3 de set de 2012

Escolas de Moçambique podem adotar modelo do Cozinha Brasil

A experiência do programa de educação alimentar Cozinha Brasil, desenvolvido pelo SESI, será aproveitada no treinamento de merendeiras moçambicanas, conforme acordo de cooperação técnica que o governo brasileiro está formalizando com aquele país.

Nos próximos dias, técnicos do SESI, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) ligada ao Ministério das Relações Exteriores e do Programa Mundial de Alimentação da ONU discutirão as bases do novo acordo e as formas de reposicionamento do programa em Moçambique . "O modelo do Cozinha Brasil se encaixa no programa de alimentação escolar", observou o analista de projetos da ABC - Gerência de África, Ásia e Oceania, Armando Cardoso.

No Brasil, cerca de 1 milhão de trabalhadores da indústria, familiares, merendeiras, crianças e população em geral já participou de cursos com orientações sobre alimentação de alto valor nutritivo, e a baixo custo que contribuem para elevar o nível de saúde e a qualidade de vida. Moçambique foi o primeiro país a receber transferência da tecnologia social do Cozinha Brasil, atualmente replicado no Uruguai e em fase de implementação na Guatemala, Honduras e El Salvador. Entre 2009 e 2011, foram oferecidos cursos a três mil moçambicanos em 55 distritos e entregues duas unidades móveis, doadas pela iniciativa privada brasileira.

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli, reuniu-se em abril deste ano com o primeiro ministro de Moçambique, Aires Bonifácio Baptista Ali, que manifestou disposição em contribuir com esta nova etapa de cooperação, levando o Cozinha Brasil para as escolas moçambicanas.
 
PesquisaOs técnicos da ABC, do MEC e do Centro de Excelência contra Fome no Brasil conheceram resultados do Cozinha Brasil-Moçambique auferidos por pesquisa feita pelo SESI do Rio Grande do Sul.
 
Um mesmo questionário com 62 perguntas foi aplicado a 706 alunos moçambicanos, no primeiro dia de aula, e repetido após três meses com399 participantes dos cursos, ouvidos por telefone. A coordenadora do Cozinha Brasil do Rio Grande do Sul, Rosangela Lengler, informa que se detectou uma evolução de quase 30% no grau desconhecimento, na atitude e na mudança de comportamento dos alunos em relação a hábitos alimentares, higienização e aproveitamento integral dos alimentos.

Para Armando Cardoso, da ABC, os alunos compreenderam e apreenderam as informações transferidas, com resultados melhores aos obtidos em pesquisas semelhantes feitas no Brasil.

A socióloga do SESI-RS Ceres Maria Guimarães Souza destaca ainda outros pontos curiosos da pesquisa que entrevistou alunos entre14 e 69 anos, com renda média mensal de US$ 157 e gastos em torno de US$ 103 com alimentação. A maioria das famílias tinha seis integrantes e, segundo a analista, o aprendizado entre os mais velhos foi mais eficaz apesar de grande parte dos alunos ter cerca de 30 anos. Apenas 62% tinham acesso a energia elétrica e 25% a água encanada. Dos entrevistados, 9,5% possuíam fogão a gás e 33% geladeira.

Moçambique é considerado um dos países mais pobres do mundo, ocupa o 172º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que classificou 177 países.  O país registra alto índice de desnutrição e possui elevadas disparidades regionais, como o risco de morte para crianças menores de cinco anos ser três vezes maior no distrito de Cabo Delgado do que na capital Maputo.

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