5 de mai de 2012

2 em cada 10 homens ‘fogem’ do exame de toque


Pesquisa realizada no ‘Hospital do Homem’, maior serviço público de urologia do Estado, aponta que 3 mil pacientes rejeitaram avaliação que pode detectar precocemente câncer de próstata

        
Levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem, unidade da Secretaria de Estado da Saúde na capital paulista, aponta que 20% dos pacientes não permitiram que o médico urologista realizasse o exame físico retal, popularmente chamado de “toque”.
        Em 2011, mais de 15 mil homens com idade entre 45 e 70 anos passaram em consultas médicas com os grupos de oncologia e patologias da próstata no ambulatório de urologia do hospital. Deste total, cerca de 80% já conheciam o exame e sua importância na detecção precoce do câncer de próstata, e aceitaram a atuação do especialista. Os 20% restantes, cerca de três mil pacientes, não fizeram o exame.
         Já quando a análise em questão é laboratorial, via exame de sangue, o pedido é bem aceito por todos os homens. O teste de PSA (antígeno prostático específico) mede os níveis desta substância e serve como um marcador biológico no diagnóstico das doenças da próstata, como a hiperplasia benigna (aumento benigno do órgão) ou o câncer de próstata.
         Os especialistas relacionam o resultado da pesquisa a questões culturais, que ainda associam o homem ao único provedor da família, forte e imune às doenças. “Não é só preconceito e medo de perder a masculinidade com o exame. O homem não se sente à vontade quando ‘perde’ a sua posição de chefe da família para cuidar de sua própria saúde e iniciar tratamentos médicos”, ressalta o médico chefe do Centro de Saúde do Homem Joaquim Claro.  
 O câncer de próstata é o mais comum entre os homens e está entre as doenças que mais os mata. O diagnóstico precoce é fundamental no combate a patologia e facilita, inclusive, o tratamento tornando-o menos invasivo. A partir dos 45 anos a realização de um check-up anual vira obrigação para toda a população masculina.
 “Podemos afirmar que os homens estão mais conscientes e, por influência da esposa e dos filhos, buscam mais ajuda médica. Mesmo assim, eles ainda vivem menos do que as mulheres. Nosso trabalho é acabar com a insegurança criando uma relação de confiança com estes pacientes”, exemplifica Cláudio Murta, médico coordenador do serviço de urologia do hospital.
 O Centro de Referência em Saúde do Homem é administrado pela organização social de saúde “Associação Paulista de Desenvolvimento da Medicina” (SPDM).

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