25 de out de 2014

KAURUP LANÇA DISCO PÓSTUMO DE TAIGUARA: “ELE VIVE”



A gravadora, responsável pela curadoria da obra do cantor e compositor, lança também livro com sua

trajetória

“Ele Vive”, disco póstumo de Taiguara lançado pela Kuarup, é pura emoção e nostalgia. É

praticamente uma colcha de retalhos que foi completada graças à dedicação de profissionais

da música e da família do compositor, morto em 1996. Dezenas de fitas cassete gravadas por

Taiguara em sua casa foram trabalhadas, catalogadas e digitalizadas. O objetivo era transpor

toda a emoção do cantor e compositor, um dos mais marcantes e polêmicos e apaixonados, e o

resultado é álbum bem atual.

O material digitalizado por Felipe Sander e Ricardo Carvalheira traz faixas inéditas e expressivas

que imprimem a característica ativista de Taiguara. A canção “Ele Vive” foi composta para o líder

comunista Luís Carlos Prestes (1898-1990), com quem Taiguara conviveu intensamente, o que lhe

rendeu vigilância cerrada pelos órgãos de repressão do governo.

Em “Moça da Noite”, Taiguara volta a um tema caro a seu cancioneiro, a exploração da mulher,

assunto também em “Conflito (Sexo Escravo)” e “Alba Esperança”. Não só de manifestos

censurados pelo governo militar é composto o álbum, que conta com uma declaração de amor,

composta para sua amiga, a cantora Vanja Orico, com letra do poeta Sergio Napp, intitulada “Te

Quero”.

O CD traz ainda quatro faixas bônus, gravadas ao vivo no Teatro João Caetano, no Rio: “Outubro”,

de Milton Nascimento e Fernando Brant, que parece ter sido composta para Taiguara, nascido

em 9 de outubro de 1945, dois de seus sucessos dos tempos dos festivais, “Modinha”, de Sérgio

Bittencourt, e “Helena, Helena, Helena”, de Alberto Land, fechando com “Hoje”, um de seus

maiores hits.

A gravação, edição, mixagem e masterização foram realizadas pelo engenheiro de som José Luís

Costa, o Gato. O músico Pedro Baldanza, baixista que trabalhou com estrelas como Gal Costa e

Elis Regina, fez a produção do disco e Ricardo Cristaldi criou as bases feitas para a voz de Taiguara

e os acompanhamentos.

Compostas em períodos distintos, as canções, assim como as gravações originais que deram

origem ao CD, somam mais de 15 anos de idade e foram recuperadas dentro da melhor técnica

possível, sempre tentando imprimir ao máximo o estilo e manter a voz original de Taiguara. As

utopias de Taiguara, seus sonhos e ideais, permanecem vivos na sua obra. A Kuarup se sente

honrada em mostrar para as novas gerações o trabalho desse artista que, mais do que qualquer

coisa, amou o Brasil e sua gente.

A Kuarup, responsável pela curadoria de boa parte da obra de Taiguara, lançou, em 2013, o

polêmico “Imyra, Tayra, Ipy” – LP retirado das lojas em 72 horas pela censura militar, em 1976

–, e nos apresenta, simultaneamente ao CD “Ele Vive”, a biografia intitulada “Os outubros de

Taiguara – Um artista contra a Ditadura: Música, Censura e Exílio”, escrita pela jornalista Janes

Rocha.

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