2 de out de 2012

show - Roberta Sá - SESC Belenzinho


SESC BELENZINHO APRESENTA
NOVO CD ROBERTA SÁ, SEGUNDA PELE

imagemrs.JPGA cantora Roberta Sá apresenta as músicas de seu quinto disco, “Segunda Pele” (MP,B produções e Universal) em São Paulo, nos dias 04, 05 e 06 de outubro (sexta, sábado e domingo), no SESC Belenzinho. No palco, a cantora apresentará canções do novo álbum e sucessos de outros discos, como “Braseiro”, “Que belo estranho dia pra se ter alegria”, “Pra se ter alegria” e “Quando o canto é reza”.

Das 12 músicas de “Segunda Pele”, sete são inéditas e uma delas - No Bolso- foi composta por Roberta em parceria com Pedro Luís.  O álbum apresenta canções de Caetano Veloso (Deixa Sangrar), João Cavalcanti (O Nego e Eu), Rubinho Jacobina (Bem a Sós), Dudu Falcão (Você Não Poderia Surgir Agora), Carlos Rennó e Gustavo Ruiz (Segunda Pele), Pedro Luís e Mário Sève (Lua), Lula Queiroga (Altos e Baixos e Pavilhão de Espelhos), Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti (A Brincadeira), Wilson Moreira (No Arrebol) e Jorge Drexler (Esquirlas).

A direção musical do show é de Rodrigo Campello, que também toca guitarra e violão tenor e assina os arranjos e as programações. Os músicos que acompanham Roberta no palco são: Sacha Amback (teclados e programações), André Rodrigues (baixo), Paulino Dias (percussão) e Élcio Cáfaro (bateria).

Show: Roberta Sá
Dias: 04/10, 05/10, 06/10. Quinta a Sábado, às 21h30.
SESC Belenzinho - www.sescsp.org.br/belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho/SP - Tel: (11) 2076-9700
Comedoria (500 lugares). Duração: 1h30. Proibido para menores de 18 anos
Ingressos à venda pela rede INGRESSOSESC: R$ 32,00 (inteira), R$ 16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública) e R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Estacionamento: R$ 6,00 (não matriculado); R$ 3,00 (matriculado no SESC).

A NOVA PELE QUE HABITA ROBERTA SÁ

  “Calor, desejo, flerte, feminino e tropical”. Um disco com esses predicados enunciados por sua própria solista só poderia ter um título como Segunda Pele. Com licença de Almodóvar, a pele que Roberta Sá habita em seu quinto disco é mesmo de arrepiar os poros. E por muitos outros motivos, além da faixa-título de Carlos Rennó e Gustavo Ruiz, considerada “bem sensual” pela cantora (“quando ele vem/ faço dele minha luva, o meu collant”), assim como a sapeca Bem a Sós, de Rubinho Jacobina (“se eu me vejo nua/ ninguém pode reparar”) e o rastro de perfume deixado pelos requebros do samba O Nego e Eu, onde o autor João Cavalcanti, do Casuarina, delineia uma personagem feminina de traços melífluos: “Gosto de ser vista pelas festas/ ser seguida pelas frestas/ protagonista do sonho alheio”. Roberta reconhece essas características em trabalhos anteriores, “mas tudo era mais delicado e discreto, e nesse é mais explícito”, diferencia. E acrescenta à lista a exuberante abertura, Lua (“faz o sóbrio enlouquecer/ todo ébrio é poeta/ quando olha pra você”), de Mário Sève e Pedro Luís. Ela nasce mansa e ganha a percussão massiva de A Parede, forrada pelos sopros orquestrados pelo perito Mario Adnet, pós-graduado na matéria nos trabalhos com Moacir Santos. “Lua não deixa de ser uma declaração de amor. Acho que todas têm essa pegada”, anuncia Roberta.

Gravado entre julho e novembro de 2011, o disco produz outro arrepio que não é de frio, como frisa a letra de Segunda Pele. Num repertório tecido preferencialmente com inéditas de contemporâneos (“não queria fazer muitas regravações desta vez”), chama atenção a diversificação de timbres e texturas das orquestrações. “Conversei muito com o Rodrigo Campello (arranjador e produtor do disco, em cujo estúdio MiniStereo foram feitas as principais gravações) e nos inspiramos nos arranjos do Rogério Duprat, nos bons tempos em que as gravadoras tinham orquestras contratadas. A gente sonhava com um disco cheio de sopros desde o ‘Braseiro’ (o da estreia, em 2004). Pela primeira vez tivemos a chance de colocar todas as ideias em prática com conforto, algo finalmente possível por causa do patrocínio da Natura. Eles não interferem em nada no processo criativo e querem ver a música acontecer. Chegamos aos arranjadores muito diferentes e igualmente talentosos com os quais gostaríamos de trabalhar”, conta, extasiada com o timaço de músicos arregimentados para a gravação. “Isso tudo é pra mim?” Claro, e é preciso ser a grande cantora que é Roberta Sá para dar conta de tão sedutora moldura.

 Além de Campello (“ele é do mundo”), autor da maioria dos arranjos, e Adnet (“luxuoso, elegante”), há a Orquestra Criôla de Humberto Araújo (“eles são da rua, da gafieira, do baile”), uma mistura explosiva que acentua a intensa pulsação do roteiro. Há espaço até para uma epitelial bossa nova, Você Não Poderia Surgir Agora (Dudu Falcão) com direito a um piano jobiniano, do neto do homem, Daniel Jobim. Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti customizaram o maxixe na saborosa A Brincadeira, cerzida por acordeom, tuba e euphonium. Lula Queiroga assina duas faixas do disco. A irônica Altos e Baixos (“eu sou Jesus/ tirando férias no inferno/ pobre feliz de mim”), com o sobrinho Yuri Queiroga, e o insinuante Pavilhão de Espelhos, a dos timbres mais inusitados, com a kora tocada por Ballaké Sissoko, do Mali, e o cello do francês Vincent Segal, dupla do consagrado disco “Chamber music”. “Um casal de amigos, o brasileiro Marcello Bueno e a francesa Corinne, em Paris, nos apresentou este disco. Eles são produtores de um monte de gente bacana no circuito europeu”, conta Roberta. Para que a dupla fosse incluída, a gravação teve que ser realizada em Recife, onde eles tinham ido participar do festival MIMO. “Ficamos encantados com essa sonoridade diferente e deslumbrante. Além disso, o encontro com músicos do mundo me interessa muito. A gente tinha outra ideia pro ‘Pavilhão’, mas quando eles entraram para gravar levaram a música a um lugar totalmente inesperado. A beleza de fazer um disco mora aí. Há de se abrir espaço para a novidade e a surpresa”, prega.


 E eis mais uma: Esquirlas, onde ela dueta com o autor, o uruguaio Jorge Drexler. “Achei que havia chegado a hora de me lançar nesse desafio como intérprete, o de gravar em outra língua. Drexler faz parte dos compositores contemporâneos que admiro e ele me veio com essa inédita. ‘Ahi vá mi voz buscándote muerta de fiebre’ poderia ser o título do disco. ‘Esquirlas’ são estilhaços de bombas, o que forma uma imagem, infelizmente muito corriqueira nos dias de hoje”, conclui. É um momento de reflexão do enredo, onde impera a gandaia. Como no dub/frevo incendiado por sopros No Bolso (“faça silêncio/ a pausa é sua/ que o caos é logo depois da curva”), uma parceria da cantora com o marido Pedro Luís, exceção em sua proposta inicial: “eu não estava compondo o que queria cantar”. A música surgiu de uma conversa caseira. “Trocamos uma ideia e ele veio com essa letra duas horas depois. Sentamos no sofá e terminamos a música juntos. É feita pra pular, para tirar a loucura do mundo do nosso sistema”, define. Ela antecede uma das duas regravações do repertório, o frevo trieletrizado Deixa Sangrar, de Caetano Veloso, lançado por Gal Costa no carnaval baiano de 1970.

 “O carnaval de rua sempre fez parte da minha história. Criança, eu saía pintada nos blocos de rua no veraneio em Muriú, no Rio Grande do Norte”, lembra a potiguar radicada no Rio. “Adolescente, gastei muita sola de tênis atrás do trio elétrico. Casei com um dos maiores representantes do carnaval carioca e amo ver o Monobloco. Vou a Recife quase todo ano e o carnaval de rua no Rio cresce a olhos vistos. Adoro essa atmosfera de luxúria, beleza e fantasia com a elegância e o glamour que só existem no carnaval do Brasil”, elogia. “Essa sonoridade do frevo, da marcha é pouco explorada fora do carnaval. E há tempos eu queria gravar algo do Caetano, uma grande referência para mim, principalmente quando se trata de sonoridade em disco. Essa música me foi apresentada pelo Zé Renato. Cantávamos juntos nos bailes pré-carnavalescos com o Trio Madeira Brasil no Clube Democráticos, na Lapa, em 2006 e 2007”, lembra.

Outra regravação é a belíssima No Arrebol, “um jongo com jeito de reggae”, como define Roberta, do mestre do samba e da cultura afro-brasileira Wilson Moreira. “Sou fã do Seu Wilson e queria gravar alguma coisa dele de qualquer jeito. Em 2010, nos aproximamos, fui a casa dele e dona Ângela, sua mulher e anjo da guarda, fez um bobó de camarão pra mim. Tomamos uma cervejinha, ele me mostrou essa pérola e disse que adoraria ouvi-la na minha voz. Foi a primeira música que escolhi. Para mim, é o oásis do disco. No meio do deserto, do mundano, do calor, da agonia, vem essa água fresca. É o lugar que eu almejo, o arrebol é onde eu quero chegar”, suspira. E Roberta Sá veste com prazer esta “Segunda Pele”, reveladora e luminosa até para a própria protagonista. “É um disco transformador. Acho que estou mais direta, segura, clara”.

Tárik de Souza / Janeiro 2012



SOBRE ROBERTA SÁ

Nasceu em Natal (RN) em 19 de dezembro de 1980. Aos nove anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Aos 16, começou a frequentar aulas de canto.  Aos 20 anos, tornou-se aluna de Vera Maria do Canto e Melo. O marco zero de sua carreira foi um show no Mistura Fina, no Rio, em 2002. O preparador vocal Felipe Abreu estava lá e virou seu parceiro e amigo.

Felipe indicou o músico Rodrigo Campello para produzir uma primeira “demo” da cantora, com o arranjador Paulo Malaguti. O trabalho chegou às mãos de Gilberto Braga, que a convidou para gravar “A Vizinha do Lado”, de Dorival Caymmi, como tema da novela “Celebridade”.

Em 2004 veio o primeiro disco, “Braseiro”, com produção de Rodrigo Campello e a direção de voz e coro de Felipe Abreu. “O repertório é uma declaração de amor à música popular brasileira. Pelo menos a que eu conhecia até aquele momento. É um álbum de memórias musicais afetivas. Foi aí que começou minha formação profissional, através do convívio com músicos e artistas fabulosos”, diz Roberta. Ney Matogrosso, MPB-4 e Pedro Luís e A Parede foram os convidados.

“Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria”, o segundo disco, foi lançado em 2007. Lenine, Carlos Malta e Pife Muderno, Hamilton de Holanda Silvério Pontes e Zé da Velha foram os convidados especiais. “Tenho a sorte de ter gravado os discos que quis, com as pessoas que escolhi”, diz ela.

Dois anos depois, Roberta Sá reuniu o repertório dos dois primeiros álbuns no show “Pra Se Ter Alegria”, que contou com a direção do cantor e compositor Pedro Luís e da jornalista Bianca Ramoneda. A apresentação resultou em um DVD dirigido pela Samba Filmes e um CD que reúne sucessos como “Alô Fevereiro”, “Interessa?”, “Janeiros”, “Mais Alguém”, “Eu Sambo Mesmo” e “Agora Sim”. Um ano após o lançamento, Roberta ganhou o prêmio de DVD de Ouro.

O projeto seguinte de Roberta Sá nasceu numa conversa na Lapa. Em 2010, ela se juntou ao Trio Madeira Brasil (de Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim) e gravou “Quando o Canto é Reza”, homenagem ao compositor baiano Roque Ferreira. O disco tem coco, maxixe, samba carioca, maracatu, samba-de-roda e 13 canções do compositor – oito delas, inéditas.

No final de 2011, Roberta ultrapassou a marca de 200 mil discos vendidos, com dois CDs e um DVD de Ouro. Apresentou, no ano passado, mais de 100 shows em vários estados brasileiros e em Portugal. “Segunda Pele”, de 2012, é seu quinto disco.

Nenhum comentário: