10 de mar de 2013

Óculos de sol: muito mais do que acessórios, eles influenciam diretamente na saúde dos olhos

Oftalmologista fala sobre o assunto e dá dicas para quem deseja comprar um bom e eficiente óculos de sol


O sol é o grande astro do verão e também dos dias frios do inverno. Basta ele aparecer para que muita gente vá à praia, piscina, ou até mesmo encontre nele um refúgio para se aquecer. Por outro lado são muitos os desavisados que costumam não respeitar sua força e acabam sofrendo danos importantes nos olhos sem que percebam. 

De acordo com o oftalmologista Francisco de Paula Leite Ferreira Neto (CRM 5197/PR) o sol é o principal fornecedor de radiação UV (raios ultravioletas), mas também é preciso tomar muito cuidado com lâmpadas de bronzeamento, instrumentos de solda, laser e outros. Vários fatores podem influenciar a dose de UV recebida do sol. Em um dia nublado, por exemplo, a quantidade de UV pode ser grande apesar de não se sentir a luz solar. “A luz é um elemento essencial à vida. Sem luz não existe visão. Ela é produto de reações termonucleares do Sol que geram radiações eletromagnéticas. Somente uma parte do espectro eletromagnético é visível para o olho humano, entre 380 e 780 nm. Fora deste espectro visível, estão os raios ultravioleta, de 180 a 380 nm de comprimento, e os raios infravermelhos de 780 a 1400 nm. No solstício de verão, é muito comum que as pessoas fiquem com os olhos vermelhos, com lacrimejamento, fotofobia (dificuldade na luz), blefaroespasmo (pálpebras apertando) e sensação de corpo estranho. Tudo isso pode acontecer depois de seis a 12 horas a exposição solar ou de forma cumulativa, à medida que os olhos ficam expostos ao sol ou ao reflexo dele”, explica o doutor Francisco.

O oftalmologista explica ainda que os raios UV são refletidos pelo solo, variando de 1 a 5% (na grama), 3 a 13% (na água), 7 a 18% (no concreto e areia) e 88% (na neve). O pico máximo de incidência de raios UV A e UV B ocorre quando o sol se aproxima do zênite (a pino). Da mesma forma, devido ao ângulo de inclinação da terra, há um aumento na incidência dos raios UV durante o verão.  Estes sintomas de Ceratite actínica ou fotoceratite desaparecem em 48 horas, mas podem voltar a aparecer se houver novas exposições aos raios UV.

“Anatomicamente existe proteção natural aos olhos pelo fato do nosso olhar ser na horizontal, evitando que grande parte dos raios refletidos do solo atinjam os olhos, cílios, pálpebras, sobrancelhas, nariz, bochechas. A porção nasal dos olhos fica mais exposta à luz refletida do nariz”, acrescenta o oftalmologista.

                        Muita gente nem imagina, mas os raios UV estão divididos em três segmentos: UVC (180 a 280nm), UVB (280 a 315nm) e UVA (315 a 380nm). A radiação UVC é filtrada pela atmosfera. A radiação UVB que atinge o olho é quase completamente absorvida pela córnea e cristalino com alguma parte também absorvida na câmara anterior pelo humor. Grande parte destes é filtrada pela córnea (filtra UVB e UVC, com pico de absorção de 270nm) e pelo cristalino (UVB e com a idade, UVA e parte da luz visível), sendo que apenas 2% destes raios alcançam a retina.  Outras fontes apontam para a seguinte exposição aos raios UV ambientes: 72% sem proteção; 47% com chapéu; 17% com óculos escuros; 8% com óculos escuros e chapéu; 4% dentro de casa.

Atenção especial para as complicações mais comuns com os ultravioletas sobre os olhos, que são ceratite actínica, pterígio, catarata e alterações maculares.



Como Comprar óculos de sol?

De acordo com o oftalmologista Francisco de Paula Leite Ferreira Neto, é importante inspecioná-los verificando a presença de arranhões em sua superfície, bem como a qualidade óptica das lentes. Óculos mais baratos normalmente arranham com mais facilidade, apresentam mais aberrações e a moldura se quebra mais facilmente. De maneira geral óculos escuros filtram 95% dos raios UV-B

Como escolher um bom óculos?

De modo geral todas as lentes deveriam ser suficientemente escuras para garantir uma visão confortável e manter uma boa visão noturna. “As Lentes devem ser resistentes ao impacto, sendo as com policarbonato as mais indicadas para este fim”, garante o especialista.

A quantidade de luz que é confortável aos olhos varia de 350 a 2.000 candelas/metro. A luz do sol na neve, por exemplo, atinge luminância de 15.000 a 30.000 candelas/metro. Na praia de 6.000 a 15.000, numa área pavimentada de 3.000 a 9.000, havendo grande desconforto ocular nessas regiões quando não se usa proteção com lentes coloridas.

“As lentes de óculos escuros têm características próprias pela cor, mas devem receber filtro ultravioleta para conferir proteção ao UV. Lentes de óculos escuros geralmente têm transmissão de 15% a 25% e conferem conforto para dirigir, para uso na praia, ou ambientes externos”, acrescenta o doutor Francisco.

Atividades de esporte na neve, montanha e vôo necessitam óculos que limitem a 8% - 12% a luminosidade, e alguns limitam a 3%-5%. Esses óculos devem ter inclusive proteção lateral para manter a retina adaptada à baixa luminosidade. Os óculos escuros com muita baixa transmissão de luz não devem ser usados para dirigir. Mesmo as lentes com colorido leve diminuem muito a luz refletida, fazendo com que ocorra diminuição de contraste.

A utilização de um óculos no qual a lente não ofereça proteção adequada é considerada mais perigosa do que simplesmente não usá-los. “O olho humano possui mecanismos de defesa naturais que são inibidos pela escuridão proporcionada pelas lentes. A pupila, que automaticamente se fecharia diante da luminosidade, mantém-se dilatada quando se utiliza lentes escuras. A reação natural do ser humano de fechar os olhos é comprometida pela utilização dos óculos de sol. Portanto, se as lentes não protegem, os raios ultravioletas passam e afetam a retina mais severamente do que se não fosse usado nenhum tipo de lente”, esclarece o oftalmologista.

Dicas

A decisão de compra dos óculos de sol deve levar em consideração, primordialmente, o nível de proteção contra a radiação ultravioleta (UVA e UVB) que as lentes oferecem. Esta informação deve estar disponível no momento da compra, seja no adesivo afixado aos óculos ou em livretos contendo informações técnicas sobre o produto. O comprador deve exigir esta informação. Além de saber o nível de proteção contra a radiação ultravioleta, também deve ser observada no momento da compra a adaptação dos óculos ao rosto. Deve ser dada preferência às lentes que envolvam bem os olhos ou que impeçam a penetração de luz através das aberturas existentes entre os óculos e o rosto. A cor das lentes também está relacionada à redução de problemas como enxaquecas, dores de cabeça e fotofobia. Cores que provoquem pouca distorção da visão e das cores do ambiente, como é o caso do verde, cinza e marrom, são as melhores indicações.

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