27 de ago de 2012

Expositores se animam com primeiro fim de semana da Feira da Agricultura Familiar


Um contraste do fim de semana nublado e frio no município de Esteio (RS), a 14ª Feira da Agricultura Familiar na Expointer 2012 estava quente e aconchegante. Os estandes, preparados com delicadeza e cuidado, traduziam a tradição gaúcha e convidavam o visitante a parar, olhar e, quase sempre, comprar. O espaço de 3,5 mil m2 organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) tem 191 estandes comercializando desde artesanatos até gêneros alimentícios.
A estimativa é que cerca de 70% dos 69.434 visitantes da Expointer tenham circulado pelo pavilhão da agricultura familiar neste primeiro fim de semana, ou seja, mais de 48,5 mil pessoas. Flávio Helder foi um dos que aproveitou a pausa no trabalho em um dos estandes da Expointer para verificar as delícias da agricultura familiar. Depois de provar vários queijos no estande do senhor Ivanor Blanger, 57 anos, se mostrou animado a comprar. “O queijo é bem saboroso e tem bastante variedade”, aprovou.
Ivanor e a esposa Marlene Blanger, 54, trabalham na fabricação de queijos há dez anos. Hoje, a produção média do casal é de 50 kg por dia, variando entre sete sabores: parmesão, orégano, iogurte, tomate seco, salame, colonial e, como novidade para a 14ª Feira da Agricultura Familiar, o queijo de maracujá. “É uma invenção nossa e está vendendo bem”, conta o agricultor.
Quarta geração de descendentes de franceses e italianos, seu Ivanor decidiu ir além da produção de leite e investir nos derivados. “No início não sobrava nada, tudo o que vendíamos usávamos para pagar nossas contas”, lembra. Até que resolveu acessar um financiamento do governo federal para ampliar a produção. Hoje, com auxílio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Ivanor tem resfriador, pasteurizador, embaladora, desnatadeira e câmara fria.
O resultado das melhorias pode ser notado no volume de vendas na feira. No ano passado ele trouxe para o estande quatro tipos de queijo, que renderam em torno de R$ 1,4 mil no primeiro fim de semana. Neste ano, ele faturou cerca de R$ 2,5 mil nos dois primeiros dias. Para o agricultor, o feito é resultado do maior número de variedades expostas.

Vendas
Quem também ficou animada com o andamento das vendas depois do primeiro fim de semana foi dona Aracema Medeiros Heldt, 58. Ela comercializou cerca de 800 unidades de rapaduras de cana e amendoim em dois dias, contabilizando aproximadamente R$ 1,6 mil. As rapaduras são feitas na hora, no próprio estande, o que chamou a atenção do público que fez fila para comprar. “Estou adorando, não esperava que fôssemos receber tanto apoio e vender tão bem logo no início”, conta Aracema.
Há oito anos a família Heldt produz em sua agroindústria melado, rapadura, chimia de pêssego, abóbora e goiaba. Exceto o amendoim, toda a matéria prima para produzir doces é cultivada nos dez hectares de terra herdados da família, na região de Roça Grande, município de Santo Antônio da Patrulha, a 60 km de Esteio. Antes de ter o próprio negócio, o casal que se criou em engenho, vendia melado para as grandes fábricas, ganhando bem menos.

Alimentação escolar
O principal mercado para a produção da família Heldt é a alimentação escolar. Em média, são entregues 300 kg por mês para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o restante é vendido em atacado para supermercados e em feiras de exposições. O desejo do casal agora é pegar um financiamento e investir em máquinas para aumentar e melhorar o engenho.
Outro espaço bem movimentado da feira foi a praça de alimentação. Mais de quatro mil pessoas passaram pelo espaço durante o fim de semana para saborear pratos como arroz carreteiro, massa com frango caipira, churrasco e polenta. No domingo o visitante curtiu, também, a apresentação do cantor tradicionalista Álvaro Júnior durante o almoço. Até o fim da feira outras atrações musicais devem animar o visitante. 

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