27 de ago de 2012

ROMPER COM AS AMARRAS DO PRECONCEITO


                                                                                                                               
                                                                                                                                *Sebastião Misiara                 
                                         

Emerson, um garoto com deficiência de 15 anos de idade, morador de Barretos, no interior de São Paulo, e rejeitado por várias escolas na cidade, seria mais um aluno sem “uma escola adequada” para suas necessidades se não houvesse uma forte determinação da coordenação regional do MEC de fazer valer seu direito à educação formal e pública.
                                           Os esforços dos professores do Emerson resultaram no desenvolvimento surpreendente de um aluno que se tornou referência na escola e revelador de uma personalidade sensível e com evidente inclinação para as artes.
                                           O saudoso professor Luiz Baggio Neto, cuja deficiência rara que encurtou sua vida, gostava de lembrar a história do Emerson, testemunhada pela professora Maria Alice Duarte Pereira e narrada, ano passado, durante a 2ª Caravana da Inclusão em Olímpia.
                                            Esse caso não é exceção no Brasil. Nosso país tem uma tradição em desperdiçar talentos e acreditar que só tem gênios no futebol, como se essa distinção nos fizesse dignos do maior respeito.
                                          O mais interessante nesse caso do Emerson, contado em toda a Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, em 2011, é o fato de toda essa transformação foi conseguida em uma sala de aula normal, com outros alunos sem deficiência, seguindo o compromisso pedagógico de se adotar a Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, conforme a lei.
                                         A Educação Inclusiva já é praticada no mundo todo e consiste em fazer com que a escola receba o aluno com deficiência como outro qualquer e esteja pronta para reconhecer suas necessidades, com professores aptos, treinados e preparados para esse fim.
                                        De acordo com o Decreto Federal nº 6571, o MEC definitivamente adotou a inclusão como regra para a educação fundamental, com objetivos claros de eliminação de barreiras.
                                       Na prática o que as escolas devem fazer é promover a acessibilidade em suas instalações, valerem-se de salas com recursos multifuncionais, utilizarem tecnologia para facilitar o acesso aos conteúdos, sobretudo para aqueles com deficiência visual e auditiva, e garantir formação continuada aos professores.
                                         Entretanto, esse modelo educacional exige algo que não é tão fácil de ser encontrado: o compromisso com a construção de um mundo mais justo e igualitário.
                                        Quando a criança ingressa na escola, está sendo apresentado ao mundo e iniciando sua vida social fora da família. A escola comprometida com sua tarefa vai dar ao aluno com deficiência essa oportunidade de se envolver com seus colegas, para que cada um respeite a identidade do outro.
                                       Precisamos romper com as amarras do preconceito social que associam à pessoa com deficiência, a incapacidade de realizar, estudar e trabalhar.
                                        A 3ª Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, promovida pela Uvesp e Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência tem um objetivo, sonho inspirado na garra da professora da USP, doutora em fisiatria e secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella.
                                        Mudar a história da deficiência nesse Estado, cuja obra prima é o bem estar das pessoas.

                                       *Sebastião Misiara
                             Presidente da União dos vereadores do Estado de São Paulo
Vice-presidente da União dos Vereadores do Brasil
Diretor da Associação Paulista de Municípios

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