20 de nov de 2012

ncontre-se com o surreal, o dramático e o fantástico no lançamento de Metamorfoses Privadas



O fantástico e o absurdo
Metamorfoses Privadas, lançamento de Rui Xavier pela nVersos, reúne contos que passeiam pelo surreal
            Suspeita-se de que o mundo é caótico. Este é o sentimento que liga os 48 contos do livro Metamorfoses Privadas, escrito por Rui Xavier, dramaturgo e fundador da companhia de teatro e invenção Núcleo 1408.
            Separados entre “Depoimentos e confissões”, “Instruções de bem viver”, “Futuros hipotéticos”, “Saco de coisas” e “Segredos e intimidades”, os contos são narrados em primeira pessoa e trabalham com os mundos fantásticos de cada ser.
            Em todas as histórias, Rui Xavier coloca um elemento surreal. Suas personagens são pessoas comuns que encontram gigantes e seres mitológicos, ou sujeitos por si só fantásticas (um deles jorra água das veias). Ele também brinca com pontos de vista inusitados, como do rapaz que se apaixona por uma ladra de órgãos – e a deixa roubá-lo por amor!
            O humor reflexivo de Rui encanta, como no conto “Quem sabe tudo não sabe de nada”, por exemplo, um personagem que sabe todas as respostas: “Outro dia me perguntaram se Deus existia, e eu disse, sem hesitar: ‘ninguém jamais saberá’.” Ou na sugestão para acabar com um dia de tédio, atirando balas de festim nos pedestres da Praça da República em São Paulo, o que, invariavelmente, terminará com o “atirador” sendo torturado – portanto, “cardíacos e membros do Partido dos Trabalhadores devem evitá-la”.
A influência de Kafka está no título e a presença da literatura fantástica latino-americana também é clara. O clima romanesco é completado pelas ilustrações de Renan Santos: uma caixa torácica que se transforma em muitas coisas e, em metamorfose, retorna ao esqueleto original. Pra visualizar estas passagens, a obra transforma-se em um Flip Book.

Sobre o autor: 
Rui Xavier nasceu em São Paulo, em 1985. É ator, diretor de teatro e autor de vários textos teatrais. Sua estreia como dramaturgo aconteceu em 2004, com o espetáculo Ensaio sobre a liberdade. A partir da montagem do seu texto Os assassinos de Inês de Castro, no ano seguinte, começou a parceria com a atriz Hévelin Gonçalves, com quem fundou em seguida o Núcleo 1408 – Companhia de Teatro e Invenção, que é, hoje, ao lado da literatura, sua principal ocupação como artista.
Ficha técnica:Editora: nVersos
Páginas: 152 páginas
Formato: 17 x 24 cm
Preço: 39,00 reais
ISBN: 978-85-64013-51-3
Entrevista com o autor Rui Xavier:
Os contos não são lineares, mas durante o livro percebe-se uma intensa análise.  Como foi este processo?Eu juntei os contos por famílias, pelas ligações que eles tinham entre si, que eram às vezes lógicas, às vezes, somente afetivas. 
Desde o início já tinha em mente de transformar (unir) seus textos num livro? 
Ao escrevê-los eu não estava pensando em um a obra, cada conto foi fruto de um impulso autônomo, que depois ganhou organização.
A literatura fantástica latino-americana é um gênero com grandes nomes, como você faz para se inspirar sem repetir ou seguir um determinado modelo?
Se pensarmos que todas as mitologias são compilações de histórias fantásticas, trata-se do gênero mais antigo da humanidade. A inspiração para eu não é problema, imaginar monstros e anjos é um dos passatempos preferidos da humanidade, e eu gosto especialmente dele. Difícil é escolher as palavras. 
A rotina e o mundo caótico atual influenciam na limitação da criatividade e da imaginação? Acho que estamos vivendo em um mundo que não estimula a imaginação, porque as imaginações vêm prontas. Nós consumimos imagens e histórias como uns viciados e temos poucos vazios onde essas histórias podem ecoar em coisas novas. Para plantar nossas próprias árvores, pra fazer uma metáfora. Mas não acho que o problema seja o caos; o problema é a ordem - ela é que tem nos sufocado.
Como metamorfo, no espetáculo Cão, acredita que as pessoas passam por mudanças tão drásticas como a sua?
As metamorfoses de artista, como a minha em cão, no meu espetáculo, são apenas mais visíveisMas a verdade é que, depois dos aplausos, a vida segue mais ou menos como era antesAs metamorfoses drásticas pra valer acontecem na vida real, de um homem bom em um assassino, de um assassino em um apaixonado, de uma pessoa para pai ou mãe, de uma cidade para outra cidade que surge com o tempo, e por aí vai...


O autor e suas metamorfoses:
Em seu mais recente trabalho teatral, o espetáculo “Cão”, Rui Xavier entra em cena interpretando um homem que, a partir do agravamento de uma depressão, passa a se comportar como um cachorro. O “Cão” divide o palco com sua esposa, Hévelin Gonçalves, uma publicitária bem sucedida que teme que sua imagem de empresária seja afetada e encontra como solução esconder seu marido. Quando a situação chega ao limite a esposa transforma a plateia em confidente e desabafa todo a história.
O espetáculo “Cão” convida o espectador a refletir, questionar sobre diversos temas com uma pergunta simples “o que fazer com o marido cão?”. Desde o sucesso profissional da mulher à relação dos seres humanos com o trabalho e dinheiro. Tudo isso de uma forma surpreendente, inusitada e surreal.
Espetáculo - CÃO
                Teatro Agusta (Rua Augusta, 943)        
           
Texto: Rui Xavier
Direção: Samya Enes, Hévelin Gonçalves e Rui Xavier
Elenco: Hévelin Gonçalves e Rui Xavier.
Produção: Hévelin Gonçalves.
Ingressos: R$ 30,00 (Inteira)
Horários: Quartas e Quintas às 21h.
Sala Nobre: 302 Lugares - Gênero: Tragicomédia.
Duração: 90 Minutos.
EM CARTAZ ATÉ 01 DE NOVEMBRO DE 2012
Classificação: 14 anos.
Vídeo Teaser: http://www.youtube.com/watch?v=Uj099xKE2IA&feature=plcp

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