12 de dez de 2012

De pai para filho: a influência genética no desenvolvimento de alergias

De pai para filho: a influência genética no desenvolvimento de alergias
Não são apenas a cor dos olhos, o formato do nariz ou o timbre de voz que os filhos herdam dos pais. A herança genética também é responsável pela transmissão de diversas doenças que vão se manifestar em algum momento da vida dos membros de uma mesma família.
Uma das mais comuns é a alergia, que gera resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias estranhas ao organismo, conhecidas como alérgenos. Uma curiosidade é que não se herda o tipo de alergia, mas sim, a tendência para doenças alérgicas. Assim, um pai ou mãe pode ter asma e o filho apresentar rinite.
Para saber outras curiosidades sobre a relação da genética com o desenvolvimento de alergias, especialmente duas das mais comuns, a rinite e a urticária, confira a entrevista com o dr. João Negreiros Tebyriçá*, presidente da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia):
A rinite tem causa genética?
R: A rinite alérgica é uma doença com forte componente familiar. Entretanto, embora a  genética seja um fator importante na alergia, esta não é dependente de um único gene, mas obedece a uma herança genética multifatorial. Portanto, não há um padrão, já que o surgimento da doença está relacionado a mais de um gene. Além disso, a doença pode ocorrer em pessoas de todas as idades, sendo mais frequente em crianças e adolescentes.
Quais são os principais sintomas da rinite?
A rinite é caracterizada por espirros, congestão nasal, coriza, lacrimejamento, irritação nos olhos, coceira (no nariz, na garganta e nos ouvidos) e tosse. Muitos deles, inclusive, são fatores que prejudicam diretamente a qualidade de vida da pessoa.
Filhos de pais alérgicos obrigatoriamente desenvolverão rinite?
R: Existe, sim, um risco aumentado, mas nem todo filho de alérgico será obrigatoriamente uma criança alérgica. O que podemos afirmar é que filhos de pais alérgicos estão mais propensos a desenvolver qualquer tipo de doença de fundo alérgico, como rinite, asma e dermatite atópica, por exemplo. Há também fatores ambientais que contribuem para o surgimento da rinite, como exposição à poeira domiciliar, poluentes aéreos, fumaça de cigarro e doenças virais respiratórias.
Qual é a chance de uma criança desenvolver rinite se os pais ou um deles apresenta a doença? 
R: A asma é uma doença genética pelo menos em 42.3% dos casos, sendo que no mesmo estudo feito com 300 crianças asmáticas uma grande proporção de irmãos/irmãs (85%) também apresentavam a doença. Se um dos pais for alérgico, a chance de desenvolver rinite é de 50%. Se os dois tiverem a doença, o risco chega a 80%4. Um estudo com gêmeos idênticos mostra que quando um deles sofre de asma ou eczema, o outro tem probabilidade de 50% a 80% de desenvolver a mesma doença. No caso de gêmeos fraternos, a probabilidade cai para entre 25% e 40%.5
Quem costuma transmitir mais os genes que causam a rinite, o pai ou a mãe? 
R: Do ponto de vista genético é indiferente, pois ambos têm as mesmas chances de transmitir os genes relacionados à doença para os filhos. Entretanto, o filho de mãe alérgica apresenta  maior suscetibilidade ao desenvolvimento de alergias, devido a influências que podem ocorrer durante a gestação. Por exemplo, a exposição a poluentes atmosféricos e à fumaça de cigarro durante a gravidez afeta a resposta imune do feto, tornando o recém-nato mais predisposto ao desenvolvimento de asma e alergias. Isto se conclui por meio de trabalhos científicos1-2 produzidos por uma nova área da ciência denominada epigenética, que estuda a influência dos fatores ambientais sobre a expressão genética.
Há alguma forma de minimizar a chance de pais alérgicos transmitirem o gene da alergia aos filhos? 
R: Infelizmente, a medicina ainda não consegue evitar a transmissão dos genes causadores de alergias. Pode-se agir sobre os outros fatores associados ao desenvolvimento de alergia, como exposição à poeira, fungos, poluentes e fumaça de cigarro para diminuir a chance de desenvolvimento de rinite ou asma.
É possível criar imunidade contra a rinite ou doenças alérgicas? 
R: Não. A doença alérgica não é de causa viral ou bacteriana, é, na realidade, uma disfunção do sistema imunológico que reage de forma inadequada quando em contato com um alérgeno. Os mais comuns são os ácaros, fungos e pólen. O que pode ser feito em termos imunológicos em pacientes alérgicos são os procedimentos de imunoterapia (vacinas de alergia) e dessensibilização, que visam tornar o paciente mais tolerante à substância ao qual é alérgico, como proteínas dos ácaros da poeira domiciliar, alimentos ou medicamentos. Esses procedimentos são específicos e o sucesso depende de cada caso estudado.
Pais que não têm rinite podem ter filhos com a doença? Por quê? 
R: Sim. A rinite é multifatorial, não sendo a genética o único causador da doença.
O que é mais comum, a rinite por fator genético ou ambiental? 
R: A rinite alérgica, ou seja, de origem genética, acomete 30% da população3. Existem outras formas de rinite como a rinite viral aguda ou resfriado comum que acometem praticamente toda a população.
Os fatores ambientais, como a poluição, podem favorecer o desenvolvimento de genes que causam alergia? 
R: Até pouco tempo acreditava-se que os fatores ambientais atuavam apenas como gatilhos no desenvolvimento da rinite e outras doenças alérgicas. Os estudos mais atuais da epigenética têm demonstrado que tais fatores influenciam a expressão dos genes e, portanto, modificam a resposta genética do indivíduo tornando-o mais propenso ao desenvolvimento de alergias.
A urticária também tem origem genética?
R: A urticária se caracteriza pelo aparecimento súbito na pele de placas vermelhas que coçam. As causas de urticária são as mais diversas. Algumas formas são de maior incidência familiar e, portanto, têm origem genética. Outras estão ligadas a doenças autoimunes que também podem ter um caráter herdado. Entretanto a urticária pode ocorrer de forma espontânea em qualquer pessoa sem obrigatoriamente uma herança genética.
As novas gerações são mais alérgicas? Se sim, o que explica isso? 
R: Sim. Existe uma maior prevalência das doenças alérgicas na atualidade. Algumas teorias estão sendo estudadas, porém, ainda não podemos afirmar qual o motivo do aumento da ocorrência da doença.
Como é feito atualmente o tratamento da alergia?
R: O tratamento da rinite alérgica se baseia em três pilares: controle dos fatores ambientais: evitar contato com os alérgenos que desencadeiam os sintomas; imunoterapia: conhecida por “vacina para alergia” - tratamento feito à base de uma vacina com alérgenos a que o paciente é alérgico; Terapia medicamentosa, que inclui diversos tipos de medicamentos para o tratamento da rinite alérgica, entre eles os anti-histamínicos, os corticoides nasais, como a ciclesonida, os antileucotrienos, as cromonas e os descongestionantes nasais. 




O que há de mais recente no tratamento da alergia?
R: Em relação à imunoterapia, o desenvolvimento de vacinas por via sublingual já está disponível podendo se estender esta forma de tratamento a crianças de mais baixa idade desde que a alergia seja comprovada por testes cutâneos ou exames de sangue.

Há anti-histamínicos de última geração, como abilastina, que atuam no combate dos sintomas da rinoconjutivite alérgica e da urticária. Eles agem de forma seletiva e potente sobre os receptores H1, impedindo que a histamina liberada ligue-se a eles. Isso evita que a histamina provoque as reações químicas nas células causadoras dos sintomas alérgicos. Como a bilastina não interage com álcool e medicamentos, não causa sonolência e não impacta nas atividades diárias dos pacientes. A histamina é uma substância liberada por células do sistema de nosso organismo que causa aumento da secreção nasal (coriza), irritação da mucosa respiratória levando a espirros e coceira no nariz e olhos. Sua ação ocorre através da ligação de receptores para a histamina que estão presentes na superfície destas células. Os receptores H1 são os que causam os sintomas da alergia. Os aintihistamínicos atuam nesses receptores  diminuindo os efeitos da liberação de histamina. O resultado é o controle de s intomas como a coceira e os espirros.    

Informações sobre a Takeda Brasil 
Com sede administrativa localizada em São Paulo e fábrica em Jaguariúna, a Takeda Brasil é uma companhia global japonesa orientada para pesquisas, com foco principal em produtos farmacêuticos. Presente em mais de 70 países, ocupa o 12º lugar no ranking das companhias farmacêuticas globais. A Takeda tem presença consolidada no mercado brasileiro, fabricando e comercializando mais de 40 produtos, distribuídos entre as linhas de prescrição médica (Rx), uso hospitalar e medicamentos isentos de prescrição (OTC), como Neosaldina® (analgésico), Eparema® (digestivo), Nebacetin® (antibactericida), entre outros.
Em julho de 2012, a unidade brasileira anunciou a compra do laboratório Multilab, aumentando o portfólio de produtos e consolidando seu posicionamento no mercado nacional como uma das 10 maiores farmacêuticas do país.  As duas marcas (Takeda e Multilab) serão mantidas e o grupo passa a ter no Brasil cerca de 1.800 colaboradores, operando com duas fábricas, em Jaguariúna(SP) e em São Jerônimo (RS).
Mais informações sobre a Takeda Brasil no site corporativo da empresa http://www.nycomed.com/br/

Referências bibliográficas

1Ji H. e Khurana Hershey GK. Genetic and epigenetic influence on the response to environmental particulate matter.  J Allergy Clin Immunol 2012;129:33-41.
 2Yang IV e Schwartz DA. Epigenetic mechanisms and the development of asthma. J Allergy Clin Immunol 2012, in press.
3Bousquet I.et al. Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) 2008 update (in collaboration with the World Health Organization, GA(Z)LEN and AllerGen). Allergy. 2008 Apr; 63 Suppl B6:B-160.
4 Cantani M et al. A study on 300 children, 300 controls and their parents confirms the genetic transmission of allergy and asthma. Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2011; 15:1051-6.
5 van Beijsterveldt CEM et al. Genetics of parentally reported asthma, eczema and rhinitis in 5-yr-old twins. Eur Respir J. 2007;29:516-21.

*CRM: 52.18048-5 RJ

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