11 de jul de 2012

JAGUAR CIBERNÉTICO, de Francisco Carlos, reestreia em São Paulo no dia 12 de julho


JAGUAR CIBERNÉTICO, de Francisco Carlos, reestreia em São Paulo no dia 12 de julho
Temporada acontece no Teatro Aliança Francesa e conta com um ciclo gratuito de workshops
São Paulo, julho de 2012 – Entre os dias 12 de julho e 01 de setembro, o Teatro Aliança Francesa, localizado no Centro de São Paulo, recebe o espetáculo “Jaguar Cibernético”, composto por três peças autônomas. Trata-se de uma obra síntese da experimentação dramatúrgica do amazonense Francisco Carlos, autor elogiado e diretor de mais de 40 peças.  A trilogia está inserida no ciclo do “pensamento selvagem” do autor e as peças versam sobre temas indígenas e abordam as relações de alteridade entre culturas. A primeira exibição será para convidados no dia 12 de julho.

A tríade animais-homens-deuses é a matriz das três peças que compõem o espetáculo, intituladas “Banquete Tupinambá”, “Aborígene em Metrópolis” e “Xamanismo the Connection”.

O dramaturgo Francisco Carlos apresenta uma fusão da cultura grega clássica e da mitologia ocidental. Por meio dos aspectos materiais e imateriais do tronco linguístico tupi, os Tu­pinambás (extintos) e os Kamayurás (vivos), relata como as sociedades indígenas se constroem e se concebem; os conflitos entre índios e brancos; os ritos de iniciação masculinos e femininos, de nascimento, das religiões e cosmologias ameríndias; exotismo radical; canibalismo dialogando. Aborda ainda o confronto das divinizações do cinema de Hollywood, como o sexo, droga e rock and roll, e também a arquite­tura das metrópoles, mídias, robôs, templos do comércio, templos das artes, mercado, templos religiosos, comunicação de massa, violência urbana, racismo, lutas de classe e sexualidade.
Para o diretor, “O Jaguar Cibernético usa-parodia todo o padrão mítico da cultura ocidental mais os clichês da cyber mídia. O Jaguar tem basicamente o valor de uma expressão metafórica do outro, o outro como destino – o outro não era apenas um espelho, mas um destino, deus-morte-inimigo”, declara Francisco Carlos.
A dramaturgia do diretor consiste na criação contem­porânea que considera as experimentações cênicas do teatro moderno e da cena atual - híbrida, in­tertextual, fragmentária, neobarroca e ideogramática. A encenação envolve linguagens cênicas contemporâneas pesquisadas pelo autor que, em uma colagem de estilos, vão do teatro oriental a linguagens de rituais indígenas, arte indígena, danças antigas e pós-modernas. Utiliza também a arte circense, linguagens da moda e dos esportes, artes marciais, artes plásticas, literatura e cinema.
A temporada de “Jaguar Cibernético” conta com uma programação de workshops gratuitos, aos sábados, voltada aos profissionais da área cênica. Temas como o canibalismo tupinambá e uma palestra desconstruída sobre um dos maiores clássicos da antropologia brasileira, “A função social da guerra na sociedade tupinambá”, escrito por Florestan Fernandes, fazem parte dos debates. Confira abaixo informações completas da programação e, para outros detalhes, acesse o sitewww.aliancafrancesa.com.br/teatro2012


JAGUAR CIBERNÉTICO - Trilogia canibal
SINOPSES

Banquete Tupinambá - 55 minutos

Um banquete Tupinambá acontece quinhentos anos antes. Um sogro, uma noiva, um noivo prisioneiro e um cunhado canibais bebem cauim “suco-da-memória” se contagiando com a chegada do Jaguar, entre trocas e alianças e guerras de vinganças.
 
Aborígene em Metrópolis - 80 minutos

 Em tempos atuais, um jovem índio Kamayurá embarca em uma viagem iniciática pela “Metrópolis” e realiza seus ritos em logradores urbanos. O jovem índio sofre estranhas metamorfoses e transforma-se num felino-virtual.  
Xamanismo the Connection - 70 minutos 
Uma reunião imaginária de drogados é mediada por um jovem Xamã à espera de cowboy, um traficante de drogas que não aparece nunca. Enquanto Alice Ecstasy media a relação inimiga do namorado e do irmão. Através de espelhos conecta estudantes de maio de 68, zapatistas cyborgues, latas de sopas campebell´s, baile de humanos e animais, as Mademoseilles de Avignon, de Pablo Picasso, e um “dândi Jaguar”.
Workshops

Dia  21 de julho, às 15h (sábado)
Duração: 3h

Palestra desconstruída e workshop sobre o livro “A função social da guerra na sociedade tupinambá”, de Florestan Fernandes. Conversa ilustrada com projeções de gravuras dos livros de relatos da viagem de Hans Staden e jogos de guerra tupinambá cênicos, segundo modelo bricolagem em Levi Strauss e Max Ernest.
Dia  04 de  agosto, às 15h (sábado)
Duração: 3h

Leitura e workshop do “Auto de São Lourenço” seguido de debate e comentários desconstruídos, teóricos e cênicos de Francisco Carlos.
Dia 18 de agosto, às 15h (sábado)
Duração: 3h

Jam session com musico instrumental e conversa sobre a obra “Meu Tio Iauaretê”, de Guimarães Rosa.
Dia 01 de setembro, às 16h
Jam session com DJ Kleber Nigro e conversa sobre o texto “Esfinge Tupi”, de Francisco Carlos, com a presença do elenco.
Sobre “Relatos Canibais” 
São encontros promovidos pelo dramaturgo Francisco  Carlos juntamente com atores, técnicos e criadores que fazem parte de seus projetos teatrais, além de artistas, teóricos e cientistas convidados, com os seguintes objetivos:
 1.    Aprofundar os debates (temas e linguagens artísticas) – especificamente o “canibalismo tupinambá” – que envolveram a montagem do projeto da trilogia canibal “Jaguar Cibernético”.

2.    Aprofundar estudos sobre canibalismo tupinambá mergulhando na obra de Florestan Fernandes “A função social na sociedade tupinambá” e fontes tupis, como crônicas do século XVI e XVII; sobre os campos da história e etnografia; sobre o papel central e fundamental - status e prestígio - da mulher tupinambá, nas sociedades tupis dos séculos XVI e XVII.
 
 3.    Criar encontros e debates cênicos, que são documentados em vídeo, em comemoração aos 90 anos da Semana de Arte de 22 e discutir propostas antropofágicas de Oswald de Andrade - os modos como explorou e deixou em aberto as teorias da fonte tupi e como já indicava um dos procedimentos mais debatidos atualmente por indígenas, antropólogos, artistas e pensadores: a chamada reindigenização da cultura brasileira e do país.
Sobre Francisco Carlos 
Dramaturgo amazonense com mais de quarenta peças escritas, Francisco Carlos dirigiu shows musicais, concertos de canto lírico, vídeo e óperas e experiências multimídias. Ministrou workshops de expressão cênica para cantores líricos do Coral Paulistano e Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo e do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo. Estudou filosofia na Universidade do Amazonas e aplica esses conheci­mentos em processos de invenção para teatro poético-filosófico.
Realizou aventuras teatrais em Manaus, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e atualmente em São Paulo, com a concretização da “Mostra de Fenômenos Urbanos Extremos” com três peças de sua autoria culminando com a indicação ao Prêmio Shell de Teatro (SP) de melhor autor no primeiro semestre de 2010.
Na composição de sua estética teatral dialoga e parodia constantemente com outras áreas artísticas e outras atividades: música, dança, cinema, vídeo, ópera, performance, happenings, história em quadrinhos, fotografia, moda, esportes, artes marciais, publicidade, cibernética e artes plásticas. Atualmente, a dramaturgia de Francisco Carlos está dividida em dois blocos temáticos:
Peças do Pensamento Selvagem
 As peças do Pensamento Selvagem versam sobre os seguintes temas indígenas: modos como as sociedades indígenas são construídas e concebidas; ritos de iniciação masculino e feminino e de nascimento, religiões e cosmologias ameríndias, nominação, casamento, morte; arte e cul­tura indígena, pinturas corporais, tatuagens e piercings; catequese católica, conversão e resistência indígena; xamanismo; o devir-Jaguar; alteridade; hospitalidade canibal; exotismo radical; canibalismo; relações interét­nicas; índio tecnológico; conflitos entre índios e brancos; guerras; drogas indígenas e religiosas; cosmologias ameríndias -  tendo como referência etnográfica a antropologia estruturalista de Claude Lévi-Strauss na conexão Max-Ernest.
Peças das Culturas do Progresso 
As peças das Culturas do Progresso abordam os fenômenos extremos da modernidade, fundamentalmente urbanos e que Walter Benjamim identificou na modernidade das “Flores do Mal”, de Baudelaire, fenômenos amorosos, sociais, políticos e filosóficos que acontecem nas metrópoles por conta de sua superpopulação e de seus instrumentos cosmopolitas: dinheiro, templos do comércio, templos das artes, tem­plos religiosos, comunicação de massa (TV, rádio, jornais, internet, etc.), violência urbana, bancos, economia, lutas de classe, sexualidade, lugares de divertimento, esportes, shoppings, hospitais, sistemas judiciários, tec­nologias-informáticas, arquitetura, ciências, modas, universidades, show bizz etc.
Teatro Aliança Francesa
 Desde sua criação em 1964, o Teatro Aliança Francesa destacou-se como um espaço de encontros intelectuais e artísticos entre a França e o Brasil, revelando importantes nomes da dramaturgia brasileira e acolhendo grandes escritores franceses como Eugène Ionesco. Reinaugurando o seu teatro reformado, a Aliança Francesa tem como objetivo oferecer ao público uma programação aberta às diversas linguagens artísticas, de abrangência local e internacional, participando também da revitalização da região central de São Paulo.
Sobre a Aliança Francesa
 Criada em 21 de julho de 1883 por um comitê de personalidades como  Paul Cambon, Ferdinand de Lesseps, Louis Pasteur, Ernest Renan, Jules Verne e Armand Colin, a Aliança Francesa é uma instituição sem fins lucrativos cujo principal objetivo é a difusão da língua e da cultura francesa fora da França. Para tanto, promove o ensino do francês como língua estrangeira e concede certificados específicos de proficiência e conhecimento linguísticos. A rede da Aliança Francesa compreende escolas na França para a recepção de estudantes estrangeiros e cerca de 1000 estabelecimentos instalados em 130 países, onde estudam cerca de 500 mil pessoas.
Ficha Técnica:
Texto, encenação e direção geral:
 Francisco Carlos 
Direção de arte:
 Clissia Morais
Cenografia: 
Miguel Aflalo 
Orientação de língua tupi
 - Eduardo Navarro 
Figurino:
 Alex Kazuo e Clíssia Morais 
Assistente de Figurino: 
Nazaré Brazil 
Cenografia técnica: 
Mateus Fiorentino 
Criação musical:
 Alfredo Bello 
Técnico de Som:
 Kleber Nigro
Técnico de Luz:
 Gigante Cesar
Programação Visual:
 Jo Fevereiro
Produção  Executiva:
 Rosário Dmitruk 
Assistente de produção:
 Antonio Franco
Elenco:

Bernardo Fonseca Machado
Carol Gonzales
Eros Valério
Fabiana Serroni
Germano Melo
Hércules Morais
Kiko Pissolato
Luciana Canton
Paulo Gaeta
 Roberto Borenstein
 Tarina Quelho
 Thiago Brito
 
Jaguar Cibernético – Direção Francisco Carlos 
De 12 de julho a 01 de setembro
Sexta-feira e sábado, às 20h
**aberto ao publico a partir de 13 de julho
**censura 14 anos
Banquete Tupinambá: 13 e 14/07 e  20 e 21/07, às 20h.
Aborígine em Metrópolis: 27 e 28/07 e 03 e 04/08, às 20h.
 Xamanismo The Connection: 10 e 11/08 e 17 e 18/08, às 20h.
 Banquete Tupinambá:  24 e 25 e 31/08 e 01/09, às 20h.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Teatro Aliança Francesa
 Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque
 Tel.: (11) 3017-5699 ramal 5602 / 5608 / 5617
Café Douce France 
De segunda a sexta, das 9h às 21h. Sábados das 8h às 13h e durante os espetáculos.
Ingressos:
R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Tel.: (11) 4003.1212 e www.ingressorapido.com.br
Bilheteria

Horário de funcionamento:
De sexta e sábado, das 16h às 20h, somente nos dias de espetáculo
Informações e reservas: (11) 3017.5699 ramal 5617
Lugares: 210 + 4 para portadores de necessidades especiais
Acesso para PNE
Ar condicionado
Wi-fi grátis
Estacionamento conveniado em frente ao teatro: R$15,00 (por 4h)
 

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