histórico de alguns dos grupos que participaram ativamente das manifestações – como o Fora do Eixo e a Mídia Ninja – e dedica um capítulo exclusivamente à observação da participação dos Black blocks nos protestos.  “Por trás da máscara: Do passe livre aos black blocs, as manifestações que tomaram as ruas do Brasil” chega às livrarias no fim de junho.

Flavio Morgenstern é analista político, tradutor e palestrante. Escreve para sites como Instituto Liberal e Implicante.org, para a Gazeta do Povo e diversas outras publicações.

Um comentário:

Flavio Morgenstern disse...

Muito honrado com o post, creio que esta foi a primeira resenha do livro. :)