6 de mar de 2014

Mau comportamento de torcidas prejudica negócios dos clubes

Levantamento da Trevisan aponta que clubes tiveram prejuízo de R$ 3,88 milhões na temporada 2013 do Campeonato Brasileiro séries A e B

O mau comportamento de alguns torcedores têm causado transtornos para os clubes, que com a perda de mando de jogos acabam jogando longe do seu estádios e impactando negativamente suas finanças. Levantamento realizado pela Trevisan Gestãdo do Esporte mensura o tamanho do prejuízo que isso tem acarretado aos times.

O levantamento analisa o impacto das punições nos campeonatos brasileiros da série A e B em 2013 para Palmeiras, Corinthians, Vasco da Gama e São Paulo. Juntos, os times perderam R$ 3,88 milhões. A análise utiliza como base de cálculo a média de público e renda dos jogos disputados em “casa”, para projetar as arrecadações dos clubes se todos as partidas, com mando de campo, tivessem sido disputadas em seus estádios habituais. 

“Esse montante se amplia se considerarmos que nas partidas com punição o valor dos ingressos foram reduzidos, e somarmos a isso as perdas com outros itens do dia de jogo, como alimentos e bebidas, compras de produtos, visitas, etc.”, aponta o pesquisador Gabriel Leiva. “Nas brigas envolvendo torcedores, os clubes foram os grandes, e talvez os únicos, de fato, punidos”, avalia.

Entre os quatro clubes analisados no estudo, o Corinthians foi o mais prejudicado. Com cinco jogos de punição no Campeonato Brasileira da Série A, registrou prejuízo total de R$ 1,795 milhão, cerca de 16% de perdas. Nos 14 jogos que disputou no estádio do Pacaembu, na capital paulista, obteve média de público de 27.979 pagantes, volume que caiu 48% nos jogos com punição, que tiveram que ser realizados em outros estádios, chegando a uma média de 14.535 pagantes. A receita líquida por partida em seu estádio habitual foi de R$ 599 mil, contra R$ 240 mil nas realizadas fora, uma perda de 60%.

O segundo no ranking de prejuízos é o Palmeiras, que no ano passado disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. O alviverde teve seis jogos de punição, amargando um dano de R$ 1,070 milhão, ou seja, cerca de 15% de perdas. Tanto a média de público quanto a de receita registraram queda de 47% nas partidas realizadas fora de casa. O número de pagantes caiu de 18.303 para 9.625. A receita por jogo passou de R$ 373,3 mil para R$ 196,9 mil.

Pela série A, foram analisados ainda Vasco da Gama e São Paulo. O primeiro registrou prejuízo de R$ 664,4 mil (19%) e o segundo de R$ 350,8 mil (9%).

O carioca Vasco da Gama cumpriu quatro jogos de punição. Nas 15 partidas com mando preservado, a média de público foi de 23.854 pagantes, contra 8.212 nos jogos com punição, queda de 66%. A baixa na arrecadação chegou a alarmantes 90%, com a receita despencando da média de R$ 184 mil por partida para R$ 18 mil. “O caso do Vasco é emblemático. Nas três partidas realizadas em Macaé, com punição, o valor do ingresso foi de R$ 12, contra R$ 27 praticado nos jogos sem punição”, aponta Leiva.

O São Paulo teve apenas dois jogos de punição ao longo do campeonato da Série A. Não podendo utilizar o estádio do Morumbi, realizou as duas partidas em Itu, cidade do interior de São Paulo. Em seu estádio, alcançou uma média de público de 24.380 pagantes, com arrecadação de R$ 207,3 mil por partida. Nos dois jogos em que cumpriu as restrições, registrou queda de 49% no público pagante (12.428 torcedores) e de 85% em receita (R$ 31,9 mil).

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