16 de ago de 2012

Galeria Nara Roesler inaugura espaço curatorial com exposições de Patrick Charpenel e Lucia Koch


GALERIA NARA ROESLER INAUGURA ESPAÇO

DEDICADO A PROJETOS CURATORIAIS


Abertura terá mostra organizada pelo mexicano
Patrick Charpenel e exposição da brasileira Lucia Koch

PARA FOTOS EM ALTA RESOLUÇÃO: www.canivello.com.br

Quando abriu as portas de sua galeria na capital paulista, em 1989, a pernambucana Nara Roesler sacudiu o mercado com uma proposta inovadora. Além de atuar incessantemente para promover a arte contemporânea, ela ajudou a expandir as fronteiras da prática artística ao estreitar o diálogo entre os nomes mais expressivos da cena latino-americana. Quase duas décadas e meia depois, mais uma ação inédita reforça a sua posição na linha de frente do mercado de arte no país, ao redefinir o papel das galerias: no dia 1 de setembro, a Nara Roesler amplia suas instalações inaugurando uma nova área de exposições, com 700 m2, destinada a abrigar primordialmente projetos curatoriais.
Batizado de Roesler Hotel, o espaço funcionará como plataforma independente onde artistas e curadores poderão refletir sobre suas práticas e trocar experiências. Para marcar a data, a galeria abre no mesmo dia duas grandes mostras simultâneas: a coletiva internacional O Bom e o Mau, com obras de 13 artistas e dois coletivos sob a curadoria do mexicano Patrick Charpenel, diretor da prestigiosa Colección/Fundación Jumex; e, na já tradicional sala de exposições, Materiais de construção, trabalho inédito da artista gaúcha (radicada em São Paulo) Lucia Koch.
O novo ambiente tem dois pavimentos e ocupa a casa onde antes funcionava a extinta galeria Thomas Cohn – que, após uma longa reforma saída da prancheta da arquiteta Marta Bogéa, foi anexada ao prédio da Nara Roesler, formando agora um único conjunto arquitetônico na tradicional Avenida Europa, na região sul da cidade.
A expansão levou em consideração a atual posição do Brasil no palco mundial. O país que detém a sexta maior economia do mundo em PIB nominal apresenta um panorama contraditório. “A cena cultural da cidade de São Paulo, onde vivem mais de 11 milhões de habitantes, está mudando ativamente e é crescente a demanda por arte internacional. De outro lado, porém, depara-se com as limitações da presença institucional e a escassez de um circuito artístico que acolha discursos diferentes. A partir dessa constatação, assumimos o compromisso de oferecer um espaço capaz de reunir, a cada três meses, as experiências e reflexões de artistas e curadores brasileiros e internacionais. Queremos criar uma esfera ativa de know-how em curadoria para explorar relacionamentos transnacionais, ideias e debates inovadores sobre a cultura visual.”, enfatiza Daniel Roesler, diretor da galeria.
Após Patrick Charpenel, o próximo nome a assinar um projeto curatorial para o novo espaço será Vik Muniz. O fotógrafo paulista, um dos artistas brasileiros de maior prestígio no circuito internacional, passou a ser representado pela Galeria Nara Roesler há cerca de dois meses e já definiu o tema de sua curadoria, programada para novembro: a op-art.
O BOM E O MAU
Em seu primeiro trabalho no circuito brasileiro, o curador mexicano Patrick Charpenel abre o programa de parcerias internacionais do Roesler Hotel, novo espaço expositivo da Galeria Nara Roesler, em São Paulo. Colecionador, historiador de arte e filósofo de formação, reconhecido por explorar em suas montagens os paradoxos e as ambigüidades da cultura contemporânea, ele tem expressiva atuação em curadorias independentes na cena latino-americana. Charpenel dirige a prestigiosa Colección/Fundación Jumex, da Cidade do México, que abriga um dos acervos particulares mais representativos da produção de arte contemporânea nacional e mundial.
Na coletiva O Bom e o Mau, o curador convidado apresenta trabalhos de dois coletivos e 13 artistas de nacionalidades diversas. Executadas em variados meios e linguagens, todas as obras refletem sobre as ‘ações sensíveis’ realizadas no contexto das hegemonias políticas e econômicas da globalização.
A exposição reúne instalações, vídeos, foto, performance, filme em 16 mm e escultura, produzidos em diferentes partes do mundo, entre os anos 1990 e 2011. Através desse conjunto de obras, Charpenel discute as práticas culturais, financeiras e políticas do neoliberalismo. A mostra sinaliza, ainda, a necessidade de se superar os velhos dogmas do sistema de produção e consumo para o surgimento de um novo sentido de compromisso moral. “Nesta era de tecnologia e de constante movimento, existe grande necessidade de vida ética; os homens do novo milênio querem fortalecer os valores morais e melhorar a qualidade da comunicação”, diz o curador.
Patrick Charpenel se inspirou na obra do cubano-americano Félix González Torres (1957-1996) e nas posições adotadas pelo artista para conceber a montagem da mostra. O curador busca uma linha de empatia e cumplicidade humanas e cita como referência de seu projeto a instalação Portrait of Ross [Retrato de Ross], apresentada porGonzález Torres em 1991, no momento da morte de seu parceiro em decorrência do vírus HIV. A obra interativa, constituída de um montinho de guloseimas e exposta num canto da sala de exposições, tinha peso idêntico ao do parceiro do artista. Ali, o público era convidado a pegar e a comer os doces. Ao consumir pequenos fragmentos da obra, os visitantes participavam de um ato de comunhão com a perda física e espiritual. Assim também, cada trabalho dos 15 artistas que integram a mostra do Roesler Hotel, segundo o curador, “toca nas fibras espirituais da natureza humana, permitindo uma conexão direta entre seres que se relacionam e se comunicam”.
O curador
Nascido em 1967 na cidade de Guadalajara, Patrick Charpenel acumula em seu currículo uma série de importantes exposições em galerias e espaços institucionais dentro e fora do México. Entre suas principais curadorias estão Acné, no Museu de Arte Moderna (Cidade do México, 1995), Inter.play, no Espaço Moore(Miami, 2003), Edén, com a Colección/Fundación Jumex  (2003), Sólo los personajes cambian, no Museu de Arte Contemporânea de Monterrey (México, 2004) e Franz West, no Museu Tamayo (Cidade do México, 2006). Charpenel também é escritor e autor de textos críticos publicados em revistas especializadas e catálogos.
Os artistas
Os artistas selecionados para integrarem a mostra O Bom e o Mau são, em sua maioria, nomes de trânsito no cenário da arte contemporânea, vários deles com trabalhos premiados e reconhecidos internacionalmente. Muitos já participaram de mostras no Brasil. Vindos de diferentes gerações, quase todos, porém, estão na faixa dos 51 a 37 anos de idade. Cinco deles nasceram nos anos 1960 (Pawel Althamer/Polônia; Ana Torfs/Bégica; R.H.Quaytman/EUA; Roman Ondák/Eslováquia; e Cao Guimarães/Brasil). Outros sete, na década de 70 (FernandoOrtega/México; Sharon Hayes/EUA; Danh Vo/Vietnã; Alejandro Cesarco/Uruguai; Minerva Cuevas/México;Tim Lee/Coréia do Sul; e Kerry Tribe/EUA). A exceção é Moyra Davey, nascida em Toronto no Canadá, em 1958. Além deles, dois coletivos de arte participam da exposição: o atuante grupo dinamarquês Superflex, criado em 1993, e o Claire Fontaine, fundado em 2004, com sede em Paris.

SERVIÇO

GALERIA NARA ROESLER
Av Europa, 655 – Jardim Europa

O Bom e o Mau
Curadoria de Patrick Charpenel
De 1 de setembro a 3 de novembro
Abertura: 11h as 15h
Horário da exposição: de segunda a sexta, das 10h às 19h  / sábado, das 11h às 15h

Ficha técnica: Artistas/Obras:
  • Alejandro Cesarco, “Zeide Isaac”(2009), vídeo (filme 16mm transferido para dvd)
  • Ana Torfs, “Du mentir-faux” (2000), instalação com projeção de slides
  • Cao Guimarães, “Gambiarras”(2007-2012), fotos
  • Claire Fontaine, “Capitalism Kills Love” (2011), instalação
  • Dahn Vo, “The project 02/02/1861 (Last letter of Sian Théophane Vénard to his father before he was decapitated)”, carta (tinta sobre papel, 29,7cm x 21 cm)
  • Fernando Ortega, “Desafinado, afinado” (2005), díptico de fotos 40 cm x 60 cm cada
  • Kerry Tribe, “Parnassius mnemosyne”(2010), filme 16 mm (em loop)
  • Minerva Cuevas, “Recommendation Letter issued by Galeria Nara Roesler”, da série “Recommendation Letter (2012) carta (tinta sobre papel, 28 cm x 21 cm)
  • Moyra Davey, “2B”, (2012) 12 fotos c-print digital, fita adesiva, postais, etiqueta e tinta, 12 x 18 cm cada
  • Pawel Althamer, “Untitled” (1994), performance
  • R.H Quaytman,  “Point de Gaze, Chapter 23”(2011), óleo, gesso e madeira, 31.4 x 50.8 cm (imagem anexa)
  • Roman Ondak, “Pocket Money of my son” (2007), moedas e madeira
  • Sharon Hayes, “Everything else has failed, don’t you think it is time for love?”(2007), instalação (áudio e cinco trabalhos em tinta spray sobre papel, de 50 cm x 60 cm cada)
  • Superflex, “The Financial Crisis”(2009), vídeo (12 minutos)
  • Tim Lee, “Funny face, George and Ira Gershwin 1933”(2002), instalação dvd 2 canais

OS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DE LUCIA KOCH
Desde o começo dos anos 90, os trabalhos da artista gaúcha radicada em São Paulo são interações com a arquitetura, alterações na luz ambiente que provocam mudanças sensíveis na percepção do espaço. Desta vez, porém, não se trata de um projeto de intervenção. No endereço convencional da Galeria Nara Roesler, em São Paulo, a artista Lucia Koch apresenta trabalhos inéditos nos quais reapresenta os materiais inventados para intervenções realizadas nos últimos dez anos, dispostos em expositores industrializados e "catalogados" por padrões e tipos de materiais. Cada conjunto/mostruário é uma obra autônoma, que possui configurações variadas, pois seus painéis podem ser movidos pelo observador. A mostra Materiais de construção começa na vitrine da galeria e se completa na sala de exposições.
Na vitrine, o publico verá Entulho [2012], uma caixa gradeada que contém o acúmulo de sobras de cortes em chapas de materiais diversos, feitos pela artista ao longo de dez anos. Os padrões vazados nas placas de acrílico ou MDF foram desenhados a partir da observação de elementos arquitetônicos reconhecíveis, e estes materiais foram usados em intervenções em espaços de museus e galerias, e também em ambientes domésticos. Neste trabalho todas as peças que restaram dos cortes, antes guardadas e organizadas por tipo, forma e material, são misturadas irreversivelmente.
Para receber Materiais de construção, o espaço da galeria será convertido em show-room, ocupado por displays de metal com painéis deslizantes, como os encontrados em lojas para as amostras de pisos cerâmicos, laminados, portas, etc. Nesses expositores são guardados e exibidos os variados materiais de construção da artista, criados ao longo de anos de produção, e pensados para arquiteturas especificas: chapas recortadas a laser com padrões vazados em acrílico ou madeira; telas translúcidas com degradês impressos; fotografias de paredes fictícias compostas a partir de imagens de azulejos e pastilhas, colecionadas na observação contínua de fachadas das cidades que frequenta.
“Em Materiais de Construção as peças não são instaladas na arquitetura, o lugar é suprimido” – adianta a artista. Cada display ali contém um conjunto de possibilidades de uso destes materiais, realizadas ou não - acervo exposto ao público, que pode experimentar a saturação da diversidade e da sobreposição das peças em movimento.
Sobre a artista
Lucia Koch nasceu em Porto Alegre, em 1966. Nos anos 90, começou a realizar uma série de intervenções em espaços domésticos, prática que se estenderia também às instituições, com projetos concebidos para os lugares e situações encontrados. Participou de coletivas internacionais no Brasil e no exterior, incluindo A terrible Beauty is born (Bienal de Lyon, 2011), Como viver Junto (Bienal de São Paulo, 2006), More than this! (Bienal de Göteborg, 2005) e Poetic Justice (Bienal de Istambul, 2003).
Entre suas exposições mais recentes estão Seco, sujo e pesado, intervenção na Galeria Nara Roesler (São Paulo, 2011); Casa de Espelhos - Conjunto Nacional (Galeria Caixa Cultural, SP,  2009); Casa Acesa (La Casa Encendida, Madri, 2008); e Correções de Luz (Centro Universitário Mariantonia, SP, 2007) e Two Todays(Starkwhite Gallery, Auckland - Nova Zelândia, 2007). Lucia Koch tem obras em importantes coleções no Brasil e no exterior.

SERVIÇO
GALERIA NARA ROESLER
Av Europa, 655 – Jardim Europa

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO
Individual de Lucia Koch
De 1 de setembro a 6 de outubro
Abertura: 11h as 15h
Horário da exposição: de segunda a sexta, das 10h às 19h  / sábado, das 11h às 15h

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