13 de out de 2012

BRASIL E MÉXICO DISCUTEM RELAÇÕES BILATERAIS DURANTE SEMINÁRIO DO 17º MEETING INTERNACIONAL DO LIDE

Realizado pelo LIDE, debate destacou necessidade de união dos países para o fortalecimento da economia


Na abertura do Seminário Internacional, realizado nesta manhã, 12, durante o 17º Meeting Internacional, organizado pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais,  Marcos Raposo, embaixador do Brasil no México ressaltou que os dois países estão vivendo um momento fértil, onde a cooperação deve se tomar conta da competição, “o Brasil precisa ter mais participação no mercado consumidor, já o México precisa diversificar suas relações comerciais”. O encontro reúne 110 empresários brasileiros, mexicanos e autoridades dos dois governos de até 13 de outubro em Punta Mita, no México, para debater Os desafios da economia latino-americana.
Dando início a agenda de debates, o economista e presidente do LIDE ECONOMIA, Paulo Rabello de Castro, que debateu com os empresários presentes “O Brasil na América Latina e a América Latina no mundo”, afirmou que a união entre Brasil e México pode originar um PIB muito mais amplo. “O sinal está verde para que possamos investir e potencializar negócios” e completa “o Brasil, através das iniciativas junto com a Argentina e outros países liderados pelo Mercosul, tem condições de se somar ao México, que, por sua vez traz em sua bagagem sua rica  experiência com a América Central.
 
O Brasil está devendo em termos de atividade econômica e desempenho comercial. Nos últimos 20 anos, o país enfrentou uma sequência quase ininterrupta de dificuldades econômicas. “Fomos guiados por ventos terríveis nesses anos e, obviamente, todos vinculados ao endividamento externo que, finalmente, é uma página virada”.
 
Segundo o economista, um país que sofre o processo de hiperinflação guarda sequelas importantíssimas. "Precisamos lutar para mudar este quadro", alerta. “O Brasil é um pais que pratica a correção monetária residual, com resíduos públicos que precisam ser revistos com coragem durante o processo de modernização", completa Rabello de Castro
 
O Brasil está buscando a união com os países da América Latina e para isso, enfrenta desafios como a inovação, investimentos na infraestrutura, este último figurado como elemento fundamentalligado a capacidade de integração de transporte que viabilize a facilidade no processo de entrada e saída no Brasil e México. “Nosso país terá que aprender a administrar a abundância e não a escassez”, explica Rabello. “Investimos pouco quando a burocracia consome o que era para estar sendo aplicado no investimento”, completa.
 
Para Paulo Rabello de Castro, é necessário ser socialista. “Assumir essa postura não é confiscar o capital do empresário, mas sim repartir o capital do Estado”. “É preciso sair do estatismo e assumir o socialismo”, finaliza.
 
Desafios econômicos
 
Com o tema “Os desafios da economia latino-americana”, Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dá sequência ao segundo painel do dia, apontando os resultados no setor automotivo nos dois países. Nos últimos cinco anos, a quantidade de veículos vindos do México cresceu 260%, já o Brasil teve uma redução de 50% nas exportações, causando um desequilíbrio na balança comercial de ambos.
 
De acordo com Skaf, a situação gerou uma ameaça no ACE 55 (Acordo de Complementação Econômica) do setor automotivo, assinado pelo Mercosul e o México, em setembro de 2002 e internalizado no Brasil, “mas após nova conversa, houve um novo acordo para se estabelecer uma relação de livre mercado” explica Skaf.
 
Existe um grande interesse, por parte do Brasil, em incrementar os negócios com o México, que atualmente estão em déficit. “Em setembro, durante visita do presidente Enrique Peña Nieto, pudemos expressar nossa vontade de estreitar as relações, garantindo assim, um futuro com acordos promissores para os setores produtivos”, lembra o presidente da Fiesp.
 
Paulo Skaf chamou a atenção dos empresários e garantiu que o setor deve apoiar todos os acordos firmados pelos dois governos. “Sempre que se existe um acordo como este – ACE 55-, há uma resistência dos setores empresariais, visão essa que deve e irá mudar daqui pra frente para a expansão”.
 
O presidente da Fiesp mostrou otimismo em relação ao crescimento de negócios entre os dois países. Para ele, quando há vontade política, disposição dos setores produtivos e interação entre os países é possível fazer o comércio crescer e beneficia a todos. “Temos um estudo em que consultamos os principais setores quanto à disposição de um acordo com o México. O resultado é que, excetuando o setor de eletroeletrônicos, todos os demais estão dispostos a negociações e acordos com o México”, explicou.
 
O México deve crescer 4% este ano e o Brasil 1,4%. Já os Estados Unidos chegará a 2,2%, enquanto a China 7,8%. Somente a zona do euro que terá um crescimento negativo dentro deste quadro. “Para o Brasil, o principal peso negativo no PIB é o fraco desempenho da indústria, fortemente impactada pela crise na Europa e pela diminuição do consumo no Brasil”, esclarece Skaf. “Unir forças com o México certamente nos ajudar a elevar os números que, para nós, são importantes que sejam positivos”, finaliza.
 
SOBRE O MEETING INTERNACIONAL - O Meeting Internacional, realizado anualmente pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, é o maior evento brasileiro fora do país. É uma iniciativa de reunir empresários, grandes corporações e governos de diferentes países com o objetivo de fortalecer relacionamentos e debater importantes questões, com temas de desenvolvimento econômico, social e ambiental. A programação é composta por seminários, palestras, atividades de relacionamento, estimulando negócios e networking entre os CEOs e convidados. O evento já foi realizado na África do Sul, Argentina, Aruba, Chile, Colômbia, Itália, Portugal e República Dominicana.
SOBRE O LIDE - Fundado em junho de 2003, o LIDE - Grupo de Líderes Empresariais possui nove anos de atuação. Atualmente tem 1.224 empresas filiadas (com os braços regionais e internacionais), que representam 47% do PIB privado brasileiro. O objetivo do Grupo é difundir e fortalecer os princípios éticos de governança corporativa no Brasil, promover e incentivar as relações empresariais e sensibilizar o apoio privado para educação, sustentabilidade e programas comunitários. Para isso, são realizados inúmeros eventos ao longo do ano, promovendo a integração entre empresas, organizações, entidades privadas e representantes do poder público, por meio de debates, seminários e fóruns de negócios.
 

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