3 de mai de 2012

3º Congresso Fluminense de Municípios - 1º dia - Nota 02‏‏‏


Por uma governança global possível
 À espera da Rio + 20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá em junho, no Rio, o 3º Congresso Fluminense de Municípios trouxe a temática de governança global para o seu grupo de discussões. O desafio a ser amplamente debatido no evento internacional está em desenvolver, pela primeira vez na historia, um conceito de unidade entre todos os habitantes do planeta. Mais que isso: o desafio está em que todos sejam capazes de tomar decisões comuns ao interesse coletivo.
 “O mundo hoje não tem nenhuma governança global”, afirma enfático o economista Sérgio Besserman, “não existe nenhuma entidade realmente capaz de lidar com os nossos problemas. E essa é uma necessidade imperiosa”. Para Besserman, não há relevância sobre quais são os atores que causam danos ao ambiente, todos serão impactados pelas conseqüências.
 Por isso mesmo, ele afirma que o desenvolvimento sustentável não pode ser discutido a cada 20 anos. Agressões ao meio ambiente que antes pareciam locais, como a poluição do Rio Tâmisa ou do ar londrino, hoje são regionais. “Estamos no olho do furacão. Não podemos mais acreditar que ainda substituiremos capital natural por tecnologia”, destaca.
 Meio às demandas mais urgentes, Besserman destaca o acelerado processo de desertificação do solo, os conflitos por água doce e potável, a contínua acidificação dos oceanos e o risco de extinção da vida. Estima-se que até o ano de 2050 entre 30% e 40% das espécies terão desaparecido. Mas nada soa tão ameaçador quanto o aquecimento do planeta. “As mudanças climáticas se relacionam com todas as outras ameaças e não somos capazes hoje de mensurar os seus danos. Qualquer cidade desenvolvida em todo o mundo apresenta um planejamento para essas mudanças. Mas nenhuma cidade no Brasil tem algo semelhante”, alerta o economista.
 Em sua opinião, uma das soluções possíveis para um equilíbrio entre economia verde e combate à pobreza está em uma mudança relevante de cultura. “Ensinar conceitos de consumo consciente nas escolas é muito bonitinho, mas o que é realmente eficiente é preço. É o custo que obriga a todos a repensar as relações de consumo”, conclui.


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