20 de nov de 2012

Para de roubar no jogo, enfrente a vida! Artigo de Renato Schmekel


Para de roubar no jogo, enfrente a vida!
“Muitos homens fracassaram em se tornar pensadores somente porque a sua memória é demasiadamente boa.” Nietzsche (1886)
A maioria de nós se encontra à deriva, sendo levado, arrastado e devolvido pela correnteza, apesar de imaginarmos estar com algum controle sobre nossas vidas. O por quê?

Salvo magnanimidade excelsa de iluminados seres que se conectam a grande força, a maioria de nós, em formato mais realista de vida, ocidental e capitalista, costuma viver e sofrer diariamente.
O mesmo parece se conectar com o fato de estarmos a criar expectativas de sucesso nos projetos que obtusamente elencamos de forma aleatória.  Revelando uma lógica do absurdo característico dos sonhos, que os colocamos em vida e a eles damos formato e governo.
E quando os projetos fracassam, sofremos!   
Nestas horas buscamos qualquer objeto acerca para não naufragarmos.  Agarramo-nos a ele, e o conferimos o “poder” de nos ajudar a sair destas situações, advindas de “pseudo-fracasso”, que muitas vezes nos levam a depressões, desesperos. Ao fim; a dor em si.
É usual, quero crer, que muitos depositam esta sensação “de falta de chão” a nos amparar, ou na religião (seja qual for) ou na filosofia. Imputo aleatoriamente, que os mais crentes, buscam a religião – que promete a salvação pela fé cega.
E que as pessoas de caráter mais racional em comportamento, se arriscam a buscar auxílio na filosofia – que promete a salvação pela razão. Contudo, adentrar na filosofia, não é matéria fácil de realizar, pois a literatura da mesma, fatalmente os empurrará em direção a leitura de obras como as de Kant, Hegel, Nietzsche, Platão ou algum pré-socrático.
Acho dispensável me estender no formato dos que buscam a religião, pois cada um a sua maneira deposita o “problema” em fé, para o divino em sua busca vir a ajudar.
Para fugir do lugar comum, a delatar algum sentido vazio para o texto, o inchando de informações desnecessárias, irei me aventurar a mapear a origem desta turbulência, e a ela dar um pouco de luz para nos ajudar. 
Um amigo falou – caso ele queira, publico depois o nome dele – ter escutado ou aprendido que só existe um pecado: Roubar. E que todo o resto era decorrência deste.
Para compreensão do mesmo é necessário ampliar nossa ideia da palavra roubo. E o mesmo me exemplificou: “Se mentimos, roubamos do outro o direito de saber a verdade”.
Ao colocarmos culpa nos terceiros, os roubamos de se defender e se manter sereno e não agoniado em busca de provar sua inocência.
Se matarmos, do outro retiramos a bênção da vida. 
Se trairmos, induzimos à outra parte a sensação de perda da confiança, além de nele depositarmos semente da indignação por acabar a se sentir um ingênuo e tolo.
Se não cooperamos para a realização do projeto alheio, catapultamos o próximo para o fosso da frustração, como acontece conosco que precisamos dos mesmos próximos para nos completar.
Enfim gostaria de demonstrar ao final, que é inerente as relações sociais, não se desenvolverem na forma 100% suave, e que a todos agrade. Gregos e Troianos.
Talvez seja exatamente desta asserção que podemos encontrar o sêmen, o grão original, que a nós passa despercebido, sendo o responsável, pelas situações geradoras da nossa vivência em sociedade. E que às vezes acaba por nos causar o insucesso.
Logo, o que adoraria concluir é que: caso consigamos ver esta dinâmica em nossas trocas sociais, poderemos ficar menos desamparados e não mais a mercê, ou vagar do inevitável resultado das interações sociais.
Sempre alguém ou alguma coisa nos roubará o direito de algo, ou pode nos incorporar ao poço da frustração.
Imaginem que bom se nos fosse dado a vidência de entender estes cursos decorrentes de qualquer relação – pois o próximo tem seus projetos e não partilha necessariamente de ajudar a concretizar os seus – e vice versa. Tão simples quanto.
Termino: Melhor não perder tanto tempo com a filosofia, ou a religião como bengalas para estes desapontamentos e começar a encarar as verdades da vida.
Abraços,
Renato Schmekel

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