6 de nov de 2012

SAMBA DE LAJE NO ESPAÇO URUCUM COM TOINHO MELODIA

Toinho Melodia, ícone da velha guarda do samba de São Paulo, apresenta sambas de ontem e hoje no Espaço Urucum
Apresentação acontece no próximo domingo (11/11), no espaço externo da casa (terraço) e terá a participação do sambista paulistano Lello Di Sarno
     
O espaço Urucum realiza no próximo domingo um verdadeiro tributo ao samba paulistano. Toinho Melodia, ícone da velha guarda do samba de São Paulo é o convidado para agitar a laje da casa que ainda receberá outro nome importante do samba da atualidade, Lello di Sarno.
A apresentação faz parte de um novo projeto da casa – Laje Urucum, ainda em fase de teste e que pretende apresentar rodas de samba sempre nas tardes de domingo.

Sobre Toinho Melodia
Toinho Melodia é um músico da Velha Guarda do Samba de São Paulo que continua em atividade. Natural de Pernambuco, veio para São Paulo aos 11 anos de idade e na capital paulista encontrou o samba na beira dos campos onde jogava futebol, uma de suas paixões da adolescência. As rodas de samba caminhavam lado a lado com o futebol de várzea e dai foi um pulo para Toinho acabar conhecendo a Unidos de Vila Maria, escola de samba na qual fez parte por quase duas décadas.
Na Unidos de Vila Maria o pernambucano fez de tudo: empurrou carro, desfilou, compôs e cantou samba enredo. “Eu fazia tudo por amor, amor ao samba, amor ao meu pavilhão. E tudo era bem diferente do que é hoje, naquela época quando os cordões carnavalescos se encontravam nas ruas saía até tapa. Eu já bati e já apanhei muito pela Vila Maria”, conta com orgulho Toinho, que se desligou da escola por uma decepção, “compus um samba lindo para concorrer para o próximo Carnaval, a comunidade toda cantava, a quadra vibrava quando eu cantava e todos davam como certo a vitória do meu samba enredo, caso o concurso fosse justo, mas não foi o que aconteceu. Meu samba foi eliminado e não por vaidade, mas por ter certeza da injustiça que tinham feito comigo eu acabei perdendo o prazer de freqüentar a Vila Maria, tenho certeza que houve preconceito por eu ser negro e meu parceiro na composição ser deficiente físico”, explica.

Tempos depois, por influência de um amigo, Toinho começou a freqüentar o Vai Vai e fez história na ala de compositores da escola, “meu amigo Miguelzinho, repique de mão, Vaivaiense doente me chamou pra ir à Bela Vista. Fiquei com medo porque lá só tinha ‘ão’ e eu sou ‘inho’, sou Toinho, porém encarei”, mas cansado da transformação que o Carnaval foi passando, se distanciou de vez logo em seguida. “Várias coisas me desagradaram, desde o fato das pessoas se preocuparem mais em elevar seu nome do que o nome do samba e da escola, até o lado comercial que as escolas aceitaram deixar em primeiro plano. Não acho justo as pessoas da comunidade pagaram valores altos para desfilar, as escolas estão na periferia e seus moradores são de classe baixa, não acho justo se preocuparem mais com a beleza da fantasia pra ganhar nota do que com o conforto das baianas, não acho justo as modelos, as vedetes serem tratadas com mais importância do que as pessoas da comunidade, por isso me afastei por vinte anos”, relembra o sambista. Mas, esses vintes anos não foram capazes de destruir amizades importantes que Melodia fez dentro do samba e o responsável por sua volta a atividade foi o grande amigo Chapinha, um dos fundadores do Samba da Vela. Nordestino como Toinho, Chapinha se indentificou com o amigo desde os tempos de Vai Vai e nunca mais se afastaram, então, após grande insistência conseguiu levar o amigo para conhecer a comunidade de Santo Amaro, que não só conheceu como compôs também para os cadernos da roda de samba. A partir disso Toinho conheceu outros projetos e hoje faz parte do Kolombolo Diá Piratininga, do Pagode da 27 e de um projeto de Sorocaba, o Panela do Samba. “São Paulo ainda tem samba de verdade sim, fico muito feliz em ver esses meninos levantando a bandeira da fonte que dá a água que bebi, tocando meus mestres Jangada, Toniquinho Batuqueiro e Talismã, por exemplo. Eu canto samba de São Paulo com muito orgulho, sou paulibucano, mistura de paulista e pernambucano e digo mais, o poeta perdeu oportunidade de ficar quieto quando disse que isso aqui é o túmulo do samba, não é não, hoje São Paulo tem muitos projetos que elevam a cultura do samba na sua mais pura essência, aquele samba que veio lá da minha mãe África e tenho grande e verdadeira admiração”, conta Toinho Melodia emocionado.


Sobre o Urucum

A fachada não revela muito, mas a movimentação, a partir da meia noite, entre as ruas Cardeal Arcoverde e Belmiro Braga, intriga boa parte dos frequentadores da Vila Madalena. O local é um tanto quanto escondido, quase um “achado” para os que procuram novidade na noite paulistana e é, ao final de uma longa escada, que a casa se revela com seus ambientes espaçosos – pista, galeria de arte e terraço. A ideia partiu de quatro amigos, dois deles músicos e todos na faixa dos 30 anos. Rodrigo, Zanga Reis, Gabriel e Xexa queriam mais que um bar na Vila Madalena, queriam um local que passasse clima de boteco, tivesse um bom palco para shows, área para os amigos apresentarem suas obras e um espaço aberto para um bom samba de roda e  partidas de sinuca.  Com o local perfeito nas mãos o quarteto então escolheu o nome que melhor definia o lugar – Urucum, que é uma pigmentação usada pelos indígenas principalmente em grandes festas.
A casa está dividida em dois andares. Após subir uma estreita escada, se chega ao salão onde fica o palco do Urucum. Subindo mais um lance de escada se chega ao terraço que tem bar, mesas,  sinuca e um quiosque de comida japonesa, que é uma parceria da casa com o restaurante Sushi Hall.
A programação do Espaço Urucum é bem eclética. “Sendo boa música, entra na programação”, conta  Zanga Reis. Já passaram pela casa Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, Alas dos compositores da Pérola Negra, Bukassa Kabengele, maestro André Marques e sua vitela brasileira, Soul Shakers, Gangsters, Projeto Vinagrete entre outros.
No cardápio Temakis (R$ 12,00), Especial Urucum – 9 sashimis, 6 sushis, 4 uramaki, 4 hossomaki (R$ 43,00), Carpaccio de salmão (R$ 28,00). Cerveja Norteña litrão (R$ 14,90), Balde com 4 garrafas de  Itaipava (R$ 20,00), Balde com 4 garrafas de Original (R$ 27,00), Mojito (R$ 13,00), Cachaças mineiras (R$ 5,50).
Queremos desenvolver e disseminar cultura, através da música, arte e suas vertentes. Conta Gabriel – O Urucum é um espaço em constante mudança que visa um bom atendimento aos clientes e artistas e um cardápio acessível. É um bar para paquerar, com gente bonita, público jovem e clima descontraído. Acredito que o sucesso da casa vem desse clima, não é um local elegante e caro, ao contrário, é boteco mesmo, mas com clima de balada. Finaliza o músico 
A casa abre de terça a sábado e também no último domingo de cada mês.

Laje Urucum
Rua Cardeal Arcoverde, 1.598, Vila Madalena
Dia: 11/11/2012– a partir das 14h
Telefone:  2309-7409

Entrada:
H – R$ 8,00 até 16h / após: R$ 10,00
M –R$ 5,00 até 16h / após:  R$   8,00
Estacionamento: R$ 15,00
Abertura da casa: sexta e sábado: a partir das 22:00hs
Outros dias da semana: Ver programação
Lugares: 200
Ar condicionado: Sim
www.casaurucum.com.br

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