5 de mai de 2014

Crítica: As Moças, O último Beijo





Por Sandra Camillo



O texto "As Moças", escrito por Isabel Câmera, com encenação dirigida por André Garolli, é cheio de detalhes muito bem pensadas e mostrados cena a cena. As atrizes Fernanda Cunha e Angela Figueiredo cativam e prendem a
atenção  do público minuto a minuto . 

Vídeos com imagens (edição de Zeca Rodrigues) projetadas de momentos vividos pelas personagens deixam o público aguçado e servem de guia para  os olhos atentos do público. Com um cenário (Cássio Brasil) prático e inteligente, quem assiste acaba se envolvendo nos conflitos . A interação das atrizes com a sonoplastia (
Branco Mello) é abraçada com a fotografia perfeita de Reynaldo Tomaz e André Garolli , um detalhe que com certeza ficará na memória do público que assistir o espetáculo .

O trabalho é um conjunto de detalhes muito bem pensados e acertados, que farão o público levar para casa o seguinte recado: o que você está
fazendo da sua vida é o que realmente deseja?


Se você ainda não viu, CORRA! O espetáculo fica em cartaz somente até dia 15 de Maio de 2014.




AS MOÇAS: 

O último beijo 

ESPAÇO PARLAPATÕES (98 lugares) 
Praça Roosevelt, 158 - Centro 
Bilheteria: 3258.4449 
Terça a quinta das 16h as 21h; sexta e sábado 16h a meia-noite, domingo 16h às 20h. Formas de 
Pagamento: Dinheiro e todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque. 
Vendas: www.ingressorapido.com.br / 4003.1212 
Quartas e Quintas às 21h 
Ingressos: R$ 40 
Duração: 70 minutos 
Classificação: 16 anos 
Estreia dia 02 de Abril 
Curta Temporada: até 15 de maio







Casa 5 e Fernanda Cunha

Apresentam

Angela Figueiredo e Fernanda Cunha

em

AS MOÇAS:
O último beijo

De Isabel Câmara

Direção André Garolli

Estreia dia 02 de Abril no Espaço Parlapatões

Quartas e Quintas às 21h

Uma relação de amor, ódio e amizade. Duas mulheres, uma jornalista a
outra QUASE atriz, uma QUASE velha e a outra jovem. Elas se encontram
no Rio de Janeiro em algum momento entre 1965 e 1975 e dividem o
mesmo apartamento enquanto tentam se estabelecer profissional e
afetivamente em meio à ditadura militar e à revolução sexual que
marcaram aquela época.

Com direção de André Garolli, a montagem de As Moças, de Isabel Câmara, é
uma releitura deste clássico da dramaturgia brasileira dos anos 60.

Mineira de Três Corações, Isabel escreveu um único texto para o teatro: “As
Moças: O Último Beijo”. Ficou conhecida como uma das principais autoras do
grupo de jovens dramaturgos de 69, ao lado de José Vicente, Leilah
Assumpção, Consuelo de Castro e Antônio Bivar. Uma geração de autores que
compõe um retrato existencial e subjetivo daquela época marcada pela
revolução sexual e a repressão política.

Como característica os textos apresentam diálogos que beiram o absurdo além
da autenticidade e sinceridade, num tom confessional, que aparecem na relação
das personagens e no jogo cênico.

O texto As Moças, surgiu em 1969, foi encenado em São Paulo, com direção de
Maurice Vaneau, e em 1970, no Rio de Janeiro, no Teatro Ipanema, com direção
de Ivan Albuquerque, rendendo a Isabel o Prêmio Molière de melhor autor de
1970.

Angela e Fernanda, duas atrizes de gerações diferentes e apaixonadas por seu
oficio, procuravam há algum tempo um texto para montar e iniciar uma parceria
artística e de produção. Conheceram-se no “II Festival de Peças de Um Minuto”
dos Parlapatões e logo perceberam grande afinidade. Um amigo, o diretor
Marcos Loureiro as apresentou ao texto As Moças. A partir daí foram em busca

da realização do espetáculo. Depois de aprovar o projeto em leis de incentivo,inscrever em editais e procurar patrocinadores, resolveram “arregaçar as
mangas”, apostar e investir recursos próprios e montar o espetáculo.
Convidaram André Garolli para a direção. Elas o conheceram quando ele as
dirigiu em algumas peças do II Festival de Peças de Um Minuto. Convidaram
Branco Mello para criar a trilha sonora e Cassio Brasil para criar o cenário e
figurinos. Contaram com o apoio e parceria de amigos e empresas também
apaixonadas pelo teatro como: Parlapatões, Morente Forte Comunicações,
Espaço Horizon, Cabelaria, Spazio e a Casa 5.

Garolli conta que “estava terminando de elaborar as diretrizes do Projeto
Homens à Deriva, no qual a proposta é discutir o período da ditadura militar
quando a Fernanda e a Angela me convidaram para dirigir As Moças, um texto
que conheci através das mãos do saudoso Fauzi Arap. Daí para frente achei que
o interessante seria discutir que sociedade e que momento era esse do Brasil
que permitiu a consolidação desse golpe. Nos confinamos em uma pequena sala
de ensaio, que poderia ser um conjugado, um alojamento, um camarim, uma
cela, um “entre quatro paredes” qualquer, afim de tentar reinventar a vida
(que pretensão!!). Recebemos visitas de companheiros que trouxeram ideias e
estratégias surpreendentes. E assim, passo a passo, lutamos com nossas
diferenças, com nossos ideais, com nossas vaidades, com nossos sonhos e
através da convivência, da negociação, do desapego conseguimos nos libertar
para dar luz a essas Moças.”

O espetáculo tem a trilha sonora de Branco Mello, criada a partir de trechos de
diversas obras musicais, clássicos dos anos 60 e 70. “Pra fazer a trilha do
espetáculo, pensei muito no Brasil e na música do final dos anos sessenta. Me
aprofundando na loucura da relação das personagens Tereza e Ana, achei que a
história delas poderia ter acontecido tanto num conjugado em Copacabana no
Rio de Janeiro, quanto em qualquer outro lugar do mundo. Lembrei de Jimi
Hendrix, Chet Baker, Jim Morrison, John Coltrane, The Who, Mile Davis e
Mutante... Está tudo aqui”, afirma Branco.

Por se tratar de um texto intimista o palco do Teatro do Espaço Parlapatões é
perfeito para a montagem, pois a ação se desenrola próxima aos espectadores
desvendando a relação entre estas duas mulheres. Responsável pelo cenário e
pelos figurinos, Cassio Brasil comenta que foi a relação de valor presente em
toda a peça que motivou seu raciocínio. “O tempo todo é isso que discute, -
quanto você vale se tem dentes faltando na boca? - e um reloginho de pulso,
ainda que sem corrente, preso ao pulso por uma fita? Esses valores são
instáveis, difusos. Quem controla as oscilações dos valores de nossas vidas? O
que vai ser joia hoje, pra amanhã retornar a condição de miçanga?”.

Se existe uma peça na história do teatro brasileiro do século XX cuja fortuna
crítica merece uma revisão é As Moças, texto que costuma ser analisado por
manuais que pretendem dar conta da dramaturgia brasileira escrita a partir dos
anos 60 e por estudos que visam debater o lugar da mulher na sociedade no
contexto histórico da ditadura militar.

A proposta desta montagem é envolver o público de maneira direta e explosiva,
partindo da construção realista das cenas, com linguagem contemporânea e
interpretação naturalista, além de cenários e figurinos com personalidade,
porém sucintos.


Ficha Técnica:

Autora: Isabel Câmara
Direção: André Garolli
Elenco: Angela Figueiredo e Fernanda Cunha
Cenógrafo e Figurinista: Cássio Brasil
Trilha Sonora: Branco Mello
Desenho de Luz: André Garolli e Reynaldo Tomaz
Operação de som: Pablo Perosa
Operação de Luz: Reynaldo Tomaz
Realização projeção: Zeca Rodrigues
Projeto Grafico: Vicka Suarez
Fotografia: Ricardo Martins
Direção de Produção: Fernanda Cunha e Angela Figueiredo
Coordenação de Produção: Angela Figueiredo
Produção executiva: Fernanda Moura
Pesquisa trilha sonora: Bento Mello
Realização: Casa 5 e Fernanda Cunha

Angela Figueiredo - atriz e produtora cultural. Estreou no teatro amador em 1974 na
peça “A Megera Domada”, dirigido por Carlos Wilson do Tablado (RJ) e em 1983 estreou
na TV na novela em “Guerra dos Sexos” com a personagem Analú. Seus últimos
trabalhos foram no “Festival de Peças de Um Minuto, textos portugueses e brasileiros”,
realizado em Lisboa durante o ano do Brasil em Portugal, em 2013 e a novela
Saramandaia, tv Globo. Faz produção cultural desde o ano 1998, realizou inúmeros
trabalhos ligados a música, teatro, tv e cinema. Seus últimos trabalhos foram: a
produção executiva do CD da peça de teatro “Jacinta”, a produção da trilha sonora da
peça “Parlapatões Revistam Angeli”, a direção de produção do “Festival de Peças de Um
Minuto” em Lisboa, a produção executiva do documentário “Bonde do Simão” para o
Canal OFF (Globosat) e a direção de produção do espetáculo “Serpente Verde, Sabor

Maçã”, direção de Lavínia Pannuzio. Entre os trabalhos de produção, vale destacar
produção do documentário “Titãs, a vida até parece uma festa”, que foi lançado em
2009.

Fernanda Cunha - atriz e produtora cultural, formada em Interpretação pelo
Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo (ECA-USP) e pós-graduada em Gestão Cultural pelo CELLAC/ ECA-USP. Em
2013 esteve em cartaz no teatro com “A Casa de Bernarda Alba” de García Lorca sob
direção de Elias Andreato e “Mulheres” de Charles Bukovski com direção de Fernanda
D´Umbra. Também se apresentou no “Festival de Peças de Um Minuto, textos
portugueses e brasileiros”, realizado em Lisboa durante o ano do Brasil em Portugal, do
Grupo Parlapatões, grupo com o qual a atriz já realizou inúmeros trabalhos, entre eles:
“O Papa e a Bruxa” de Dario Fo (2009/2010), “U Fabuliô” de Hugo Possolo (2009/2010)
e “Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagens” de Mário Viana(2010), todos
com direção de Hugo Possolo. Em 2012 atuou no espetáculo “Equus” de Petter Shafer
sob direção de Alexandre Reinecke e no espetáculo infantil “A Famylia Monstro” sob
direção de Pamela Duncan. Recentemente, em 2014, estreou o espetáculo “Dentes
Guardados” de Daniel Galera com direção de Mário Bortolotto e fez uma participação
especial como a personagem Claudia Ferrati na novela Chiquititas do SBT.

André Garolli - Diretor artístico da Cia Triptal há 22 anos, dentre seus principais
trabalhos estão: Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos; e o projeto Homens
ao Mar, baseado em textos de Eugene O’ Neill; premiado no APCA e premio Shell, tendo
participado do Festival Internacional de Chicago e o projeto infantil Maria Clara Clareou,
agraciado com os prêmios Coca Cola, APETESP e Mambembe. No teatro atua no Grupo
TAPA há mais de 20 anos, tendo como principais espetáculos, dirigidos por Eduardo
Tolentino: Credores, Doze Homens, Vestir os Nus, Cloaca, A Mandrágora, Ivanov, A
Serpente, Vestido de Noiva, Megera Domada, além de trabalhar com nomes como Bibi
Ferreira, Fauzi Arap, Juca de Oliveira, Roberto Lage, Fulvio Stefanini, entre outros. Na
televisão, destaca-se junto ao núcleo de dramaturgia da TV Globo, atuando nas novelas
Amor a Vida, Fina Estampa, Guerra dos Sexos, e nas miniséries: Lara com Z,
Cinquentinha e Na Forma da Lei , com direção de Wolf Maya e Mauro Mendonça Filho.
Ministra aulas de interpretação para TV e Teatro desde 1996, atualmente trabalhando na
Escola Wolf Maya de São Paulo e do Rio de Janeiro.




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