4 de out de 2012

Encontro com o surreal e o fantástico - Lançamento do livro de Rui Xavier


O fantástico e o absurdo
Metamorfoses Privadas, lançamento de Rui Xavier pela nVersos, reúne contos que passeiam pelo surreal
            Suspeita-se de que o mundo é caótico. Este é o sentimento que liga os 48 contos do livro Metamorfoses Privadas, escrito por Rui Xavier, dramaturgo e fundador da companhia de teatro e invenção Núcleo 1408.
            Separados entre “Depoimentos e confissões”, “Instruções de bem viver”, “Futuros hipotéticos”, “Saco de coisas” e “Segredos e intimidades”, os contos são narrados em primeira pessoa e trabalham com os mundos fantásticos de cada ser.
            Em todas as histórias, Rui Xavier coloca um elemento surreal. Suas personagens são pessoas comuns que encontram gigantes e seres mitológicos, ou sujeitos por si só fantásticas (um deles jorra água das veias). Ele também brinca com pontos de vista inusitados, como do rapaz que se apaixona por uma ladra de órgãos – e a deixa roubá-lo por amor!
            O humor reflexivo de Rui encanta, como no conto “Quem sabe tudo não sabe de nada”, por exemplo, um personagem que sabe todas as respostas: “Outro dia me perguntaram se Deus existia, e eu disse, sem hesitar: ‘ninguém jamais saberá’.” Ou na sugestão para acabar com um dia de tédio, atirando balas de festim nos pedestres da Praça da República em São Paulo, o que, invariavelmente, terminará com o “atirador” sendo torturado – portanto, “cardíacos e membros do Partido dos Trabalhadores devem evitá-la”.
A influência de Kafka está no título e a presença da literatura fantástica latino-americana também é clara. O clima romanesco é completado pelas ilustrações de Renan Santos: uma caixa torácica que se transforma em muitas coisas e, em metamorfose, retorna ao esqueleto original. Pra visualizar estas passagens, a obra transforma-se em um Flip Book.
Sobre o autor:
Rui Xavier nasceu em São Paulo, em 1985. É ator, diretor de teatro e autor de vários textos teatrais. Sua estreia como dramaturgo aconteceu em 2004, com o espetáculo Ensaio sobre a liberdade. A partir da montagem do seu texto Os assassinos de Inês de Castro, no ano seguinte, começou a parceria com a atriz Hévelin Gonçalves, com quem fundou em seguida o Núcleo 1408 – Companhia de Teatro e Invenção, que é, hoje, ao lado da literatura, sua principal ocupação como artista.

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