22 de out de 2013

Coreografias para Bach: "Logos-Diálogos" no Sesc Vila Mariana

ÚLTIMA SEMANA!
Dimos Goudaroulis em LOGOS-DIÁLOGOS
6 Suítes de J. S. Bach para Violoncelo Solo e Dança

Espetáculo tem Dimos Goudaroulis no palco, tocando violoncelo, e coreografias de Tíndaro Silvano, Ismael Ivo e Deborah Colker para a sublime música de Bach. Dias 25, 26 e 17 de outubro.

O Sesc Vila Mariana apresenta a última semana de Logos-Diálogos - 6 Suítes de J. S. Bach para Violoncelo Solo e Dança. O espetáculo, concebido pelo violoncelista Dimos Goudaroulis reúne criações originais de coreógrafos brasileiros contemporâneos, especialmente para as seis Suítes de Bach. Fechando a programação, Tíndaro Silvano, Ismael Ivo (foto) e Deborah Colker mostram suas coreografias para a segunda trilogia das Suítes de Bach para Violoncelo e Dança.

As apresentações acontecem nos dias 25, 26 e 27 de outubro, sexta e sábado, às 21 horas, e domingo, às 18 horas. No palco, uma performance única que coloca a música de Bach, executada ao vivo por Goudaroulis, em constante diálogo e sintonia com a dança.

Goudaroulis estreou Logos-Diálogos em maio de 2012, no Teatro Alfa, em São Paulo. A curta temporada só não atingiu o ápice porque o músico sofreu um acidente fraturando o punho direito, fato que o impediu de tocar durante as apresentações. O espetáculo seguiu com a música mecânica de seu álbum Johann Sebastian Bach - 6 Suítes a Violoncello Solo. Em 2013, o Sesc SP encampou a realização, pela originalidade em levar ao palco toda a complexidade da obra do compositor, reunindo expoentes da dança contemporânea brasileira. E Dimos traz novamente o espetáculo à cena, agora apresentado na real forma de sua concepção.


Dimos Goudaroulis é o fio condutor deste singelo e também sofisticado jogo entre a multiplicidade cênica dos coreógrafos e a unidade musical do compositor. Cada um exibe sua leitura poética em forma de dança para esta obra prima universal. A primeira trilogia foi apresentada nos dias 18, 19 e 20 de outubro. Jorge Garcia abriu o espetáculo com uma leitura teatral para esta trilogia, muito propícia ao início, à criação, ao Gênesis. Na Suíte II, de tonalidade mais escura, Luis Arrieta interiorizou Bach, em solo mais conceitual para simbolizar a queda, o sofrimento. Fechando a primeira trilogia, com a eloquente e sonora Suite III, Henrique Rodovalho inspirou-se na luminosidade para expressar o sentimento que eleva e liberta a alma.

A coreografia de Tíndaro Silvano para a Suíte IV (primeira da segunda trilogia) tem estética neoclássica para reportar à figura do Pai, à nobreza, à reverência. Para a Suíte V, a mais escura e profunda de toda a obra, Ismael Ivo apresenta uma performance contemporânea/instalação de corpo e música, interiorizando as notas de Bach carregadas do simbolismo da Paixão. Fechando a trilogia, bem como o espetáculo concebido por Goudaroulis, Deborah Colker traz para a excepcional e virtuosística Suíte VI uma coreografia que simboliza a transformação, a salvação, a iluminação.

“Minha opção é a de tocar as suítes o mais fielmente possível ao original” (D.G.)

Para todos os grandes violoncelistas, as seis Suítes Para Violoncelo Solo de Bach são fontes inesgotáveis de todo conhecimento e sabedoria, um caminho para a iluminação. “As Suítes de Bach têm me acompanhado durante toda a minha vida de músico. Elas são o meu pão de cada dia, o texto sagrado que nunca parei de tentar entender, explicar, decodificar, interpretar...”, afirma o músico grego, radicado no Brasil desde 1996.

A música de J. S. Bach tem intensa carga de simbolismos que passam por religião e numerologia. As Suítes, divididas em duas trilogias, são perfeitamente simétricas na forma e no significado, tendo o número 3 (e a simbologia da Trindade) no cerne da construção da obra.

Logo depois do lançamento, em Julho de 2011, de seu álbum duplo Johann Sebastian Bach - 6 Suítes a Violoncello Solo, executadas com violoncelo barroco e absoluta fidelidade ao manuscrito de Anna Magdalena, Goudaroulis passou a se dedicar ao audacioso projeto Logos-Diálogos - 6 Suítes de J. S. Bach para Violoncelo Solo e Dança.

O músico propôs a cada coreógrafo convidado uma determinada suíte. A partir do diálogo contínuo sobre o caráter e cor de cada suíte, eles trabalharam individualmente na concepção e elaboração das coreografias. “As Suítes são música pura, íntima, profunda; e a música de Bach é um discurso, segue as leis da retórica. Assim, as coreografias foram concebidas também como discurso. Um discurso de gestos ricos na representação do simbólico resultando num mergulho profundo em Bach, traduzindo as muitas e muitas camadas de significado que estão presentes na obra dele”.

Logos-Diálogos é carregado de significados. “Logos”, palavra grega, significava inicialmente a palavra, o Verbo, mas também o Princípio. No cristianismo, passou a referir, especificamente, Jesus Cristo: “No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” [O Evangelho Segundo João, 1:1,2]. Ao longo do tempo, acabou ganhando novos sentidos, passando a traduzir amplamente o conceito de ‘razão’, tanto a capacidade de racionalização como o princípio cósmico da Ordem e da Beleza.

‘Diálogos’, palavra também vinda do grego [dia = através, logos = palavra], traduz uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas. No caso do projeto simboliza todos os diálogos – entre música e dança, entre som e movimento, entre passado e presente, que inclui os envolvidos, inclusive a plateia.

Ficha técnica

Espetáculo: LOGOS-DIÁLOGOS
6 Suítes de J. S. Bach para Violoncelo Solo e Dança

Concepção, direção artística e violoncelo: Dimos Goudaroulis
Realização: Sesc SP
Idealização: Luiz Felipe d’Ávila
Coreógrafos: Jorge Garcia, Luis Arrieta, Henrique Rodovalho, Tíndaro Silvano, Ismael Ivo e Déborah Colker.
Cenografia e figurinos: Fábio Namatame
Iluminação: Joyce Drummond
Direção de produção: Darson Ribeiro

Serviço

Dias 25, 26 e 27 de outubro (sexta a domingo) - segunda trilogia:
  • Tíndaro Silvano e nove bailarinos do Grupo Vórtice: Suíte IV
  • Ismael Ivo solo: Suíte V
  • Deborah Colker e seis bailarinos convidados: Suíte VI

Local: Sesc Vila Mariana (Teatro)
Rua Pelotas, nº 141. Vila Mariana/SP. Tel: (11) 5080-3000
Horários: sextas e sábados (21 horas) e domingos (18 horas)
Ingressos: R$ 32,00 (inteira), R$ 16,00 (usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública), R$ 6,40 (trabalhador no comércio matriculado no Sesc e dependentes) - Venda pelo INGRESSOSESC (unidades ou Portal Sesc).
Bilheteria: Terça a sexta (9h-21h30), sábado (10h-21h30), domingo/feriado (10h-18h30). Aceita cartões.
Classificação etária: 12 anos. Duração: 75 min (1ª trilogia) e 80 min (2ª trilogia)
Capacidade: 611 lugares. Acesso universal. Ar condicionado. Estacionamento: R$3,00 (+ R$1,00, hora adicional): matriculados. R$ 6,00 (+ R$2,00, hora adicional): não matriculados.

Os coreógrafos

Tíndaro Silvano formou-se bailarino pelo Palácio das Artes, em Belo Horizonte e aperfeiçoou-se com  mestres como Hugo Dellavalle e Bettina Bellomo. É hoje maître de balé e coreógrafo do Ballet Jovem do  Palácio das Artes de Belo Horizonte, e ao mesmo tempo atua com diversas companhias de dança  brasileiras, entre elas Ballet Guaíra, Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Grupo Cisne Negro. Tem  forte presença no exterior, com atividades em Portugal, Alemanha, França, Holanda, Argentina e  Finlândia.

O paulistano Ismael Ivo teve carreira meteórica como bailarino, destacando-se rapidamente no Brasil e  logo na cena internacional. Em 1983 tornou-se membro da Alvin Ailey Dance Center. De 1985 a 1996 viveu  em Berlim trabalhando com Johann Kresnik, coreógrafo da German Dance Theatre, e com Ushiu Amagatsu,  diretor e coreógrafo do grupo Sankai Juku. Por dez anos foi diretor artístico do International Festival  Tanzwochen, em Viena. Em 2005 foi nomeado curador do Festival Internacional de Dança Contemporânea da Bienal de Veneza.

Deborah Colker cursou Psicologia, foi jogadora de vôlei e estudou piano por 10 anos. A partir de 1980 dançou, coreografou e deu aulas durante oito anos no Grupo Coringa. Convidada para coreografar os  movimentos da peça A Irresistível Aventura, em 1984, deu início à vertente mais importante de sua carreira nos anos seguintes - diretora de movimento -, vindo a trabalhar com grandes diretores e atores do País. Em 1994 fundou sua própria companhia de dança. Em 2009 criou e dirigiu "Ovo", espetáculo do Cirque Du Soleil.
 

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